Estudantes de medicina discutem com deputado PL de exame de ordem

Estudantes de Medicina do RS, Brasília e São Paulo discutiram na noite de sexta-feira (7) os projetos de lei que tramitam na Câmara dos Deputados e que institui o exame de ordem para médicos. Organizado pelo Núcleo Acadêmico SIMERS (NAS), o evento na sede do SIMERS contou com a presença do deputado federal gaúcho e relator da matéria Ronaldo Nogueira. O parlamentar considerou o debate esclarecedor, e afirmou que em breve agendará audiência pública no Congresso Nacional para aprofundar a discussão.

Nogueira mostrou grande interesse pela proposta defendida pelo presidente do sindicato, Paulo de Argollo Mendes, que acompanhou todo o debate. O deputado admitiu que poderá elaborar um projeto substitutivo com a medida, como alternativa à prova clássica — modelo adotado pela OAB e com alto índice de reprovação.

Argollo considera que a melhor forma de controlar a qualidade das escolas é instaurar provas anuais aos alunos, que evoluiriam dentro da formação de acordo com o resultado do teste. “Assim não penalizaríamos o profissional que, depois de seis anos de estudo e investimento, poderia ser reprovado em um exame teórico, quando a culpa pela má-formação hoje é das escolas muito ruins que o MEC não tem coragem de fechar”, argumentou o dirigente médico.

A presidente do NAS, Pauline Josende, ressaltou que as propostas examinadas na Câmara têm forte oposição dos futuros médicos. “Essa prova não avaliará a prática do profissional, que seria a única forma de dimensionar as condições de prestar assistência. Além disso, os médicos reprovados virarão mão de obra barata, com subcontratos, semelhante ao que vemos no Direito — onde bacharéis trabalham nos escritórios, fazem tudo que um advogado faz, só não assinam como tal”, contrapôs Pauline.

O presidente da Associação dos Estudantes de Medicina de Brasília, Juraci Barbosa, reforçou a análise da presidente do NAS. Para Barbosa, cabe ao MEC exercer seu poder de fiscalização para garantir que as faculdades preparam de forma adequada os profissionais. “Em dez anos, foram criadas mais de 80 novas escolas. O maior serviço à qualidade da Medicina no Brasil seria prestado pelo Ministério, se ele realmente monitorasse a formação nas instituições”.

O membro do comitê acadêmico da Associação Paulista de Medicina, Flávio Taniguchi, convocou os estudantes a se mobilizarem em todo o País para impedir o exame. Para Taniguchi, os maiores prejudicados serão os alunos e recém-formados. “Em São Paulo, temos a prova do Conselho Regional de Medicina (Cremesp), que é esvaziada e pretende julgar a formação com questões teóricas”.

Fonte: SIMERS

Três pontos interessantes sobre o debate trazido pela notícia acima:

1 - Os estudantes e o sindicato não estão discutindo se terão ou não uma prova de suficiência. Eles estão debatendo o formato dela, se ao final do curso ou anualmente. Ter uma prova, ao menos como retratado acima, é um consenso;

2 - Como ainda não têm um Exame, aparentemente não se deram conta de que o MEC não tem compromisso com a fiscalização e fechamento de faculdades, e sim com a abertura indiscriminada delas. Não só de Direito, mas de todo o ensino superior;

3 - Não faz muito tempo e “antevi” o surgimento de provas semelhantes a da OAB para todos os cursos de nível superior. Com o Plano de Expansão do Ensino Superior, isso é inevitável. OAB e CFC já têm e em breve os médicos também terão. É só uma questão de tempo.

Por Maurício Gieseler em 11 de outubro de 2011 às 15:50

Categoria: Debate sobre a legitimidade do Exame de Ordem

17 Comentários para “Estudantes de medicina discutem com deputado PL de exame de ordem”

  1. LEANDRO ROQUE DE OLIVEIRA NETO disse:

    Não bastasse a OAB e o CFC, agora também, o CREMESP está descobrindo a máquina de fazer dinheiro. Prova de Suficiência anual, é sinal de justiça e coerência, porém, no final do curso, é covardia e digna de aproveitadores.

  2. COM CERTEZA TIVERAM ALGUMA AUDIÊNCIA COM A CÚPULA DA OAB, E OS PROFESSORES FORAM O OPHIR E O MARCUS COELHO…

  3. Antonio Martins disse:

    Na minha opinião vai acabar todos exame de suficiência, pois avaliar a qualidade do ensino é competência do Estado e não de Entidades de Classe. (OAB e CFC).
    .
    Exame não pode ser feito por entidade de classe se não voltaremos ao Elitismo e as corporações de ofício dá idade medieval.

  4. Silvio Viana disse:

    Um exame por período letivo é inviável financeiramente, a não quer financiado pela Viúva.

  5. edson teles disse:

    Prezados Médicos e acadêmicos de medicina,

    Vocês tem um belo instrumento de preparação para a vida profissional que é a residência. Não se permitam que um grupo (CRM, CFM) saquem de vossos bolsos fortunas inestimadas.
    Exame de proficiência é uma falácia enganadora de profissões subalternas.

    Se a OAB quisesse realmente preparar os profissionais advogados, faria uma residência jurídica nas próprias seccionais e atenderia a toda população de baixa renda, mas isso não traria recursos financeiros para alimentar seu sistema.

    NÃO SE PERMITAM A ESTA POUCA VERGONHA!!!

    Edson Teles

  6. Aurea Serrano Rodriguez ( Niterói -RJ ) disse:

    Caro professor e colegas,
    Sou médica ( atuante ) formada pela UFF, em Niterói, e agora estou no 9 período de Direito da Estácio de Sá- também Niterói.
    Em relação às provas para médicos , acredito que se estabelecerá novo massacre anual, agora de médicos.As escolas de medicina pelo país afora ( assim com as de Direito ) são péssimas, salvo as públicas que ainda são decentes, apesar de todos os esforços do governo em destruí-las, elas ainda conseguem dar o básico a um aluno. As particulas são, em sua maioria, ruins. Tenho contato com alunos de medicina originários de ambos os tipos de instituições, e existe um abismo entre esses estudantes. E na medicina, diferentemente do direito, em que o aluno pode suprir muitas deficiências da faculdade, isso é impossível, pois é essencial,além de muito estudo, um bom hospital escola para que formação do futuro médico seja adequada.
    Enfim, o problema está na base , que é deixar essa proliferação de faculdades que só querem receber dinheiro, sem se preocupar com a qualidade do ensino proporcionado.
    Sou a favor da prova da ordem sim, assim como também da prova para médicos, mas JAMAIS como única forma de controle do ensino e sim inserido numa política de excelência de escolas, com controle rígido do surgimento de novas faculdades……..é uma vergonha existirem país afora faculdades com professores sem formação, cargas horárias e grades não cumpridas pelas ditas universidades, enfim um desmando total, e o ÙNICO MEIO IDEALIZADO PELO GOVERNO/LEGISLATIVO é a elaboração de provas ao final dos cursos…….
    Não me parece medida adequada e razoável para a melhora do ensino superior no Brasil. só nos resta aguardar.

  7. Enquanto pessoas se preocupam com questões irrelevantes, como o bolso de entidades de classe, a formação de profissionais de nivel superior fica mais deficitária e sem controle, a população que necessita dos serviços prestados pelos profissionais é que sofre as consequencias. Fica um bem maior pesando menos na balança.
    Acredito que um exame de ordem a TODOS os cursos de nivel superior é coerente SIM, e esta iniciativa deveria partir do próprio MEC.

  8. Não tiro sua razão colega, eu apesar de ter me esforçado muito,
    nos meus 5 (cinco) anos de faculdade, tive que fazer cursinho para
    ser aprovado no exame da OAB, e na segunda tentativa, somente para
    ter uma safisfação pessoal mesmo, nem penso em ser advogado, quero
    me dedicar agora para concurso. prova da OAB para mim foi ratificar, algo
    que a faculdade já havia dito. “candidato habilitado.”

  9. DGuimarães disse:

    Na minha opinião, deveria ter EXAME DE ORDEM para os politicos também, afinal, são eleitos fazendo promessas que jamais são cumpridas, fazem o que querem com o dinheiro do povo e ainda ficam inventando leis sem pé nem cabeça p/ os acadêmicos e bacharéis em direito decorarem e se ferrarem na hora da prova. Acho que deveriam se preocupar mais em fiscalizar os profissionais que já trabalham (e que são incorretos) do que inviabilizar a entrada de novos profissionais que querem e PRECISAM muito trabalhar para se sustentar. Conheço muitas pessoas que estão desmotivadas por conta do exame, e eu sou uma delas. Fazer a prova, passar na primeira fase e ter a prova de segunda fase praticamente sem correção é uma vergonha. Mesmo assim, acho que deve existir uma fiscalização dos profissionais, mas não da forma como vem ocorrendo. O que mais me revolta é estudar, ir fazer a prova, assinalar com certeza a questão que eu li e sei que é aquela e o GABARITO FGV apontar como correta questão diversa da correta e depois a questão não ser anulada. Realmente, vivemos num país onde manda quem pode e obedece quem precisa!

  10. Marra Junior disse:

    É mais um motivo para que o STF defina logo tais exames inconstitucionais, para que o MEC tome logo partido da atual situações e as providências imediatas para que as faculdades se enquadre em melhor capacitação de seus Formandos, evitando que os conselhos multipliquem essa máquina de dinheiro com esses ilegais exames de capacitação.
    Se o STF, não decidir essa inconstitucionalidade, a coisa vai sim virar uma bagunça e todo conselho vai querer criar o seu exame para faturar a vontade…

  11. Muito mais do que testar a competência, é a “arrecadação”. Porque não aproveitar o exame da primeira fase? Tem que zerar tudo e começar novamente. Para alguém recém formado, pai tem que bancar. Para alguém que não consegue passar, desempregado está… pai tem que bancar!

  12. Carlos Henrique de Carvalho e Silva disse:

    Sou cirurgião dentista, formado na turma de 1993 da USP, agora advogado.
    Trabalhei normalmente por cerca de 14 anos na odonto, atuando em áreas de maior exigência profissional como ortodontia e endodontia e nunca tive qualquer dificuldade em exercer trabalho de alto nível, à revelia de nunca, também, ter sido alvo de qualquer exame como o da OAB.
    Na segunda profissão,a de ora, vejo que há imensa confusão acerca do que se reclama da parte dos bacharéis. Ou seja, não há essa coisa de pleitear o fim do exame de ordem porque ele seja difícil, que as matérias sejam complexas, enfim, nada sobre o grau de dificuldade dessas provas, mas, sim, da forma com que foi proposta em exames anteriores e, parece-me, corrigido no último exame (IV unificado).
    O que se reclama é da atitude da OAB em exercer uma espécie de controle que não é da sua alçada, tomando por base a existência de entidades que formam mal os seus discentes.
    Se os exames fossem o tempo todo coerentes, sem a preocupação de estabelecer taxas de aprovação final em torno dos 15%, certamente ele seria muito bem recepcionado pela classe e, claro, não haveria toda essa briga com fito de extingui-lo.
    Acontece que ficou patente a má-intenção da OAB em exercer esse controle numérico totalmente descabido, fora (repito) de sua competência no processo, que seria exclusivo do MEC.
    Quando a classe médica propõe avaliações dos graduandos de forma anual mostra saber que nos moldes da OAB a coisa é, sim, absolutamente injusta.
    Aqui, no portal exame de ordem, há uma prova inconteste dessa injustiça, quando ao revisarmos declarações sobre exames anteriores encontramos uma do Prof. Renato Saraiva versando sobre sua dificuldade em concluir a prova de direito do trabalho no tempo proposto pela OAB.
    Ora! A OAB, se quiser, faz a coisa direitinho! Tanto é, que o último exame foi bem elaborado e não deu margens a quaisquer reclamações em massa como os anteriores.
    Vi essa mudança como um enorme temor de quem gerencia esse processo de ver derrubado pelo STF o famigerado exame que, convenhamos, chegou às raias daquela Corte em razão das milhares de reclamações que até aqui foram sendo colecionadas.
    Falta ao homem o senso de responsabilidade em assumir suas falhas.
    Nesse aspecto, o Sr. Ophir deixou a desejar e isso tornou-se mais do que óbvio.

  13. williams salo disse:

    sonho antigo esse de estabelecer um exame de ordem para os estudantes de medicina, os arautos favoráveis ao ex ame da oab apelam usam do dinheiro arrecadado via estudantes de direito para solicitarem aos instrumentos ideológicos para formarem opiniões favoráveis ao exame “até novela que estimula o bem aventurado senso comum” bem distante do senso crítico. Os estudantes de medicina podem ficar despreocupado quanto a essa questãp, pois nãp há esse posicionamento por parte das universidades em aceitarem tal exame, transferindo a responsabilidade aos conselhos que de bom senso devem fiscalizar a atuação dos profissionais e não arbitrariamente impor restrições ao ingresso dos formandos, como no caso da oab. A lógica do exame é destituída de qualquer argumento de plausibilidade, não cabe o posicionamento de alguns, de que se o mec não faz a oab faz semelhante a um exercício arbitrário das próprias razões, se a o poder judiciário não faz o que lhe compete, então que os justiceiros o façam ao arrepio da lei. Seria trágico se assim o fosse. A oab apela a todos os meios, pois deixar de arrecadar 70 milhões sem tributação e nem informar com que gasta é bom demais.

    • “Arrecadação”! Continuo perguntando: Por que quem passou na primeira fase e rodou na segunda, tem que fazer tudo novamente?!?

  14. ANTÔNIO CARLOS disse:

    Se é para existir um Exame de Ordem,
    que existam exames similares EM TODOS OS CURSOS SUPERIORES.

    SEM EXCEÇÕES!

    Isto sim é o CORRETO!!!
    E mais que isso,
    o correto não é acabar com os exames,

    mas sim IMPLEMENTÁ-LOS EM TODOS OS CURSOS!!!