Estatísticas da 1ª fase do IV Exame de Ordem Unificado: acadêmicos têm desempenho melhor do que os bacharéis

O jornal Agora MS publicou os dados estatísticos da 1ª fase do atual Exame de Ordem. Confiram a matéria:

Cresce o número de estudantes inscritos no Exame de Ordem

Em todo o Brasil, cresce o número de estudantes do 9º e 10º semestre dos cursos de Direito que realizam o Exame de Ordem. De acordo com o Conselho Federal, o número de acadêmicos que fizeram o Exame 2011/1 a prova foi maior ou igual ao numero de bacharéis. Ao todo, 86.432 bacharéis e 34.948 estudantes realizaram a prova.

Se nao houvesse anulação das três questões (64-34-79) o exame teria 7.771 bacharéis aprovados e 6.386 estudantes. Analisando, o número de estudantes é proporcionalmente igual ao numero de bacharéis.

Ao todo, foram aprovados 21.970 candidatos, representando 18.48%.

De acordo com a Resolução 11/2010 da diretoria do Conselho Federal da OAB, a realização das inscrições acontecem exclusivamente via internet, sem a necessidade de apresentar documentação na OAB/MS. Além disso, acadêmicos do 9º e 10º semestres dos cursos de Direito podem fazer o exame antecipadamente, mas, só recebem a carteira após a conclusão do curso. A taxa de inscrição para o Exame de Ordem foi unificada em R$ 200,00.

Na primeira fase do Exame de Ordem foram, que aconteceu dia 17 de julho foram: inscritos 121.380, ausentes 2.740 e presentes 18.772 candidatos.

Mais de 80 pessoas realizaram as provas através de mandado de segurança.

Para os candidatos aprovados engloba-se acadêmicos do 9o. e 10o. semestres.

Proporcionalmente o numero de estudantes que fizeram a prova foi maior ou igual ao número de bacharéis. Dado que surpreendeu o Conselho.

Os dados foram divulgados na tarde desta quinta-feira durante reunião da Comissão Nacional do Exame de Ordem que aconteceu em Brasília com a participação do Presidente da OAB/MS, Leonardo Duarte, membro desta comissão.

Fonte: Agora MS

Vamos organizar os dados.

Foram 121.380 candidatos inscritos.

86.432 são bacharéis e 34.948, estudantes.

Ou seja, 71,20% são bacharéis e 28,80% são estudantes.

Esses primeiros dados são interessantes pois podemos ver que o Exame de Ordem entrou, e fundo, dentro das faculdades. Quase 30% dos candidatos ainda estão estudando.

Quanto ao número de inscritos, há uma discrepância com os dados que o Blog levantou em 1ª mão – Exame de Ordem Unificado tem recorde de inscritos: 121.309 examinandos farão a prova de domingo – dados esses depois confirmados pelo Portal UOL – Confiram o número de inscritos por seccional no IV Exame de Ordem – a discrepância é pequena mas existe.

De toda forma, em termos gerais, não atrapalha a análise.

Antes das anulações tivemos 14.157 candidatos aprovados, sendo que são 7.771 bacharéis e 6.386 estudantes.

Isso representou um percentual prévio de aprovação de 11,66%.

E aqui um dado interessantíssimo. O desempenho dos ainda acadêmicos é SUPERIOR ao desempenho dos bacharéis.

Entre os inscritos 71,20% são bacharéis e 28,80% são estudantes e entre os aprovados 7.771 são bacharéis, ou seja,  54,89%,  e 6.386 são estudantes, ou seja, 45.11%.

Resumindo:

Bacharéis: 71,20% do total de inscritos e 54,89% do total de aprovados (antes das anulações)

Estudantes: 28,80% do total de inscritos e 45,11% do total de aprovados (antes das anulações)

Proporcionalmente o desempenho dos ainda estudantes é bem melhor comparando com os bacharéis. Isso é muito interessante.

Primeiro desconstrói o argumento das faculdades que alegam que os ainda estudantes não deveriam fazer parte das estatísticas do Exame – OAB divulga lista com as 90 faculdades com índice zero no Exame de Ordem. Muitas que foram apontadas pela OAB por não terem aprovado nenhum de seus inscritos usaram esse argumento para se defender. Pelo visto, a realidade é outra…

Depois, fica nítido o impacto gerado pela reprovação. Aparentemente uma reprovação no Exame funciona como indicativo de que o candidato tem suas chances de aprovação em provas futuras bem reduzidas.

Essa percepção já havia sido abordada pela OAB bem recentemente, e agora, com esses dados, tal assertiva torna-se mais palpável.

O site Agora MS não trouxe os dados de aprovação entre estudantes e bacharéis após as anuladas, mas estatisticamente não deve ocorrido mudanças significativas. A média deve ter sido beneficiada de forma homogênea com as anulações.

Fica aqui uma indagação: Por que o desempenho dos acadêmicos foi superior ao dos bacharéis?

 

De toda forma, é nítido que a última prova foi muito, mas muito difícil, tal como percebi no dia 17 - A prova da OAB foi difícil! - enquanto muita gente boa por aí disse que a prova foi de “mediana para difícil”. Certamente fizeram uma análise sem olhar para ela…

Não tem como se enganar! o Exame de Ordem, de forma paulatina e firme, tem se tornado, cada vez mais, uma prova difícil. A única exceção dessa evolução do grau de dificuldade foi a prova objetiva do Exame 2010.2, pois ela aprovou mais de 40% dos inscritos. Por outro lado, a 2ª fase desse exame foi uma tragédia.

A lógica é muito simples: quanto mais inscrito pior será a prova.

Vamos comparar essa primeira fase com Exames passados já concluídos. A percepção do aumento das reprovações é inequívoca.

2008.139.357 inscritos - 11.063 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de presentes: 28.87%

2008.239.732 inscritos - 11.668 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de presentes: 30,22%

2008.347.521 inscritos - 12.659 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de presentes: 27,35%

2009.158.761 inscritos - 11.444 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de presentes: 19,48%

2009.2 -70.094 inscritos - 16.507 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de presentes: 24,45%

2009.383.524 inscritos - 13.781 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de presentes: 16,50%

2010.195.764 inscritos - 13.435 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de inscritos: 14,03%

2010.2106.041 inscritos - 16.974 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de inscritos: 16,00%

2010.3106.891 inscritos - 12.534 aprovados

Percentual de aprovados em relação ao número de inscritos: 11,73%

IV Unificado - 121.380 inscritos21.970 aprovados (1ª fase)

Percentual de aprovados em relação ao número de inscritos (1ª fase): 18,48%

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Vamos ver agora o que a 2ª fase reserva aos candidatos.

Eu creio em uma prova mais fácil que suas duas antecessoras, ou seja, ela deve reprovar algo entre 40 a 50% dos aprovados na 1ª fase.

E isso é melhor???

Por incrível que pareça, é.

Um bom percentual de aprovação na 2ª fase é de aproximadamente 50% dos inscritos em uma disciplina. Direito do Trabalho e Penal, nas duas últimas edições, reprovaram bem mais do que isso.

Moral da história: estudem muito para entrarem no lado positivo das estatísticas.

Por Maurício Gieseler em 06 de agosto de 2011 às 12:57

Categoria: Estatísticas

85 Comentários para “Estatísticas da 1ª fase do IV Exame de Ordem Unificado: acadêmicos têm desempenho melhor do que os bacharéis”

  1. agora se alegarem a pilantragaem OB/FGV, ao qual faltaria o pão de caso. Meu amigo me aconpanhe; acho que falal em mais de 500.000 mil, mais os uqe estão estrando; vamos colocar 700.00 pessoas x mais de trinta e um milhões de reais.
    Viva o ophir, em seu mandato acabou com exame e, deixou um ronbo de trinta mil. VC ACHA QUE DEPOIS QUE VC FEZ OS BACHARÉIS VÃO ENTRAR COM AÇÕES DAS MAIS DIVERSOS ARGUMENTOS. E CASO A INDENIZAÇÃO SEJA MAIOR, TENHO QUE CONCORDAR – VOCÊ DOI O CARA MAIS ESTÚPIDO QUE CONHEÇI.

  2. por incrivel que pareça não acredito nessas estatisticas, não pelo fato de que academicos tem melhor desempenho, mas pelo fato que ate agora não tem lista de aprovados para sabermos um real percentual de aprovados, .. por que na minha opinião esse percentual foi bem abaixo do que estão divilgando, qual é a fonte oficial DR MAURICIO, por que essa publicação desse jornal sequer cita a fonte.

  3. Dr. Mauricio,

    A relação com os aprovados será divulgado a que horas?

  4. Wilson Diorato disse:

    Não caiam nessa conversa de que o exame da 2ª fase vai serr mais fácil, pura balela, acordem, a OAB não está de brincadeira, 50% de aprovados na 2ª fase é ilusão!e

  5. Bom dia.

    Quando será publicada a lista de aprovados????????

  6. Reno - UNIB SP disse:

    Bom dia

    Dr. maurício,

    Agora com a divulgação dos números finais da 1ª fase, o senhor acredita numa 2ª fase um pouco mais tranquila?

  7. Bom dia , Mauricio
    Sera q hoje sai a divulgação da lista de aprovados????

  8. F Batista de Manaus AM disse:

    Dr. Mauricio, com os crescentes erros nas elaborações das provas pela a oab/fgv, será que no exame 2011.2 serão anuladas pelo menos nove questões?

  9. http://www.oab.org.br/arquivos/pdf/Geral/IES-noventa.pdf -> Inclusive esta lista das universidades q nao aprovaram ninguem no Exame de Ordem é mt tendenciosa. Percebam bem:

    Pois o numero de candidatos ao Exame de ordem destas universidades varia de 1 a 4 candidatos.

    Poucas tiveram numeros de inscritos entre 10 e 20. E mais poucas ainda, entre 30 e 40..

    Aí, a universidade teve um aluno q se inscreveu no Exame de Ordem, e este unico aluno nao passou. Entao, transformam este numero 1 em 0% de aprovação..

    Isso ocorre mts faculdades desta lista, e qd nao é 1 candidato, sao 2, 3, 4…. Aí esses 2 ou 3 nao passam e a OAB diz q está APENAS mostrando as faculdades ruins..

    E ainda tem gente q a OAB está fazendo bem…

    • Foi exatamente isso que o MEC atacou….VEJA A NOTÍCIA….

      Ministro diz que lista da OAB não serve para avaliar cursos de direito

      Larissa Leite

      O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou hoje que o ofício recebido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que inclui 90 faculdades que não aprovaram nenhum estudante no último Exame de Ordem, servirá apenas como subsídio. Segundo o ministro, a OAB não trabalha com critérios estatísticos, o que invalida a avaliação de instituições de ensino superior. “O nosso sistema tem uma robustez no trato estatístico que a OAB não tem nem a pretensão de ter. Porque ela avalia o candidato, não a instituição. Não devemos misturar os dois procedimentos”, afirmou. A OAB pediu que o MEC colocasse as 90 faculdades “sob supervisão”, o que poderia resultar no fechamento das instituições.

      De acordo com o ministro, uma das falhas cometidas pela Ordem é o fato de ela considerar que uma faculdade com um único estudante inscrito e reprovado teve 100% de reprovação no exame. Haddad afirmou que os cursos continuarão sendo avaliadas pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), e lembrou que cerca de 34 mil vagas de Direito foram suspensas , desde 2007, a partir de resultados do Enade. A declaração foi feita hoje de manhã, durante visita às obras do Câmpus Brasília do Instituto Federal Brasília.

      O MEC esta começando a se pronunciar, o Ministro colocou a OAB no lugar de

  10. Caro Dr. Maurício,

    Sou favorável ao Exame para se verificar aptidão do Bacharel em Direito para exercer a advocacia, portanto, sou a favor do exame de ordem. Agora o que me espanta é se colocar a baila a estatística comparando um acadêmico ou o estudante como você colocou com um bacharel em Direito em relação ao exame de ordem, não entendo o porquê disto.
    O que todos queremos é que seja feita uma prova justa, séria.Todos sabemos que esta avaliação da OAB não mede, ao menos num primeiro momento, a competência de ninguém. Penso que seria correto esta prova ser aplicada apenas a quem terminasse o curso, ou seja, completasse os 10 semestre, afinal, não se trata de avaliar o bacharel em Direito para que ele esteja apto à entrar no mercado de trabalho?
    Dr.Maurício, continuo entendendo que a OAB deveria urgentemente pensar em oferecer aos bacharéis em Direito uma residência jurídica na especialidade escolhida pelo bacharel, (apesar desta competência ser do MEC) ai sim eu daria ainda maior valor à esta instituição, pois entenderia que a OAB estaria cumprindo sua função social, inserindo no mercado de trabalho profissionais aptos a seguriem à advocacia, e também sua função primordial que é a de fiscalizar. Quem passa por uma faculdade por cinco anos deveria ter uma chance de se especializar, como se faz em outros cursos como por exemplo Medicina, Odontologia e outras tantas profissões que além de oferecer esta opção, não fazem esta exigência como a OAB faz.
    Dr. Maurício, não podemos deixar estes muitos bacharéis em Direito que ainda não lograram êxito nesta prova desanimarem,ou ficarem a mercê de muitos cursinhos preparatórios para o exame da ordem e pagando esta inscrição ( tão alta) para fazer esta prova.
    Sugiro lançarmos uma campanha nacional em favor dos bacharéis em Direito – que a OAB pense em uma residência jurídica antes que outros tomem esta iniciativa.
    Temos que reverter o quadro que hoje existe, são muitos os bacharéis que precisam alcançar seu trabalho, sua sobrevivência, sua dignidade como pessoas humanas. A OAB tem condições de proporcionar a estes bacharéis em Direito uma extensão, oferecendo especialização a estes para que possam estarem aptos à entrarem no mercado de trabalho .
    Se a OAB já abraça esta competência – que deveria ser do MEC, que faça então a coisa direito. Não vamos ficar apenas falando que seja culpa das Instituições de Ensino Superior, ou até mesmo dos “estudantes”, que talvez não tenham feito um bom curso, vamos reverter este quadro!!!!

  11. [...] Com a publicação da lista final de aprovados é possível confirmar as informações veiculadas em 1ª mão pelo jornal Agora MS, replicadas na semana passada pelo Blog – Estatísticas da 1ª fase do IV Exame de Ordem Unificado: acadêmicos têm desempenho melhor do que … [...]

  12. O que está implícito nesta notícia é que atualmente as faculdades deixaram de lado o saber jurídico, antes tido até como requisito de avaliação para “esse tal exame”. Hoje o acadêmico faz o curso de direito para passar no exame de Ordem, não mais para usufruir de um conhecimento jurídico, crítico e até mesmo cientifico, como os tantos bons doutrinadores que “ainda” temos. O que acontece é que as faculdades hoje preparam para passar no exame, então o exame passou a ser o verdadeiro objetivo de um curso de direito. Não vejo isso como bom, pelo fato de que futuramente não teremos juristas, mas sim profissionais de exames de ordem, e que todos, realmente todos que fazem esse exame e trabalham na área da advocacia, sabemos que não avalia ninguém, e ainda este exame nem ao menos está perto da realidade vivida por um profissional. Tanto é verdade que quando se faz um curso preparatório, esses para a segunda fase do exame, os professores deixam claro que quem trabalha em um escritório de advocacia deve aprender de novo. Sendo assim, não vejo que esse exame valha para alguma coisa, a não ser os interesses que o rodeiam.

  13. Marcia Andrade disse:

    Percebe-se que o maior indice de reprovação é na área de Penal, ou estou enganada?

  14. fernando lima disse:

    EXAME DE ORDEM —> UMA VERGONHA NACIONAL

  15. concordo com vc caro amigo