Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB

Depois de hoje eu vou descartar o iPad para escrever. É ótimo para navegar mas péssimo para editar. Peço desculpas pelas falhas nos dois posts anteriores.

Bom, vamos ao que interessa!!

Conversei com os Drs. Walter Agra e Marcus Vinícius Furtado Coêlho. Foram bastante atenciosos e passaram todas as informações possíveis sem reticências. Aliás, quando o Dr. Marcus me viu, chamou-me de “o homem do Portal Exame de Ordem”! Brincou ainda dizendo que era um democrata, pois eu batia no Exame e ele ainda se dispunha a conversar comigo!

Dr. Marcus Vinícius, eu e Drª Gisela Gondim

Pois bem! Ambos deixaram transparecer que as motivações da OAB sobre o Exame não são no sentido de se criar mais dificuldades, e sim torná-lo mais operacional, mais fácil de ser conduzido, principalmente para evitar a sequência de polêmicas vivenciadas pelos candidatos.

As mudanças, sejam como forem, serão para facilitar. Essa é a motivação e o argumento dos conselheiros.

Há de se notar a inexistência de uma minuta do novo provimento. Na verdade, não existe um novo provimento, e sim mudanças pontuais no atual.

Essas mudanças vocês já conhecem:

1 – Redução de 100 para 80 questões na primeira fase;

2 – Supressão do art. 6, §3, do Provimento 136/09;

3 – Exclusão das disciplinas do eixo fundamental da prova (nunca foram cobradas mesmo);

4 – Flexibilização do calendário anual do Exame, tirando a obrigatoriedade de 3 provas para até 3 provas ao ano.

Quanto ao número de provas, está DESCARTADA a realização de apenas 2 provas ao ano. As mudanças, inclusive, são no sentido da Ordem efetivamente conseguir aplicar as 3 provas sem atropelos.

A alteração na redação do provimento, em princípio, seria a seguinte: ao invés de 3 provas ao ano, ATÉ 3 provas ao ano. O Dr. Marcus Vinícius foi enfático em dizer que a OAB quer aplicar as 3 provas, mas precisa adequar os procedimentos para evitar atropelos. Essas mudanças afastariam o risco da Ordem violar o seu próprio provimento, e não para simplesmente reduzir o número de Exames e fechar as portas da Ordem para novos advogados.

Sob este aspecto, e aqui quero deixar claro que é uma observação minha e não dos conselheiros, a junção das prova da 1ª e 2ª fase simplificaria essa questão. Mas, por outro lado, não seria bom para os candidatos, pois teriam de se preparar simultaneamente para as duas fases.

E abordo isso, apesar de não ter sido conversado, porquanto pode ser uma possibilidade. E penso assim porque o Dr. Marcus falou da enquete patrocinada pela FGV com os bacharéis. Ela apontou uma aceitação de 60% dos entrevistados em relação a junção das provas em um único final de semana. Se assim foi, essa possibilidade não pode ser descartada e os conselheiros no plenário também vão analisá-la.

Ponto importante! As mudanças acima foram as mudanças PROPOSTAS! Não existe um pacote fechado de alterações e muito menos uma aceitação passiva dos conselheiros. Tudo, primeiro, será debatido na Comissão do Exame de Ordem, depois na 1ª Câmara da OAB e ao fim vai para o plenário do Conselho Federal, e acréscimos ou mudanças são perfeitamente possíveis até porque o debate lá dentro do Conselho é bem intenso. Essa pesquisa da FGV deverá produzir alguma influência na futura deliberação.

As mudanças acima foram propostas pela comissão do Exame de Ordem e pela comissão especialmente criada para estudar a reforma do provimento, capitaneada pelo Dr. Marcus Vinícius.

E quando teremos então essa definição? Segundo o Dr. Agra e o Dr. Marcus, e conversei separadamente com os dois, o novo provimento só no final de JUNHO, e o Dr. Marcus deixou bem claro que o edital do novo Exame de Ordem só sairá APÓS o provimento (no mesmo dia ou no dia seguinte).

Então a prova da 1ª fase, ainda segundo o Dr. Marcus, será no começo de AGOSTO.

Percebi que o Exame de Ordem não é exatamente uma prioridade na pauta da OAB, e a maioria dos conselheiros está alheia aos eventos em torno da prova.

O Dr. Marcus Vinícius fez um relato no plenário do Conselho sobre sua participação no debate sobre a constitucionalidade do Exame na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, ocorrida na semana passada, e foi bastante elogiado pelos pares. A visão dos conselheiros é que o Exame tem de existir, e ponto final. A OAB tem uma pauta extensa e o Exame é apenas um ponto dela. Creio que isso seja o principal fator a implicar na demora da votação.

O que é uma pena. Como o Conselho Federal é um órgão plural, cheio de caciques regionais (estavam quase todos lá), esse tipo de postergação faz sentido, apesar de ser completamente indesejável. A Ordem discute tudo, inclusive projetos de lei de seu interesse. Essas reuniões duram pelo menos dois dias, e ocorrem em todos os meses do ano.

Infelizmente é assim, e nós ficamos aqui “curtindo” uma interminável espera.

Exame de Ordem 2010.3

O Dr. Walter Agra me explicou o porquê do adiamento do resultado da 2ª fase do Exame 2010.3

Segundo ele, ao ser apresentado o padrão de resposta, foi observado que em duas provas (ele não especificou quais e eu não quis perguntar) as respostas para as peças práticas comportavam duas soluções processuais possíveis, além daquela escolhida pela FGV.

Eu e o Dr. Walter Agra

Ou seja: muitos candidatos tiram tirado zero na peça prática por conta disso. Os conselheiros entenderam que nessas provas existiam 2 respostas possíveis e determinaram a inclusão dessas respostas como possíveis no espelho e no padrão.

Assim, um número X de candidatos foram beneficiados com a determinação de uma nova correção e suas peças passaram a ser analisadas.

Não era possível fazer isso sem adiar a data do resultado.

Dessa forma a OAB evitou mais uma polêmica e fez justiça aos bons candidatos, evitando o mesmo drama do Exame de Ordem 2009.2, o 2º pior da história (o 2010.2 conseguiu ser o pior).

A notícia boa é que agora, dia 20, o resultado sai! Escrevendo agora eu esqueci de perguntar o horário. Vacilo meu. Mas do dia 20 não passará!

Na essência foi isso. Ao menos para mim toda a conjuntura ficou um pouco mais clara, sem disse-me-disse e informações conflituosas. As mudanças propostas foram essas, só estas, e é isso que está sendo analisado. Comentei sobre outras alterações mas tudo foi descartado como BOATO. São aquelas as 4 alterações propostas e nada mais.

Nada impede que o plenário do CFOAB mude mais alguma coisa, mas isso é algo imprevisível. Dependerá do ânimo dos conselheiros e das futuras conjunções astrais.

Quero agradecer a Drª Gisela Gondim que gentilmente me acompanhou lá no Conselho e foi fundamental para eu conseguir todas essas informações.

Por Maurício Gieseler em 16 de maio de 2011 às 16:04

Categoria: Editais

232 Comentários para “Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB”

  1. Dr Mauricio, você acha que a possibilidade de duas respostas, seria uma delas a prova de tributário? Gostaria de parabenizar pelo post, muito eficaz e objetivo, continue assim. Um grande abraço.

  2. E a prova de trabalho fica exatamente na mesma. Sendo que na questão n.º2 existem duas respostas possíveis de acordo com a jurisprudência e na questão n.º5 ninguém sabe ao certo de que poder a empresa se valeu, alguns professores apostam no diretivo, outros no hierárquico, tem ainda o regulamentar…Enfim, pobre de nós, meros bachareis, que temos de confiar na dedução, sorte e talvez alguma ajuda divina…

  3. Sinceramente não consigo enxegar a viabilidade da aplicação das provas de 1ª e 2ª fase no mesmo fim de semana.Primeiramente porque é muita ousadia aplicar prova a quem nem está apto e que nem vai ser corrigida, ainda mais que pelas estatísticas menos de 50% dos inscritos vão para 2ªfase (e haja Amazônia!!!).Além disso, o estilo das provas são totalmente diferentes e o desgaste do candidato no mínimo será desumano.Masssss se tratando de OAB, pelo que se vê, o que menos importa é o candidato(INFELIZMENTE)!!!!E agora só resta torcer e esperar que tudo não passe de suposições.Grande abraço…

  4. Sou contra as duas fases do exame serem realizadas no mesmo final de semana!
    Acredito que a redução de 20 questões objetivas não afetará em nada na preparação do candidato, que permanecerá no mesmo ritmo de estudos. Aliás, os estudos devem ser mais do que reforçados, uma vez que com a redução, uma número menor de temas serão abordados, logo, devemos estar preparados (diga-se, bem preparados) para o que for cobrado na prova. Além disso, entendo que dificulta para a preparação da atual 2ª fase! Ora, em três meses não conseguimos estudar tudo da parte objetiva, quem dirá nos preparar para a prova prático profissional. Além disso, caso o candidato não logre êxito na fase objetiva, fará, mesmo assim, a peça? Como seria esse procedimento, já que em 24hs a OAB/FGV não conseguirá corrigir as provas e determinar quem deve fazer a 2ª fase?
    Me parece que os candidatos não estão refletindo muito ao declarar que sãpo a favor dessa mudança! Depois a culpa é da OAB….

  5. [...] na última semana exatamente sobre isso – Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB – fazendo a ressalva de que os conselheiros poderiam propor mais alterações além daquelas [...]

  6. Prezados;

    Lendo a notícia de que o resultado preliminar do exame 2010.3 havia sido adiado em razão de que haveriam mais de uma possibilidade de peças além daquela escolhida pela FGV como padrão, imaginei que admitiram uma anulatória também. Fui surpreendida com o padrão de resposta que apresenta somente opção de indenizatória. Na prática o mais correto para o interesse do cliente é uma anulatória e uma indenizatória posterior. Portanto, deveriam ser aceita as duas peças. Fui bem nas questões e zerei a peça em razão de ter feito uma anulatória. Gostaria de saber se agora por meio de recurso há possibilidade da FGV incluir como opção a anulatória no padrão de respostas também. Desde já,agradeço.

  7. Gostaria de saber se existe a possibilidade de ser uma dessa peças com mais de uma possibilidade de resposta a de Civil, eis que entendo caber uma ação indenizatória contra o advogado e, principalmente, uma ação anulatória de partilha.

  8. Lúcio Benevides disse:

    Em verdade, sou totalmente favoravel a aplicação dasw duas provas deste Exame de Ordem no unico final de semana, deve ser lembrado que, o candidato, na visão da OAB, já deve está, no momento de sua graduação para fazer e ser aprovado neste tão dificil prova. Ademais, muitos outros concursos são feitos dessa forma.
    Deve ser lembrado que, o problema não é este PESTEROL que vem sendo descutido e sim o grau de dificuldade, este exama de medir o conhecimento basico para a pratica da profissão e não ocorrer com hoje, este VIROU UM VERDADEIRO CONCURSOR A NIVEL com o objetivo de reprovar.

  9. [...] já havia abordado essa questão no post do último dia 16 – Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB – sendo que a ideia ganhou forma após uma pesquisa realizada pela FGV no dia 23/03 – [...]

  10. Olá, dr. o pior de tudo do exame, até mesmo o de nao ser aprovado, é o de ter que começar do inicio, por acredito que talvez fosse melhor que quem reprovasse na 2ª fase, no próximo exame fizesse a partir da 2ª e nao ter que começa do inicio!!!!

  11. Sou totalmente contra as duas fases do exame no mesmo final de semana. Já é muito desgastante nos prepararmos para uma de cada, imagina as duas juntas.
    Não acho que é uma boa idéia, os bacharéis já estão desgostosos com tudo que vem ocorrendo nesses exames e, isso só vai alterar ainda mais os ânimos.
    Para corrigir o equívoco temporal das 3 provas por ano que vem ocorrendo, é só fazer duas provas esse ano, que no outro ano, de 2012 será possível fazer as 3.
    Obrigado,
    Geraldo

  12. [...] Ontem o professor Marco Antônio, ex-LFG e agora no Damásio – @profmarcoant – informou em seu twitter que havia conversado com um conselheiro da OAB e este passou a informação de que a prova seria em agosto, confirmando a notícia do post Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB [...]

  13. Eu sou contra a aplicação das duas fases no mesmo final de semana por motivos óbvios –
    estamos nos preparando para uma prova totalmente cansativa que é a primeira fase –
    teríamos que ter um tempo pra preparamos para a segunda. MAS, o que mais defendo é: SE O CANDIDATO PASSA NA PRIMEIRA FASE E NÃO NA SEGUNDA, NA PRÓXIMA PROVA ELE PAGA OS MESMOS R$200 (pq a oab quer mais é dinheiro mesmo), E JÁ VAI PRA SEGUNDA SEM A NECESSIDADE DE FAZER NOVAMENTE A PRIMEIRA!! Desnecessário né, massssssss, vai entender a cabeça dos caras, eles já tem a carteira, já ganham muito, tão cagando e andando pra gente.

  14. [...] Afora isso, a alteração do número de provas ao ano, de 2 para 3, havia sido afastada pelo Secretário-Geral da OAB e pelo Presidente da Comissão do Exame de Ordem, e mesmo pelo Dr. Ophir, em recente entrevista para o [...]

  15. Otávio Caputo disse:

    Sou contra o exame, quando entrei na faculdade particular e cara, não havia a dificuldade de hoje, com o pretexto de inibir a corrupção, figura jaz irraizada na alma brasileira, impuseram isso. De que adianta? Logo que fui o único que escrevi minha monografia, me pergunto, porque a responsabilidade de formar bons advogados não é da própria faculdade? Senão, do mercado mesmo, dizem: “quem não tem competência não se estabelece”, não uma prova ridícula, cheia de peguinhas, a garantir do sucesso profissional, a educação nesse país esta fálida, a perigo esta o estado de direito, com a falta de advogados.

  16. elaine lima disse:

    e sobre o valor “simbólico” da prova ninguém ousa discutir né?

  17. Pq fazer a primeira fase novamente??…Essa é a mudança q todos nós queremos, que realmente irá fazer diferença!!! Se a pessoa provou estar apta na primeira prova, para que fazer de novo? Se nao passa na segunda, faça somente esta novamente!!! Q coisa sem sentido nao ser assim…É ÓBVIO! Mas esta OAB e seus conselheiros querem mesmo é fortalecer a caixa de assistência!!! Concordo com meus colegas q comentaram…Onde está a justiça nisso??? Deixa que nos arrebentemos e pronto! Ta resolvido dificultar as coisas? Então pra q passarmos 5 anos estudando, se a OAB nao pensa nos bacharéis e só no dinheiro q arrecadam??

  18. Ednamai Segundo disse:

    Foi materialmente o §3 do art.6º, mas, formalmente, ele já não vinha sendo cobrado.. vide a prova 2010.2..

    Essa OAB ta de gozação com a cara do aluno.. e tornou a prova subjetiva, mais obscura ainda..

    Como saberemos os critérios de correção?? Se o candidato colocar a resposta correta, de forma desorganizada e com erros ortográficos, valerá do mesmo jeito??

    Aonde vamos chegar??

  19. GALERA AGENTE SO GASTA DINHEIRO E NUNCA ENTRA NADA. VAMOS PENSAR EM UMA PROVA MAIS FACIL. OU QUE NÃO TENHA.
    AFINAL A MAIORIA QUE EXIGE QUE FAÇA A PROVA NA VERDADE ÑUNCA FEZ

  20. [...] Essas informações convergem com o noticiado anteriormente em primeira mão aqui no Blog, na postagem Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB. [...]

  21. Eu acho que vai ser mais fácil essa aplicação!
    Uma vez que a 2º fase era com consulta, o nível da prova era mais dificil, porque as questoes eram mais complexas e como o material em prova era algo extenso e um bom tempo de preparo, tinha que ser exigidio muita coisa, o que tornava dificil.
    Depois que veio a prova sem consulta, o nivel das questoes a base de código do que doutrinas em maos, tinha que ter o nivel de exigencia mais baixo, mas ainda sim permanecia a quarentena para a 2º fase.
    A agora com a diminuição de tempo, para que haja tempo habil para o candidato, sera em um nivel de exigencia mais baixo ainda.
    Nao é coerente que eles elaborem uma prova do mesmo nível da prova de consultas, ao tipo de prova em pouco tempo, e sem consulta.

  22. [...] aqui no Blog em primeira mão, quando visitei o Conselho Federal da OAB no dia 16 de maio – Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB – quando tive a oportunidade de conversar com o Secretário-Geral da OAB, Dr. Marcus [...]

  23. Gente presta atenção: O exame de ordem tomou se de grande dimensão, razão pela qual, a mudança ora discutida pela a OAB, e para ser etica, teria de ter um representante dos bachareis de cada um dos esdados da federação. E hora de termos nossos questionamentos e fazer também nossas exigencias.
    Vejam, o aluno se forma e fica na dependencia de esperar pela a boa vontandade da OAB, ela foi clara, taxativa que o exame não é a sua prioridade, oras vejam, como não ? se eles tem hoje uma receita nunca vista por nenhuma agremiação similar a deles ou dessa natureza…
    Com certeza, eles precisam de aceitar que representantes dos bachareis integrem a comissão que trata dessa questão. Afinal, eles que defendem tanto a democracia neste pais e agora quando são eles que ditam as regras fica do jeito deles presisamos de tomar uma decisão, descruzar os braços levantar e partir em busca dos nossos objetivos, formamos para sermos atuantes e não podemos por imposição incosntitucional da parte dels. Estamos tendo uma perda, a chamada perda de uma chance…

  24. [...] surgiu pela web, mas ao fim as coisas estão se encaminhando em conformidade com o antecipado em PRIMEIRA MÃO aqui no [...]

  25. [...] Um outro ponto relevante das mudanças apontadas, a junção das provas da 1ª e 2ª fase em um mesmo dia ou final de semana, surgiu como especulação minha após ter conversado com o Secretário-Geral da OAB, Dr. Marcus Vinícius Furtado Coelho quando da minha visita ao Conselho Federal da OAB – Novidades sobre o Exame de Ordem direto do Conselho Federal da OAB [...]