Selo OAB: apresentação de Ophir durante entrevista

Curitiba, 23/11/2011 – Eis a apresentação feita hoje (23), em entrevista concedida pelo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, na XXI Conferência Nacional dos Advogados, ao anunciar os 90 cursos avaliados pela entidade como os de melhor qualidade do País, aos quais foi outorgado o Selo OAB Recomenda:


Ensino de qualidade e responsabilidade social

 

“vende-se o sonho e entrega-se o pesadelo”

(STF, RE 603583)

Criado em 2001, o programa OAB Recomenda, que confere selo de qualidade às Instituições de Ensino Jurídico, chega à sua 4ª edição como uma experiência inovadora e absolutamente necessária, dentre as ações da nossa entidade, com vistas ao aprimoramento do ensino jurídico do país. Njduyea (SIC) sua formulação, foram avaliados e cruzados os resultados disponíveis do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e dos últimos Exames de Ordem Unificados, até se chegar a uma lista que não se presta a servir de ranking, mas sim buscar uma melhor compreensão da realidade e responder às demandas de uma sociedade que aspira direito de acesso ao Brasil futuro.

Seja por sua longeva tradição, como também pelo vasto leque de oportunidades no mercado de trabalho, as carreiras do Direito continuam a atrair um número cada vez maior de estudantes; como conseqüência, mais do que quintuplicou a oferta de cursos nos últimos dez anos, embora essa lógica, infelizmente, não corresponda à qualidade dos mesmos.

É nesse contexto que entra a responsabilidade da Ordem dos Advogados do Brasil, respaldada no preceito legal de “defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de Direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”.

O ensino jurídico, por esse prisma, deve ser conduzido como o caminho essencial ao progresso da sociedade, da cidadania e do acesso à Justiça. Sem qualidade, compromete a formação dos futuros operadores do Direito e contribui para o desmerecimento das profissões jurídicas como um todo. Nunca esteve tão viva como hoje a máxima segundo a qual o advogado bem preparado é sinônimo de uma justiça melhor.

Desde a década de 1990, quando a OAB deu os primeiros passos com vistas a adequar o ensino jurídico às novas necessidades da sociedade que emergia à sombra da Constituição de 1988, a eficácia das diretrizes curriculares do  Conselho Federal de Educação vem sendo constantemente reavaliada. Sobretudo diante da facilidade que o modelo vigente oferece para aumentar, em escala espantosa, o número de escolas país afora, sem uma contrapartida fiscalizadora.

Inúmeras vezes a OAB foi voz isolada, denunciando a inobservância, por algumas dessas instituições, das exigências básicas relativas às condições materiais, falta de bibliotecas, de qualificação do corpo docente etc. Em outras ocasiões, refreou-se o furor de autorizações, mas como essa prática nunca cessou completamente, o número atual de cursos jurídicos, ultrapassando a casa do milhar, causa perplexidade e repulsa. Seria motivo de comemoração se, ao lado desse crescimento, verificássemos também investimentos ponderáveis na qualidade. Não é o caso. O fato é que muitas dessas instituições insistem na prática de estelionato educacional e não se esforçam por mudar a situação. Mesmo os bacharéis que conseguem ultrapassar a barreira do Exame de Ordem sofrem dificuldades, decorrentes de uma formação universitária sofrível. Há exceções, claro, mas esse quadro preocupa, em razão de seu alcance.

Para acompanhar as novas demandas sociais, o ensino jurídico precisa inovar, e essa inovação começa reconhecendo as suas deficiências estruturais. Ao mesmo tempo, deve-se proporcionar ao acadêmico, futuro integrante da comunidade jurídica, não apenas conhecimento técnico das leis, mas uma compreensão mais profunda de uma sociedade de valores múltiplos, contrastante, multirracial, de incontáveis credos, mas unida pelo sentimento de solidariedade e de Justiça.

A advocacia, para seu exercício pleno, exige conhecimentos, estudo permanente, leitura diária de doutrina, bem como a obrigatoriedade do acompanhamento dos fatos sociais. Pois a advocacia, além de ser o exercício de aprendizado constante, possui uma missão da qual jamais podemos nos afastar, atrelada à paz social. Não é apenas uma profissão, é também um serviço público relevante.

Portanto, cabe a todos fundamental participação para que o futuro profissional do Direito tenha o seu lugar destacado na administração democrática da Justiça.

Ophir Cavalcante Junior

Presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Fonte: OAB

Por Maurício Gieseler em 23 de novembro de 2011 às 17:56

Categoria: Análise crítica do Exame, Ensino jurídico

12 Comentários para “Selo OAB: apresentação de Ophir durante entrevista”

  1. Orlando Lauro disse:

    Sobre o selo da OAB:

    I. a faculdade pela qual obtive minha graduação em direito não consta da lista da OAB;

    II). assim como inúmeros outros colegas de faculdade, fui aprovado no primeiro exame que prestei, imediatamente após a conclusão do curso;

    III. hoje retirei do meu local de trabalho a muldura contendo o meu diploma de bacharel em direito e obviamente a partir de agora irei omitir a faculdade pela qual me formei(quase todos os potenciais clientes me perguntam). Por certo vou perder clientes por causa disso.

    O selo está nivelando todos por baixo. Se eu (e inúmeros outros) fui aprovado no exame não sou tão ruim como a OAB escancaradamente,com o tal selo, diz que sou.

    Em mim aflora um enorme sentimento de raiva, pois sinto-me por demais prejudicado com a divulgação desse selo e relação das faculdades tidas como “aprovadas”. Se dizem que aquelas da relação são as boas,contrario sensu é cristalino que estão dizendo que todas as outras foram reproprovadas, que todas as outras não prestam.
    Pretendo mover ação por danos materiais (perda da chance de ganhar, pois ninguém hoje é dia é bobo, todo potencial cliente vai querer saber o nome da minha faculdade) e danos morais.
    Não estou convencido, neste caso, daquela velha e esfarrapada desculpa de que não estou sendo prejudicado porque só foram publicados nomes das boas (essa ideia só é verdadeira no caso do SPC,até porque nem todas as pessoas compram a prazo) . Oras, bolas, contrario sensu todas as outras, para a OAB, não prestam, ela (OAB) está, embora de forma velada e indireta, dizendo isso ao publicar alista.
    Penso em incluir no polo passivo da ação: a FACULDADE (por prestar serviços ruim e fazer propaganda enganosa – até hoje tenho panfletos da propaganda dizendo ser excelência no ensino jurídico); a OAB (por nunca ter dado parecer opinando pelo fechamento da faculdade,elaque prove o contrário para ser excluída); e a União (se a faculdade é ruim o MEC não deveria ter permitido que funcione já há mais de 25anos).
    O que vocês, inclusive, se possível, o Dr.Maurício, acham?

  2. Ophir: O maior enganador, demagogo que tive o prazer de conhecer

  3. Tem razão professor o MEC deveria fechar estas faculdades .. a minha aprovou muito pouco no utimo exame nessa 1 fase aprovou mts mas esta prova nem serve de base.. tds meus colegas passaram..

  4. “Estudo permanente” certíssimo Dr Ophir!!!

    Inclusise, seria ótimo se os advogados fossem avaliados quanto a este estudo permanente…afinal, é um serviço público relevante.

    Manter advogados como o do traficante “Nem” ou advogados como aqueles que foram presos pela Polícia Federal em relação às fraudes no INSS, que agora já estão soltos através de HC e continuam com os seus escritórios de luxo e desfilando em carrões com maletas de couro…e pior…com a carteira da digníssima OAB ( aquele que possui inscritos que têm a profissão atrelada à PAZ SOCIAL)

  5. A venda do selo de qualidade traz mais indagações do que esclarecimentos. 1º ranquear para quê se os indices de aprovação das ranqueada não apresentam nenhum indicativo de excepcionalidade? Ainda que tais instituições aprovasssem mais que 90%, mesmo asssim estariam tão somente cumprindo seu papel. 2º, um curso de graduação universitaria não pode ser direcionado apenas para o aluno passsar num concurso, exame, avaliação ou seja lá o que se denomine. É uma visão de mundo numa determinada área do saber humana visto na interdisciplinaridade. Ao invés do selo, porque não tratar o ensino juridico numa visada de qualidade. Numa comparação grotesca imagine se o PROCOM referendasse marcas e empresas aos consumidores. Por fim, conhecendo o Brasil, melhor os dois brasis, o legal e o real como diz Jacques Lambert dá para desconfiar. Você já conhece detidamente essa história que vai do benefício trazido pelas milícias ao funcionário super bem intencionado que ao final lhe pede uma ” cerveja”. Aliás, bobo é que não há nessa história. Continuamos como dantes no quartel de abrantes. Muda tudo para não mudar nada. É grotesco o eu recomendo!!!!

  6. Bacharel de Direitu disse:

    Quanta hipocrisia!!!!

  7. Particularmente não acredito mais em nada que a OAB diga sobre justiça, tendo em vista sua forma ditatorial em relação ao exame de ordem, principalmente este último, não pela quantidade de erros encontrados no exame, mas sim pela falta de respostas sobre os recursos elaborados, pois, a pergunta que não se cala é sempre a mesma “se o recurso fora bem fundamentado demonstrando que a questão em si vai em desfavor ao regimento lega, qual a base que a Ordem teve para não anula-la?” , a forma como a mesma se manifestou completamente arbitraria demonstra sua falta de interesse no processo seletivo, mas apenas seu interesse em recolher os fundos advindos dos bacharéis ou formandos, e mais uma vez ela vem rotular os cursos que são ao ver dela de melhor competência, é uma ironia a instituição que defende e diz ser o portal para a justiça ser a primeira a exercer o regime autoritário.

    É meus amigos, infelizmente é assim que a banda toca.

  8. Bom dia,
    Não vamos nos apegar ao tal “selo OAB”. Basta fazermos nossa parte, uma vez que o conhecimento está disponível para todos, através dos livros e manuais dos mais respeitados doutrinadores do país.
    Dessa forma, o curso jurídico depende muito mais de boa vontade do aluno, do que da instituição onde ele está sendo formado. Não adianta passar 4 anos somente pensando em “tirar” nota e no último “bater” o desespero.
    Podemos fazer o melhor curso jurídico para nós mesmos, estudando com os melhores professores, através de seus livros.
    Faço uma analogia da faculdade, com o próprio exame, que como este, aquela só é um pressuposto para que possamos ingressar no mundo jurídico, não avaliando por completo o bacharel. Ou seja, como todos criticam o certame, dizendo que não é parâmetro legítimo, de tal maneira é a faculdade que fazemos.
    Basta lembrarmos que renomados profissionais do Direito como Francisco Cembranelli e Roberto Podval, não tiveram suas formações em nenhuma entidade “by OAB Recomenda”. Vamos refletir e cada um fazer a sua parte.
    Abraço a todos.

  9. Do jeito que funcionam as coisas aqui no Brasil, especialmente em se falando da OAB, não demora esses Selos vão já começar a serem comercializados. Falando mais precisamente, vendidos.É óbvio..

  10. Ainda bem que eu faço no mackenzie kkkkkk.

  11. E o tal de pedigree?

  12. Grande porcaria…
    A faculdade que fiz não consta na lista, mas na minha turma, que foi há 11 anos atrás, tem muitos delegados, juizes, promotores, entre outros concursados públicos, fora os advogados.

    Que selo é este? Estamos regredindo? Violando princípios constitucionais fundametais… Bem não só né, mas também usurpando competência do MEC, esta OAB está com a bola totalmente INFLADA.