Por Elvira Lobato e Antonio Gois, na Folha:
Surgiu uma nova figura no meio universitário: o intermediário entre as faculdades privadas e os jovens trabalhadores de menor renda que se tornaram o principal público-alvo de algumas instituições. Associações de moradores, líderes comunitários, ONGs e igrejas fazem parte da malha de captação de alunos. O fenômeno foi constatado pela Folha em bairros da periferia da Grande São Paulo. As entidades intermediárias são remuneradas de duas formas: pelos alunos – que pagam uma taxa semestral ou anual para ter o nome incluído no cadastro para bolsas de estudo – e pelas faculdades, que chegam a pagar R$ 100 por matriculado. As faculdades justificam a contratação da rede de intermediários dizendo que isso é mais eficiente e barato do que gastar com publicidade nas mídias convencionais.
Instituições de São Paulo como Uniban -recentemente adquirida pelo grupo Anhanguera -, Universidade de Guarulhos, UniRadial -ligada ao grupo Estácio de Sá-, Faculdade Sumaré e UniSant’Anna são algumas das que aderiram à prática. Não há um padrão na contratação dos intermediários. As faculdades mais agressivas recorrem a associações de moradores de comunidades carentes, contando que o futuro aluno poderá financiar 100% de seu estudo pelo Fies, do governo federal, ou por outras fontes de financiamento do governo de São Paulo ou privadas. A Uniesp, por exemplo, contatou José Cecílio dos Santos, 43, presidente da associação de moradores do Jardim Boa Vista, na região administrativa do Butantã (zona oeste). Neste ano, ele já encaminhou 200 candidatos para a faculdade, que remunerou a associação em R$ 100 por aluno matriculado. Além disso, a faculdade promete um notebook ao aluno que for aprovado no Fies.
Fonte: Blog Reinaldo Azevedo
Pensei um pouco sobre como definir essa prática, mas confesso que os termos não são exatamente publicáveis. Deixa para lá…
Não é preciso dizer que o vestibular para ingresso nessas instituições simplesmente não existe. Se não existe, não preciso também dizer que a “qualidade” desses alunos, como universitários, deve ser mínima. Afinal, quem não se esforça para entrar numa faculdade por vontade própria e pela via dos estudos não deverá ser um bom aluno.
Aliás, esforço para quê se o diploma ao fim do curso é praticamente uma certeza? Basta continuar pagando as mensalidades…
Há de se notar que essa prática é adotada não por ser mais eficiente que o marketing convencional, e sim porque o excesso na oferta de cursos superiores é maior do que a demanda.
Simples assim!
De acordo com o último Censo da Educação Superior, divulgado em 2009, 49 em 100 vagas do ensino superior do Brasil ficam ociosas.
Ao todo, 1.479 milhão das carteiras que poderiam ser ocupadas em cursos presenciais de universidades, centros universitários e faculdades permaneceram vazias no período analisado – vindo a representar 49,6% do total de vagas de ingresso.
O número de vagas ociosas teve um crescimento de 11,6% de 2007 para 2008. A explicação para essa “sobra” no caso das instituições particulares, é o fato de elas adotarem uma estratégia de fazer “estoque” de vagas, segundo Reynaldo Fernandes, presidente do Inep e Maria Paula Dallari Bucci, secretária de Ensino Superior do MEC. As instituições requerem ao MEC a abertura de um número superior de vagas ao que elas pretendem oferecer.
“O processo de abertura de cursos era muito lento“, explica Maria Paula. E, por isso, havia o interesse em deixar aprovadas vagas antecipando-se à demanda. (Fonte: UOL)
Dentro dessa lógica, questiona-se qual a real preocupação de uma instituição de ensino que adota essa prática tem em formar seus acadêmicos.
O resultado dessa equação só pode ser catastrófico.
Por um acaso, atravesse um Exame de Ordem no caminho desse “idílio” da formação superior e veja o resultado.
Das faculdades citadas na reportagem, nenhuma delas aprova mais do que 16% dos seus egressos no Exame de Ordem, sendo que a média de sucesso é de apenas 5%. (cliquem AQUI e digitem o nome da instituição na busca do ranking das faculdades no IV Exame de Ordem Unificado). Há de se considerar que duas das instituições citadas não estão na relação.
Com o plano de expansão do ensino superior em curso, e o financiamento facilitado do FIES, está sendo armada uma bomba educacional (e social) para os próximos 10 anos.
A verdade é que o Brasil ressente-se profundamente do tradicional descaso com a educação, notadamente a de base. O número de vagas supera o número de brasileiros com a formação adequada para adentrar no ensino superior. Recentemente ganhou espaço na mídia a seguinte manchete, que fala por si mesma: Para recuperar falhas na educação, faculdades ensinam tabuada
Um universitário que precisa desse tipo de “reforço” só pode ser sinal de que a instituição que o abriga não tem a menor preocupação em selecionar aqueles aptos ao ensino superior. Na realidade, a preocupação se resume a viabilizar economicamente o negócio, o “business”.
Um grande “business” chamado educação superior e o desempenho no Exame da OAB
E a “culpa”, ao menos na área jurídica, hoje é do Exame de Ordem. Se criarem exames de proficiência em outras carreiras de nível superior, estes exames, sem NENHUMA sombra de dúvida, também serão os vilões.
O universitário, em última instância, é livre para escolher a faculdade que bem entender. Mas também deve se responsabilizar pelas consequências de suas escolhas.
E o preço a pagar pela escolha errada sempre é elevadíssimo.








O grande problema que vejo nestes casos, é o FIES.
tenho alguns colegas e que formaram comigo que não conseguem pagar o maldito.
esta prática é uma fonte de arrecadação e uma fonte maior de criação de endividados,
basta lembrar que, ao se formar em qualquer ramo, bacharelado ou licenciaturam não quer dizer garantia de emprego e bom salario.
é muito perigoso para o ingresso na faculdade optar pelo FIES. é logico que é uma oportunidade de alcançar a formação superior.
o que as faculdades estão buscando é preencher o numero de vagas que estão ociosas, tentanto minimizar os prejuizos, transferindo para os estudantes este prejuizo.
os estudantes devem tomar muito cuidado com isso.
em especial, os estudades de direito, pois, se formar não garante nada. passar no exame ou consurso vasi alem de ficar sentado fingindo que esta estudando.
boas sorte aos inscritos no V exame.
O grande problema não é só do FIES, é também do MEC, pois quando fiz vestibular para o ingresso no curso de Direito a Universidade oferecia apenas 50 vagas diurno e 50 noturno, hoje oferecem 200 diurno e 200 noturno. Além da abertura de mais 05 Faculdades oferecendo o mesmo número de vagas cada uma.
Estão fazendo vestibular de faz de conta,
Dr. Respeito muito a sua opinião porem o problema não deveria ser em entrar em uma faculdade, e sim sair dela, o aluno que se esforçar vai estudar e vai se formar, aquele que achar que a faculdade vai dar o diploma, azar dele vai pagando e ficando, o problema que este sistema deveria ser como uma venda de um produto, compra quem quer, se você busca qualidade, paga mais, se não compra da china, é a verdade.
Ensino não é produto, e uma faculdade também tem uma missão social: não é qualquer um que pode cursá-la, e isso tem de ser levado a sério.
Infelizmente as instituições do “Ensino Superior” são espelhos que refletem como a educação brasileira está sucateada (desde os primeiros anos de escola) e o que se tem feito para revertê-la. E pensar que só pela Educação é que o indivíduo transforma uma sociedade… Lamentável!
Se o caos se instalou, se nenhuma faculdade é capaz de preparar seus bacharéis para a o exame de ordem. A solução está nas mãos da OAB. A final, somente ela é competente. Portanto, o CF deve alterar a lei e passar a não mais exigir o diploma de bacharel – que não se presta para nada- e, apenas e tão somente, a aprovação no exame de ordem, para alguém se torne advogado.
É evidente que trata-se de um problema crônico e de complexa solução. Muitos ingressam nas IES sem terem efetiva condição de lá estarem. Vêem de um ensino deficitário e deficiente, com dificuldades de aprendizado graves. Agora, em relação ao curso de Direito, a solução para o problema reside na aplicação DESSA prova chamada de “exame” de Ordem? Evidente que não. Na minha faculdade (PARTICULAR), no decorrer do curso, muitos ficaram para trás pq não conseguiam acompanhar o curso, por motivos diversos, entre os quais reprovações reiteradas em matérias. Cerca de 40% apenas dos que começaram comigo o curso obtiveram o diploma de Bacharel em Direito no fim. Não se pode generalizar e pensar q toda faculdade privada não presta. ISSO É FALSO. Alunos ruins existem tbm em faculdades públicas! A solução para essa bagunça q virou o “exame” de Ordem está num trabalho que tenha o MEC à frente, ainda q tenha alguma participação da OAB, em algum nível. É evidente que o sistema “exame de ordem”, como está, já perdeu sua credibilidade por completo. Não é o instrumento de qualificação nem de aferição de nada. Apenas meio de impedir o ingresso no mercado de trabalho. A prova é de fato inconstitucional e assim deve ser declarado pelo STF, para que o MEC assuma a responsabilidade da questão depois. NOBRES SENHORES MINISTROS DO STF: PONHAM UM FIM NESSE SOFRIMENTO QUE ASSOLA OS BACHARÉIS DO BRASIL!
Acho que a responsabilidade é do MEC de permitir que faculdades sem nenhum compromisso com a formação profissional e social do aluno continuem a funcionar, se preocupando apenas em lucrar. Acho que seria uma boa, por exemplo, usar o ENEM no lugar dos vestibulares dessas faculdades particulares, pelo menos, dava uma filtrada, e essas pessoas mais preparadas não aceitariam receber qualquer ensino, pelo menos não as medíocres que só querem o diploma pra dar satisfação pro papai.