Selo OAB: Ophir entregará certificados a 89 cursos de Direito dia 19

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, entregará no dia 19 de abril, às 10h, em cerimônia a ser realizada no Plenário da OAB Nacional, em Brasília, os certificados da última edição do Selo OAB de 2011. O Selo traz a indicação dos cursos de Direito avaliados pelo Conselho Federal da OAB como os de melhor qualidade do País, Estado por Estado.

Dos atuais 1.210 cursos existentes no Brasil, apenas 89 cursos de instituições de ensino brasileiras – o equivalente a 7,3% do total – acabaram sendo recomendados e vão receber a outorga do Selo OAB como cursos de destacada qualidade, dentro de critérios objetivos aplicados pela Comissão Especial da entidade para sua elaboração. A lista dos cursos que receberão o Selo foi divulgada pela OAB durante a sua XXI Conferência Nacional, em novembro de 2011 na cidade de Curitiba.

Do total de cursos de Direito do país, 790 foram avaliados depois de preencherem os pré-requisitos de terem participado dos três últimos Exame de Ordem unificados (2010.2, 2010.3 e 2011.1), sendo que cada um precisou ter, no mínimo, 20 alunos participando de cada Exame.  Em seguida, para apurar os 90 cursos de qualidade recomendada, a Comissão Especial – integrada por advogados que são professores e especialistas em educação jurídica – utilizou como instrumentos de avaliação uma ponderação dos índices obtidos por eles em aprovação nos  Exames de Ordem e no conceito obtido no último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), realizado em 2009.

O Selo OAB de 2011 é a quarta edição elaborada pela entidade, desde a sua criação em 2001, na gestão do então presidente nacional da entidade, Reginaldo Oscar de Castro. A segunda edição ocorreu em 2003; e a terceira, em 2007. Na nova edição, os 89 cursos destacados pela OAB como de qualidade recomendável, utilizando-se de uma escala de pontos de 0 (zero) a 10, a Comissão Especial – com base nos critérios definidos e relacionados acima -   concluiu que a nota mínima para ingressar nesse elenco foi de 6,9 pontos.

Entre as 27 unidades da Federação que tiveram seus cursos de Direito avaliados, dois Estados não tiveram nenhum  curso recomendado: Acre e Mato Grosso. Isso porque os cursos desses dois Estados não atingiram a nota mínima dentro dos critérios de avaliação da OAB  ou estão submetidos a processos de supervisão do Ministério da Educação (MEC), ou, ainda, tiveram parecer desfavorável da Comissão Nacional de Educação Jurídica da OAB Nacional durante a análise dos processos de reconhecimento ou de renovação.

Confiram os cursos que receberão o certificado do Selo OAB:

Fonte: OAB

Por Maurício Gieseler em 12 abril 2012 às 08:40

Categoria: Advocacia

Justiça Federal limita a R$ 500,00 o valor da anuidade cobrada pela OAB/ES

A Justiça Federal do Espírito Santo considerou procedente o pedido formulado pelo Sindicato dos Advogados do Espírito Santo formulado em um Mandado de Segurança Coletivo e determinou a redução da anuidade cobrada dos advogados daquele estado de R$ 697,50 para R$ 500,00, conforme determina a nova lei 12.514/2011.

A lei foi publicada no dia 31/10 no Diário Oficial, e limitou o valor das anuidades cobradas dos advogados pela OAB. De acordo com o Art. 3º, II, parágrafo único da Lei em comento, quando a lei que trata da categoria “não especificar valores, mas delegar a fixação para o próprio conselho”, os valores cobrados devem obedecer aos limites fixados na nova lei. No caso da OAB, o limite seria de R$ 500, já que o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94) delega a fixação do valor das anuidades para a própria OAB.

E foi exatamente isso que o juiz  juiz federal Gustavo Moulin Ribeiro, da 5ª Vara Federal Cível de Vitória, entendeu.

Vejam o texto da Lei:

Lei nº 12.514/2011.

(…)

Art. 3º –  As disposições aplicáveis para valores devidos a conselhos profissionais, quando não existir disposição a respeito em lei específica, são as constantes desta Lei.

Parágrafo único. Aplica-se esta Lei também aos conselhos profissionais quando lei específica:

I – estabelecer a cobrança de valores expressos em moeda ou unidade de referência não mais existente;

II – não especificar valores, mas delegar a fixação para o próprio conselho.

(…)

Art. 6º – As anuidades cobradas pelo conselho serão no valor de:

I – para profissionais de nível superior: até R$ 500,00 (quinhentos reais);

—————

Agora vamos dar uma olhadinha na lei 8.906/94:

Art. 58. Compete privativamente ao Conselho Seccional: 

(…)

V – fixar a tabela de honorários, válida para todo o território estadual; 

—————

Na época eu escrevi que tal lei iria dar muitas dores de cabeça para a OAB - Ai, ai, ai, ai, ai….será que o valor de inscrição do Exame de Ordem vai aumentar? – e esse vaticínio agora está se confirmando.

Essa sentença com certeza absoluta inspirará MUITOS advogados Brasil afora. Uma chuva de ações seguramente açoitará as seccionais.

É uma bela sarna para a Ordem se coçar.

Pior!! Estamos em ano eleitoral e os candidatos que atacarem a incidência desta lei vão perder muitos eleitores. Pior ainda para quem atualmente é situação, pois, institucionalmente, terá de defender a caixinha de sua seccional.

Vai ser divertido ver isso!

Minha preocupação reside em um ponto específico: Se a OAB começar a perder receita por conta das vindouras ações, o valor da inscrição do Exame de Ordem vai subir?

Eu aposto que sim. Aliás, não tenho a menor dúvida disso.

A sentença é excelente para os advogados, mas ruim para os examinandos.

Confiram:

Por Maurício Gieseler em 10 abril 2012 às 11:46

Categoria: Advocacia, Jurisprudência em Exame de Ordem, Legislação

Não está fácil para ninguém…

Nas últimas semanas publiquei alguns posts sobre a atual conjuntura do mercado para os jovens advogados:

Projeto de Lei regulamenta profissão de pedreiro, com piso salarial igual ao dos advogados: R$ 1,5 mil

Os limites do piso salarial do advogado: a distância entre o justo e o possível

Projeto permite estágio após formatura até obtenção de registro na OAB

Mas quem disse que a coisa está feia só para eles?

Pois é, pois é… não está fácil para ninguém!

Por Maurício Gieseler em 09 abril 2012 às 14:10

Categoria: Advocacia, Humor

Governo vai afrouxar regras para aprovar médicos formados em países do exterior

O governo vai afrouxar as regras para que médicos formados no exterior trabalhem no Brasil. A ideia é flexibilizar a exigência ou até dispensar estrangeiros e brasileiros graduados em faculdades como as da Bolívia, por exemplo, de fazer o exame para revalidação do diploma (Revalida), tido hoje como a principal barreira para a entrada de profissionais de baixa qualidade no mercado brasileiro.

A estratégia começou a ganhar contornos no último mês, após a presidente Dilma Rousseff encomendar um plano para ampliar rapidamente a oferta de profissionais de saúde. O plano é trabalhar em duas frentes: ampliar os cursos de Medicina e, enquanto a nova leva de profissionais não se forma, incentivar o ingresso de profissionais que cursaram faculdades estrangeiras.

A estimativa oficial é de que haja 291,3 mil médicos no Brasil ou 1,6 para cada mil habitantes. Nos Estados Unidos, a relação é de 2,5 por mil e no Uruguai, 3,3 por mil. O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene defende a adoção de uma estratégia que tenha foco na qualidade do profissional. “O País precisa de mais médicos, mas não a qualquer custo.” Isso vale tanto para a criação de novos cursos quanto para a admissão de formados no exterior. “É preciso que novas vagas para Medicina sejam criadas em locais com estrutura, com hospitais de apoio e professores de qualidade“, avalia.

Por ordem da Casa Civil, um levantamento das alternativas para facilitar o visto de trabalho de médicos formados no exterior está em curso. Os Ministérios da Saúde e da Educação trabalham para criar opções para o exame de validação do diploma. Uma das ideias é a criação de uma espécie de estágio para graduados em uma lista de faculdades, ainda em elaboração.

Remunerado pelo governo, o curso teria duração de até dois anos. Nesse período, o profissional trabalharia na rede pública, principalmente no Programa de Saúde da Família (PSF). Parte da equipe defende que, ao fim da preparação, o profissional tenha o direito de seguir trabalhando no País, sem fazer a prova para validar o diploma.

Resistência

A proposta enfrenta resistência no Conselho Federal de Medicina e até no governo. Mas há setores que defendem flexibilização maior: a validação automática do diploma do exterior para médicos formados num determinado grupo de faculdades. Além de aspectos técnicos, a equipe avalia detalhes jurídicos para pôr em prática as medidas.

O governo, que sabe ser preciso propor alterações na lei, nega-se a falar sobre o assunto, mas técnicos trabalham a toque de caixa para atender ao pedido de Dilma. Quinta-feira, em Nova Deli, ela voltou a apontar a carência de profissionais e adiantou que o País terá de fazer esforço para ampliar o atendimento.

A carência de profissionais é acentuada em regiões como a Norte. A disparidade é enorme entre o SUS e a rede privada, que concentra pessoal. O problema atinge principalmente as especialidades médicas. Atualmente, 24% das vagas de residência médica não são ocupadas. Na medicina de família e intensiva, a ociosidade alcança 70%.

O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila, contesta as estatísticas oficiais. “Estudos mostram que no País não há falta de profissionais, mas uma distribuição desigual.” Para ele, o problema não se revolve com a abertura de escolas ou regras mais flexíveis. “Imagine as consequências de deixar uma pessoa sem boa formação. Vamos ofertar um profissional mal preparado só porque a população vive em áreas afastadas? Por que depende do SUS?

Fonte: Estadão

Observações pontuais:

1 – Essa ideia só pode ser resultado de um governo que não tem planejamento e não consegue estruturar nada visando um longo prazo. De repente, assim, do nada, precisamos de médicos a qualquer preço, inclusive fazendo vista grossa em relação à qualidade destes profissionais.

Isso se chama irresponsabilidade! A ausência de uma política de expansão qualitativa no setor revela-se de forma escancarada, sem atenuantes.

Essa medida vai no sentido contrário da validação do Exame de Ordem pelo STF ou a criação do Exame de Suficiência para os contadores. Prova maior de um sistema sem lógica e movido por conveniências de plantão. A avaliação da qualidade do profissional não pode ser preterida sob este pretexto.

Pergunta-se o porquê de não se melhorar as condições de trabalho das áreas mais afastadas visando atrair os médicos. Isso não interessa?

2 – Os bacharéis em Direito devem estar se contorcendo de raiva. O Exame de Ordem tornou-se uma ferramenta ferrenha de controle, e outra classe profissional, assim, na canetada, de repente poderá exercer a profissão após um estágio de dois anos?

Quantas vezes não vi bacharéis propondo exatamente isso, um estágio, ao invés do Exame de Ordem?

Agora, com razão, vão reclamar da completa falta de isonomia entre as profissões. A lógica do Exame não é avaliar se um recém-formado está apto ao exercício da profissão? Um estágio resolve e uma prova não? Um prova não teria então todo esse valor?

Por que uma sistemática para uns e outra para outros?

3 – Validação automática para certos grupos de faculdades? E desde quando uma boa faculdade necessariamente forma um bom profissional? Nenhuma avaliação seria feita então? E a isonomia entre aqueles que juridicamente estão no mesmo plano? Essa ideia é pura e cristalinamente discriminatória.

4 – Essa medida tem o manifesto escopo de atender as classes mais pobres da sociedade, exatamente aquelas mais desassistidas pela classe médica, desinteressada em trabalhar nos cantos mais remotos do país. Para essa população, a qualidade do profissional fica em segundo plano.

Como diria o personagem Justo Veríssimo, do inigualável Chico Anysio:

É isso! Riam para não chorar…

Por Maurício Gieseler em 03 abril 2012 às 16:13

Categoria: Advocacia, Análise crítica do Exame

Projeto de Lei regulamenta profissão de pedreiro, com piso salarial igual ao dos advogados: R$ 1,5 mil

A Câmara analisa o Projeto de Lei 2774/11, do deputado Andre Moura (PSC-SE), que regulamenta a profissão de pedreiro e fixa o piso salarial de R$ 1,5 mil por mês ou R$ 8,52 por hora. O valor, segundo a proposta, deverá ser revisto anualmente de acordo com a variação do Índice Nacional dos Preços ao Consumidor (INPC).

O texto exige como qualificação mínima de pedreiro o ensino fundamental completo e curso básico específico para a profissão. Quem estiver na atividade como pedreiro há mais de dois anos, contados da vigência da lei, será dispensado dessas exigências.

Segundo o projeto, as atribuições de pedreiro são: ler os projetos arquitetônicos, estruturais, de fundações e instalações em geral; analisar e desenvolver medidas de traços para alvenaria de tijolo, concreto, pavimentação e revestimento e sua confecção; analisar e desenvolver medidas de área, volume, prumo, nível, esquadro e alinhamento; e conhecer o básico sobre o uso de equipamento de segurança.

Segundo o deputado Andre Moura, a proposta vai assegurar aos pedreiros seus direitos trabalhistas e o direito à aposentadoria. “É uma maneira de dar a eles todas as garantias a que qualquer trabalhador tem direito e de também garantir um salário digno.”

Repercussão

Em entrevista à Rádio Câmara, o pedreiro João Valdir Francisco de Lima, de Brasília, afirmou que é favorável ao projeto. Lima trabalha na construção civil há 32 anos e ganha R$ 1,3 mil mensais por uma jornada de nove horas. “É um trabalho de alta responsabilidade, e o salário se torna pouco diante da inflação que nós encontramos hoje.”

Já o presidente da Comissão de Políticas e Relações Trabalhistas do Sindicato da Construção Civil do Distrito Federal, Isídio dos Santos Júnior, criticou a definição do piso salarial em lei. O piso praticado no DF é de R$ 1.008, definido em acordos coletivos de trabalho. Santos Júnior informou, no entanto, que algumas empresas pagam além dos R$ 1,5 mil previstos no projeto.

Ele disse também que vários benefícios atuais poderiam ser perdidos diante da regulamentação. “Historicamente, os pedreiros vêm conquistando benefícios como alimentação, assistência médica e odontológica, e capacitação. Esses benefícios seriam rediscutidos com a eventual regulamentação, e as negociações voltariam à estaca zero.”

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta: PL-2774/2011

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Olhem a foto abaixo. Ela foi tirada ao lado do TJ de Teresina/PI há umas 3 semanas:

Seu autor assim escreveu: “Enquanto na obra faltam pedreiros, o fórum estava insuportavelmente apinhado de advogados.

Recentemente tratei do tema no post Os limites do piso salarial do advogado: a distância entre o justo e o possível em que comentei o piso salarial do advogado no Distrito Federal, legalmente definido em fevereiro último no valor de R$ 1.500,00.

Eis então a interferência estatal para delimitar o mínimo a ser pago entre essas duas profissões, servindo também de referência para explicitar a atual conjuntura em ambos os mercados.

Não é preciso fazer força para perceber a existência de problemas na advocacia.

Vamos dar uma olhadinha no piso salarial de outras profissões liberais:

Médico: R$ 9.813,00 

Engenheiro: R$ 3.732,00

Veterinário: R$ 3,732,00

Este será um ano eleitoral. Seria interessante descobrimos o que os candidatos de todas as seccionais têm a dizer sobre isso.

E aqui não falo na definição de um piso salarial, seja ele qual for, pois a criação deste representa apenas uma solução depois de arrebentada a porteira. A expansão irresponsável do número de faculdades de Direito está na raiz do problema e, apesar da Ordem criticar o MEC e o “estelionato educacional”, nunca adotou, ao menos de forma explícita, medidas efetivas para mitigar esse problema.

Essa inação vai cobrar um preço amargo em um futuro não muito distante.

Por Maurício Gieseler em 03 abril 2012 às 10:24

Categoria: Advocacia

Como cobrar os primeiros honorários advocatícios?

O professor Luis Chacon, coordenador da faculdade de Direito Unisal, em Lorena/SP, escreveu um texto bastante relevante sobre a cobrança dos primeiros honorários advocatícios. Interessante para quem está começando ou iniciará na advocacia. Confiram:

Como cobrar os primeiros honorários advocatícios: uma preocupação após o êxito no Exame da Ordem!

Boa leitura!

Por Maurício Gieseler em 03 abril 2012 às 09:53

Categoria: Advocacia

Como conseguir grandes causas na advocacia

Gravações revelam novos favores de Cachoeira a Demóstenes

Novos trechos de conversas gravadas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, que investigou um esquema de exploração ilegal de jogos com sede em Goiás e negócios em Brasília e outros estados da federação, dão mostras da intimidade entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de ser o chefe da quadrilha. Os diálogos, aos quais VEJA teve acesso, revelam novos favores do contraventor ao senador de oposição. Num deles, gravado em maio do ano passado, Cachoeira avisa ao senador: “Não esquece do avião, não, tá aí esperando, tá?”. Em outro telefonema, também do ano passado, ao ouvir de Demóstenes a queixa de que seu tablet iPad acabara de quebrar, Cachoeira é diligente na solução: diz que vai mandar alguém entregar um aparelho novo ao senador.

A conversa em que Cachoeira se refere ao avião é datada de 20 de maio de 2011, uma sexta-feira, e foi registrada nos relatórios da Polícia Federal sob o título “Carlinhos oferece aeronave para Demóstenes”:

Demóstenes – Fala, professor.

Cachoeira – Não esquece do avião não, tá aí esperando, tá?

Demóstenes – Já liguei pra ele, tô indo lá, dei uma enrolada aqui.

O diálogo em que Cachoeira diz que providenciará um tablet novo para o senador se deu duas semanas depois, em 4 de junho. Num dos relatórios da operação, a PF resumiu assim a conversa: “Demóstenes reclama que seu iPad deu pau, Carlinhos diz que vai mandar alguém entregar um novo”. No mesmo telefonema, Demóstenes diz a Cachoeira que está se dirigindo ao aeroporto “para buscar o Toffoli”. De acordo com fontes ligadas à investigação, trata-se do ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Em 11 de agosto de 2011, Cachoeira e Demóstenes conversam sobre o que seria, na avaliação do senador, “um tiro direto” no PT. Demóstenes fala em em abrir uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o partido do governo:

Cachoeira – Eu vi, eu vi as cenas lá, hein?

Demóstenes – É… Isso é bom, hein. Isso é bom que dá um tiro direto neles aí né, a gente faz a CPI do PT.

Cachoeira – Exatamente. Beleza.

Demóstenes – Falou mestre, um abraço.

Cachoeira – Outro, doutor. Tchau.

Em outra conversa, Cachoeira fala com a mulher de Demóstenes, Flávia, que comemora a obtenção de sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil e trata com o contraventor da possibilidade de o senador se transferir para o PMDB. Cachoeira se mostra favorável à mudança de partido – e também confiante de que um dia seu amigo Demóstenes possa se tornar ministro da Suprema Corte.

Flávia – Tô com a vermelha no bolso, 32.650, pode arrumar cliente aí pra mim (…) Tô com a vermelhaça no bolso (…)

Cachoeira – Ah, sua carteira, né? Parabéns, viu? Você vai usar ela muito e só em causa grande.

Flávia – Eu fui num jantar no Sarney com o Demóstenes, o Demóstenes hoje é um dos influentes que existem no quadro nacional todo, tem trânsito com todo mundo.

Cachoeira – É, sei disso. Ele já foi pro PMDB não?

Flávia – Não, mas o Renan [refere-se a Renan Calheiros, um dos caciques do PMDB] tá todo amor por ele que tá é assustando.

Cachoeira – Ele me falou, você acha que ele vai?

Flávia – Carlinhos, é uma decisão tão difícil, né? Acho que uma das decisões mais difíceis que ele tem que tomar é essa, viu? Muito complicado, eu acho muito complicado.

Cachoeira – É, mas ele não tem saída, não. Ele tem que ir para o PMDB. Vai fundir o PSDB com o DEM, aí ele tem que ir pro PMDB, até virar STF, né? Aí você não pode advogar e pronto.

Carlinhos Cachoeira, então, volta a parabenizar a mulher do senador por ter obtido a carteira da OAB e ela arremata, agradecendo: “Obrigado. Essa conquista aí é nossa. Depois vamos tomar um champagne”.

Há três semanas, VEJA revelou que Demóstenes recebeu de presente de casamento de Cachoeira uma geladeira e um fogão importados, de uma marca americana de luxo que usa como chamariz em suas propagandas o fato de estar presente nas casas de astros de Hollywood e também na cozinha da Casabranca. Os dois presentes valem mais de 30 mil reais. Durante a investigação, a Polícia Federal descobriu que Cachoeira e Demóstenes se falavam por meio de um rádio Nextel habilitado em Miami, nos Estados Unidos. Era uma estratégia do contraventor, segundo os investigadores, para dificultar grampos.

Na edição desta sexta-feira, o jornal O Globo mostrou que em outra investigação, feita em 2009, Demóstenes Torres aparece aceitando favores de Cachoeira em suas viagens de avião: o senador pedia que o contraventor pagasse uma despesa sua com táxi-aéreo, no valor de 3 mil reais.

Procurado por VEJA, Demóstenes não atendeu as ligações. Sua assessoria informou que ele não está dando entrevistas sobre a investigação. E repassou a tarefa ao advogado do senador, Antônio Carlos Almeida Castro, criminalista estrelado de Brasília, também conhecido como Kakay. O advogado diz que não falará pontualmente sobre os diálogos sem antes ter acesso à integra das conversas envolvendo Demóstenes. Ele afirma que há doze dias esteve pessoalmente com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para pedir acesso às escutas, mas até hoje não foi atendido. “Ou essas conversas são triviais e não têm indício de crime ou os encarregados da investigação teriam que ter passado isso imediatamente para o Supremo Tribunal Federal, por envolver um senador. Se isso não foi feito, a investigação é ilegal”, diz o advogado.

Fonte: Veja

Vejam também:

Demóstenes: Senadores cobram investigação

Por Maurício Gieseler em 24 março 2012 às 12:09

Categoria: Advocacia

Os desafios para se conquistar uma vaga de estágio ou trainee

Recentemente publiquei um post sobre o peso do nome da faculdade no curriculum, e a realidade no mercado da advocacia - O nome da faculdade de Direito pesa no curriculum?.

Agora segue uma matéria do G1 sobre a realidade do mercado de trabalho para as grandes empresas, e a constatação foi distinta da minha.

Em princípio tendo a acreditar que diferentes profissões têm diferentes perspectivas no mercado, até porque o meu raciocínio no post sobre o nome da faculdade é resultado de uma observação empírica de relativa consistência.

Mas a matéria mostra, ao meu ver, uma nova abordagem das empresas sobre a escolha dos futuros profissionais, e, mais do que isso, quais competências estão sendo mais valorizadas no momento. É uma visão nova e interessante.

Confiram:

Os desafios para se conquistar uma vaga de estágio ou trainee

Um dos passos preferidos para começar uma carreira é ser contratado como trainee ou estagiário de uma grande empresa — através de um concorrido processo seletivo.

Milhares de estudantes — até de fora do país — estão na disputa por vagas.

Todo mundo sabe que entrar numa boa faculdade não é nada fácil. Em São Paulo, os cursos mais concorridos têm mais de 100 candidatos por vaga. Agora, mais difícil do que entrar é sair da faculdade com emprego garantido em uma grande empresa.

Todos os anos, as gigantes saem atrás de jovens profissionais. Os processos seletivos mobilizam estudantes do Brasil todo e alguns são bem concorridos.

Um programa de estágio pode chegar a ter 1.000 mil candidatos por vaga, sete vezes mais do que nos cursos mais disputado do país e para trainees, a relação é de 2.500 mil inscrições para um. O salário inicial do trainee pode ser de até R$ 6 mil. O do estagiário varia de R$ 600 a R$ 2.200 mil.

Em geral, os processos seletivos para trainees e estagiários contam com quatro etapas: a primeira é a análise do currículo depois vem prova de conhecimentos gerais. Quem passou pela peneira, chega as dinâmicas de grupo e, por fim, as entrevistas individuais com um representante da empresa.

“Existe a empresa do sonho, aquela empresa que passe a imagem de ser uma empresa sólida, uma empresa descontraída, com múltiplos projetos, que gere sentido para esse candidato”, esclarece a vice-presidente do grupo Foco, Adriano Araújo.

São eles que fazem a primeira escolha e a busca por cabeças inovadoras é cada vez mais acirrada. É comum o jovem se inscrever em mais de um programa de seleção e as empresas fazem o que podem para seduzir os talentos.

A gente tem disputado esse jovem e as estratégias são as mais diversas, desde contato diretamente com esse jovem através das mídias sociais, então a gente tem buscado inovação a todo tempo para atrair esse jovem para organização”, explica a gerente-geral de captação de talentos da Votorantim, Patrícia Viotto.

São muitos estudantes em formação ou recém-formados, mas as companhias querem peças raras e já sabem que elas nem sempre estão nas faculdades conceituadas.

“Antigamente, não precisa ser muito tempo atrás, cinco anos, mais ou menos, a primeira solicitação que as empresas nos faziam é que queria estudantes de escolas de primeira linha, Hoje, não mais”, afirma a supervisora de processos seletivos especiais do Ciee, Noely David.

Quatro em cada dez jovens aprovados – nos mais concorridos programas de seleção – não levam a grife de nenhuma faculdade na ficha de inscrição. Habilidade de trabalhar em grupo, capacidade de planejar e de decidir sob pressão, a universidade não ensina.

Avaliar individualmente o comportamento de milhares de inscritos é inviável, caro demais, demorado demais, é por isso que na maioria dos casos, a primeira fase dos grandes processos é feita e enviada via internet para consultorias.

Isso ampliou demais o universo de busca, pessoas do Brasil todo e até de outras partes do mundo estão no páreo como Venezuela, Colômbia, Angola, Estados Unidos e até Europa.

Hora extra numa consultoria é cada vez mais comum para entrevistas com candidatos em outro fuso horário. “O Brasil tem sido a bola da vez, bons salários, boa oportunidade de crescimento e chance de crescer a longo prazo”, fala a consultora da Cia de Talentos, Renata Magliocca.

A tecnologia tem outra função ainda mais importante. “A geração pede, gosta do virtual, do relacionamento online, do que é rápido, do que gasta pouco tempo e pode aprender com o processo seletivo. Se não for assim, a gente não chega e não seleciona os melhores”, diz Renata.

Uma sala virtual, idêntica ao escritório da multinacional da área de higiene pessoal, é o cenário do situation room. O nome do jogo foi inspirado na sala de decisões da Casa Branca nos Estados Unidos. Depois da triagem, é o primeiro funil de um processo com 22 mil inscritos. Dez mil foram chamados para fazer o game e só 700 passaram.

Veja a reportagem completa no vídeo.

Por Maurício Gieseler em 14 março 2012 às 08:59

Categoria: Advocacia

Os limites do piso salarial do advogado: a distância entre o justo e o possível

No último dia 06 de fevereiro o Governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, sancionou o projeto de lei nº 686/11, que instituiu o piso salarial dos advogados empregados no setor privado.

A proposta estabeleceu um piso de R$ 1.500,00 mensais para uma jornada de 20 horas semanais, e de R$ 2.100,00 mensais para a jornada de 40 horas semanais ao advogado empregado privado. Prevê, ainda, o reajuste em cada primeiro de janeiro do ano subsequente, pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Na ocasião o presidente da OAB/DF, Dr. Francisco Caputo, explicou que o valor do piso não era satisfatório, mas possível dentro da realidade do mercado do Distrito Federal.

Na época imaginei que o sucesso de tal iniciativa encabeçada pela OAB/DF rapidamente repercutiria em outras seccionais, especialmente porque 2012 é ano eleitoral para a direção das seccionais em todo o Brasil.

A projeção verificou-se acertada, pois algumas seccionais já manifestaram o desejo de seguir o caminho trilhado pela OAB/DF:

OAB/PAAdvogado propõe piso salarial para advogados

“”Segundo o projeto elaborado pelo conselheiro, o piso salarial do advogado privado seria de R$ 1.244,00 para jornadas de até 20 horas semanais e R$ 1.866,00 para jornadas de 40 horas semanais. De acordo com a proposta, os valores seriam destinados aos profissionais inscritos na OAB com até três anos de profissão. A partir do quarto ano de inscrição na OAB, o piso seria acrescido – obrigatoriamente – em 5% a cada ano até o limite de 20 anos, independentemente das correções legais. “Hoje, existe uma tabela da Ordem que regulamenta os honorários advocatícios, mas não ainda não há lei que determine o piso”, lembra o advogado.“”

OAB/PEOAB-PE solicita piso salarial para advogados em Pernambuco

“”A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco (OAB-PE) e o Sindicato dos Advogados do Estado de Pernambuco (SINDAPE) encaminharam, através dos seus respectivos presidentes, Jayme Asfora e Edwaldo Gomes de Souza, nesta quarta-feira (12.08), ofício ao governador do Estado, Eduardo Campos, solicitando – através de um anteprojeto de lei – a instituição de um piso salarial mínimo de R$ 1.200 para os advogados empregados em Pernambuco.“”

Mas me chamou a atenção o Projeto de Lei entregue pela OAB/CE a presidente da Assembléia Legislativa daquele estado no último dia 09 de março. A OAB/CE quer um piso de R$ 2.150,00 para uma carga horária de 04 horas por dia, ou 20 horas semanais.

Vejam trechos da notícia no site da entidade:

Piso do advogado: Projeto de Lei é entregue a presidente da Assembleia Legislativa

A OAB-CE entregou, na manhã desta sexta-feira, ao presidente da Assembleia Legislativa (AL-CE), Roberto Cláudio, o Projeto de Lei que objetiva instituir o piso do advogado empregado em empresas e escritórios de advocacia no Estado. De acordo com o conteúdo do documento, o objetivo é valorizar o trabalho do advogado com a implementação de remuneração mínima em R$ 2.150,00 e carga horária de quatro horas por dia.

O próprio presidente da Ordem cearense, Valdetário Andrade Monteiro, fez, pessoalmente, a entrega do Projeto de Lei. (…)

Conforme Valdetário, o primeiro passo para resgatar a dignidade do trabalho do advogado foi dado. “No dia de hoje, vivemos a concretização de um trabalho conjunto apoiado pela Ordem cearense, de um longo estudo baseado na Lei 8.906, que visa restabelecer a valorização da advocacia”, assinalou.

Para o presidente do Poder Legislativo no Estado, o próximo passo será o debate da matéria pelos deputados. “Acabamos de receber o Projeto de Lei do piso do advogado. Vamos apresentá-lo, seguir todos os trâmites na casa, passar pelas comissões técnicas, para que o assunto seja devidamente discutido e, posteriormente, votado”, emendou Roberto Cláudio. (…)

Fonte: OAB/CE

O valor proposto, de R$ 2.150,00 e carga horária de quatro horas por dia, chamou a atenção. Ele é bem superior ao estabelecido no Distrito Federal ou o proposto pelos seccionais do Pará e de Pernambuco.

Não quero entrar aqui no mérito se o piso é justo ou não – essa é uma outra discussão. Interessa-me saber se a proposta é viável e como o mercado vai reagir a ela.

Vamos partir da seguinte premissa: se é necessário criar um piso salarial para a classe é porque existe uma distorção no mercado que precisa ser corrigida. O mercado, neste caso, é imperfeito, pois necessita de uma regulamentação por parte do Estado.

O grande problema, quando falamos de um determinado mercado, reside em seu princípio mais basilar – o da oferta e procura – e a compatibilização dos valores praticados pelos escritórios (muitas vezes irrisórios), com a elevada procura por emprego.

Não faz muito tempo que escrevi sobre a realidade salarial dos advogados, comparando-a com a dos predreiros - O pedreiro, o advogado, o Exame da OAB e o mercado de trabalho. O grande número de formandos e a saturação do mercado da advocacia, apesar do Exame de Ordem, criaram um achatamento radical dos salários pagos aos jovens advogados. Por ano o Brasil forma mais de 80 mil bacharéis em Direito, sem contar os atuais 650 mil estudantes e quase 690 mil advogados cadastrados na OAB.

Em outra oportunidade publiquei aqui um post sobre um anúncio nos classificados do Correio Braziliense, reproduzindo uma oferta de emprego para advogado assistente:

“ADVOGADO ASSISTENTE PARA AÇÕES de cobrança salário R$ 850 + vt + va”

No começo de 2010 publiquei outra postagem, ainda no antigo Blog, sobre um outro anúncio nos classificados online do Correio Braziliense, com um conteúdo chocante:

“Oferta de emprego
Oferta publicada em 12/07

Nível Superior

Produto/Serviço: MOTOBOYCOMOAB
Preço:

ESCRITÓRIO ADVOCACIA MOTOBOY COM OAB contratamos. Interessados enviar curriculo para XXXXXXXXXXXX@gmail.com”

Essa postagem inclusive foi usada por outras mídias, porquanto ela, por si só, causava um impacto de estranhamento nas pessoas: “”Motoboy com OAB”. Não é algo bonito de se ver; verdadeira depreciação da classe e da profissão.

Um amigo meu, Dr. Fabrício Mota, uma vez fez algumas considerações em um debate sobre a remuneração dos jovens advogados na antiga comunidade da OAB/DF no Orkut:

é a “lex mercatoria” que impera… O sistema remuneratório da iniciativa privada segue um princípio básico do capitalismo: o valor está na raridade. A regra é simples até… Muitos advogados no mercado = remunerações mais baixas.”

“muitos dos membros de qualquer administração (passada e presente) são donos de escritórios. Portanto, somente a pressão “popular” (no caso aqui, do eleitorado da OAB) é que pode mudar essa situação.”

“sempre que a remuneração é regulada por atos normativos, o mercado também se adapta a essa intervenção no domínio econômico: piso salarial, logo que implementado, fatalmente gera mais demissões, maior enxugamento de estrutura, condições de trabalho mais cruéis para os que “sobrevivem” no emprego”

Essas observações, feitas com propriedade, demonstram um embate entre o “sistema” (o mercado) e as necessidades dos jovens advogados. Criar um piso, por força de normatização, necessariamente gerará um impacto no orçamento dos escritórios, dos empregadores, e isso implicará, muito possivelmente, em demissões, geradas como reflexo de ajustes para se equilibrar a balança contábil.

Remuneração baixa é a regra em um mercado saturado.

Além disso, como profissionais liberais, os advogados competem entre si pelo jurisdicionado, acarretando nas implicações naturais de qualquer competição: concentração / exclusão de mercado.

O questionamento que faço é: qual é o limite para o piso salarial do advogado?

Propor um valor mais elevado, tal como fez a OAB/CE, vai gerar demissões naquela seccional?

Como precificar o valor mínimo merecido por um advogado?

A pergunta é pertinente. Confesso que achei o valor proposto pela OAB/CE elevado. Naturalmente aspectos da economia regional devem ser considerados e aqui confesso que ignoro a realidade econômica atual do Ceará, mas ao menos tomando a média do DF, PA e PE, o piso proposto no CE está um ponto fora da curva.

Claro! Quem dera se fosse possível estabelecer um piso de R$ 4 mil. Mas a discussão não orbita o justo, e sim o possível, o factível.

Um piso acima da realidade dos escritórios necessariamente gerará uma reação. O mercado é um jogo dinâmico de várias e infindáveis etapas. A aprovação do piso seria uma etapa, a reação dos escritórios a etapa seguinte. Caso aprovado neste patamar, os escritórios, caso o piso revele-se elevado, irão demitir, ou converter os advogados empregados em advogados associados numa tentativa de manter o achatamento e o equilíbrio do fluxo de caixa.

Em suma: vão promover uma reação.

Como será a reação ninguém pode antever com precisão, mas é possível projetá-la com algum grau de acerto. No centro da questão a realidade econômica dos advogados de cada seccional.

Provavelmente daqui até o meio do ano quase todas as seccionais irão apresentar projetos idênticos, uns mais pragmáticos, outros menos.

No ultimo sábado conversei com alguns conselheiros da atual gestão da OAB/DF e eles contaram como foi o processo de definição do piso. Foram feitas pesquisas e realizados vários debates para se chegar a um valor factível. Mesmo assim, muitas críticas de jovens advogados surgiram, pois o piso na ótica de muitos foi considerado irrisório. E aqui, mais uma vez, esbarramos na dicotomia entre o justo e o possível.

Essa é uma questão importante e todo jovem advogado (e futuro jovem advogado) precisa se inteirar, pois ela se apresentará logo após a aprovação no Exame de Ordem. Será a base do início da carreira de todos vocês.

Um piso muito elevado pode gerar demissões e mais desemprego na classe, um piso baixo não resolve integralmente a questão da remuneração aviltante.

O que vocês acham? Quais são suas expectativas salariais no início da carreira?

 

Por Maurício Gieseler em 13 março 2012 às 09:29

Categoria: Advocacia

Diminui diferença entre número de homens e mulheres no exercício da advocacia

Brasília, 08/03/2012 – O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, enviou hoje (08/03) mensagem de saudação às mulheres brasileiras, em especial às advogadas, pela passagem do Dia Internacional da Mulher, comemorado em todo o mundo. “Foi num 8 de março como hoje que um grupo de mulheres americanas se rebelaram para que tivessem seus direitos mínimos reconhecidos. Direitos como, por exemplo, o descanso maternidade. No Brasil, nós sabemos o quanto tem custado pôr em prática o Artigo 5º, inciso I, da nossa Constituição, que diz: todos são iguais perante a Lei”, afirmou Ophir.

Para o presidente, é dever de toda a sociedade “quebrar barreiras, desafiar convenções, extinguir preconceitos e combater discriminações, não dando espaço à ideia infame, retrógrada e até criminosa, de tratar as mulheres como cidadãs de segunda classe”.

Atualmente, de 696.864 advogados em atividade no Brasil, 384.152 são do gênero masculino, contra 312.712 do gênero feminino, uma diferença de apenas 71.440 a favor dos homens. Pelas projeções atuais, tendo em vista o crescente acesso das mulheres aos cursos de Direito, a tendência é uma virada nos números ainda nesta década.

Veja os números por Estado da Federação. Os gêneros estão marcados entre parênteses, indicando homens (H) e mulheres (M):

Acre – 1.335 (H), 809 (M)

Alagoas – 3.181 (H), 2.206 (M)

Amazonas – 2.415 (H), 2.017 (M)

Amapá – 680 (H), 492 (M)

Bahia – 12.738 (H), 10.795 (M)

Ceará – 7.103 (H), 4.900 (M)

Distrito Federal – 11.042 (H), 8.871 (M)

Espírito Santo – 5.674 (H), 4.322 (M)

Goiás – 11.178 (H), 8.156 (M)

Maranhão – 3.650 (H), 2.413 (M)

Minas Gerais – 40.601 (H), 29.379 (M)

Mato Grosso do Sul – 4.510 (H), 3.215 (M)

Mato Grosso – 4.262 (H), 3.296 (M)

Pará – 5.435 (H), 4.921 (M)

Paraíba – 3.766 (H), 2.472 (M)

Pernambuco – 9.347 (H), 7.219 (M)

Piauí – 3.136 (H), 2.098 (M)

Paraná – 22.914 (H), 16.991 (M)

Rio de Janeiro – 61.229 (H), 55.637 (M)

Rio Grande do Norte – 3.121 (H), 2.182 (M)

Rondônia – 1.856 (H), 1.591 (M)

Roraima – 372 (H), 226 (M)

Rio Grande do Sul – 25.278 (H), 20.948 (M)

Santa Catarina – 11.735 (H), 7.692 (M)

Sergipe – 2.018 (H), 1.535 (M)

São Paulo – 124.122 (H), 107.347 (M)

Tocantins – 1.454 (H), 982 (M)

Fonte: OAB

Aqui em Brasília eu jurava que existiam mais mulheres do que homens no universo jurídico. Nas faculdades, ao menos no “olhômetro”, a presença feminina é perceptivelmente maior.

Em breve, sem dúvida, as mulheres superarão os homens.

Por Maurício Gieseler em 08 março 2012 às 13:19

Categoria: Advocacia

O nome da faculdade de Direito pesa no curriculum?

“”Olá,

Eu estou entrando agora na faculdade de Direito e gostaria de saber se, na hora da avaliação do currículo por grandes escritórios de advocacia, o nome da faculdade ou universidade pesa muito. Ou se o que conta é mais o esforço do próprio aluno nos estudos.

Desde já, obrigado!“”

Essa pergunta, relevante por sinal, é muito fácil de responder: pesa, e pesa muito.

Conheço vários advogados aqui em Brasília que adotam uma mesma técnica prévia de seleção de currículos. Eles só leem os currículos de estudantes da UnB ou do UniCeub.

Esse procedimento exclui os estudantes de 21 outras faculdades de Direito do DF.

Não estou brincando: isso é sério!

O argumento é simples: os estudantes das demais faculdades, na média, são muito ruins. Ninguém fala sobre esse assunto ostensivamente, mas o raciocínio é esse e ele é posto em prática. Eles sabem, por experiência, quais instituições têm melhores alunos, ou, ao menos, alunos aptos a desempenhar satisfatoriamente as tarefas em um escritório.

E essa é uma realidade provavelmente compartilhada em todo o país.

Toda vez que sai o resultado final do Exame de Ordem por instituição de ensino as redes sociais entram em um intenso burburinho. Rapidamente as instituições que foram “bem” (qualquer percentual acima da maioria é algo bom, mesmo que seja só uns 20%) começam a propagandear a excelência do seu ensino. Quem foi mal providencia as desculpas (e são muitas desculpas).

Isso tem por base, em princípio, não a imagem em si da instituição, mas sim a prospecção do mercado. Obviamente, dentro de um mercado muito competitivo, quem obtém bons resultados tem como aumentar seu prestígio, e assim aumentar a demanda pelos seus cursos.

Lembro-me muito bem da polêmica criada recentemente pela divulgação, pela OAB, do “Selo OAB de Qualidade”:

OAB anuncia os 90 melhores cursos de Direito do País

Selo OAB: apresentação de Ophir durante entrevista

Uma crítica ao Selo OAB

Thomaz Bastos: Selo OAB mostra qual universidade não comete estelionato

Fiscalização de universidades do MEC obedece a interesses políticos, diz Ophir

Artigo: Selo OAB luta por uma educação que atenda o mercado

Quem não foi contemplado pelo Selo criticou os seus critérios. Afinal, ficar de fora dessa comenda gera repercussão no mercado. Quem foi contemplado não perdeu tempo em alardear, ostensivamente, a obtenção de tamanha glória, em especial as poucas instituições particulares agraciadas.

Tudo, obviamente, visto sob o prisma do mercado. Para as instituições, um reforço em sua existência enquanto negócio (é um negócio), para os alunos, um motivo de reconhecimento, orgulho e também de mercado.

É inevitável a associação entre o nome da instituição e o nome do jovem bacharel ou advogado. E essa união é pior do que um casamento, pois ela durará para sempre.

A fama do profissional, por certo, é construída ao longo de sua vida, e em certo ponto o nome da sua faculdade de origem, se ruim, deixa de ter relevância: o nome profissional torna-se muito mais relevante.

O cerne da questão está na vinculação do nome da faculdade ao nome do jovem profissional. Como acima demonstrado, “nome”, “grife”, “marca” ou “prestígio” são disputados de forma intensa no mercado, e isso pesa na hora de uma contratação.

Quem escolhe a faculdade é o aluno. Muitas das vezes ele escolhe a faculdade possível, seja pela localização ou pelo valor da mensalidade. O prejuízo pode ir além da mera associação entre os nomes, mas também na formação técnica.

O mercado é uma criatura muitíssimo cruel e sincera.

O comportamento dos agentes do mercado, observados em si mesmos, tem por objetivo, sempre, o de maximizar satisfação. Há uma eterna briga (que leva a um equilíbrio) no processo de interação daqueles que estão no jogo.

Eu te ofereço um salário X, você aceita?” A resposta é sim ou não, dependendo do valor visto na negociação, e o valor tomado sob o ponto de vista do contratante como também do ponto de vista de quem está sendo contratado.

Cobro X de honorários, você aceita?” O cliente vai avaliar se o profissional vale o que está cobrando e se sua demanda é importante o suficiente para justificar tal investimento.

A mensalidade da faculdade é X, você paga?” O aluno precisa ponderar custo de deslocamento, prestígio no mercado da instituição, custos de ordem pessoal, pois cursa uma curso superior necessariamente faz parte de um projeto de vida, a natureza do mercado em que está se inserindo e “n” outros fatores relevantes dentro do processo de escolha.

A importância, em todas as hipóteses acima, é de ordem SUBJETIVA. Os atores estabelecem os preços, e escolhem pagar por eles ou não.

O mercado é sinceramente cruel porque TODOS os atores buscam, sempre, as melhores alternativas para si mesmos. E se o seu preço como profissional for visto como baixo pelo mercado, inevitavelmente você terá dificuldades na sua colocação profissional.

Essa é uma avaliação repleta de variáveis. O nome da faculdade é apenas uma delas. Resta a cada um ponderar sobre sua própria importância dentro de um contexto mais abrangente e, a partir da percepção do comportamento do mercado em relação determinada instituição, fazer uma escolha diante de suas possibilidades.

E sim, pode-se afirmar que o nome da faculdade, neste processo, é muito importante. Não é só uma questão de nome, mas também de formação, da bagagem intelectual a ser adquirida ao longo dos 5 anos.

E é ela, em última instância, que regula a precificação do nome da instituição no mercado.

É uma interessante simbiose: o aluno faz a faculdade como também a faculdade faz o aluno. Quem falhar nessa troca prejudica a si mesmo e ao outro.

Pensem nisso!

Por Maurício Gieseler em 02 março 2012 às 12:38

Categoria: Advocacia, Ensino jurídico

Projeto permite estágio após formatura até obtenção de registro na OAB

A Câmara analisa proposta que permite a prorrogação do contrato de estágio de pessoa formada, desde que o ex-estudante ainda vá realizar alguma avaliação necessária para o exercício da profissão. Esse é o caso dos bacharéis em Direito, que devem passar por exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) antes de atuar como advogados. A prorrogação está prevista no Projeto de Lei 3158/12, do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).

A proposta permite que o contrato de estágio seja prorrogado por até dois anos após a formatura. Caso a avaliação obrigatória ocorra periodicamente, o contrato poderá durar até o resultado final do terceiro exame ocorrido após a formatura do estagiário.

Lei do Estágio

A proposta altera a Lei do Estágio (11.788/08), que, entre outras medidas, evita que empresas contratem estagiários para exercerem atividades típicas de empregados, pagando menos e deixando de oferecer benefícios trabalhistas.

“Após três anos em vigor, já é possível avaliar os resultados positivos que a lei teve, mas também é possível identificar pontos em que ela merece ser aprimorada”, diz Abi-Ackel.

Segundo o deputado, a lei criou uma situação desfavorável aos formandos que ainda não passaram no exame da OAB – seus contratos de estágio não podem ser mantidos, mas eles também não podem ser contratados pelos escritórios onde trabalham.

“O que tem ocorrido em todo o Brasil é que o estudante de Direito faz estágio em escritório de advocacia, demonstra bom aproveitamento e bom aprendizado. O escritório manifesta o interesse em ter esse estudante, após formado e aprovado no exame da OAB, para integrar seu quadro societário ou de associados como advogado. Entretanto, o escritório não poderá manter este agora bacharel, no hiato entre sua colação de grau e sua aprovação no exame da OAB”, explica o deputado.

Se o projeto for aprovado, a possibilidade de prorrogação do contrato de estágio valerá não só para os formandos em Direito, como para os ex-estudantes de qualquer curso cujos formandos dependam de aprovação em exame para o exercício da profissão.

Sanções

A proposta anistia qualquer sanção administrativa às empresas que tenham dado continuidade aos contratos de estágio nesses casos. Se a situação tiver sido levada à Justiça, o juiz poderá extinguir o processo sem julgamento de mérito. Se houver trânsito em julgado, a parte interessada, as entidades de classe, os conselhos profissionais e o Ministério Público do Trabalho poderão ajuizar ação rescisória, que objetiva desfazer os efeitos da decisão judicial.

Tramitação 

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara

Pela tramitação é um projeto que ainda vai demorar um pouco para virar realidade. E é uma pena, pois ele é muito interessante.

O Exame de Ordem é o fim e o início de muitas coisas, inexistindo vida profissional após o fim da faculdade e a aprovação propriamente dita.

Ou seja: se o candidato não passa, ele adentra em um limbo profissional. O bacharel é só um graduado, nada mais.

Esse projeto, imagino, permite incluvise que esse período entre a conclusão do curso e a aprovação no Exame conte como prática profissional, o que é muito importante.

Vamos acompanhar.

Por Maurício Gieseler em 01 março 2012 às 12:27

Categoria: Advocacia

Bacharéis em Direito sem trabalho processam faculdades nos EUA

Nos Estados Unidos, estudantes de Direito que se formam mas não encontram trabalho, já têm o que fazer nos tribunais: processar as faculdades de direito. Apenas neste mês, um grupo de sete firmas de advocacia, que representa bacharéis desempregados, já moveu ações coletivas contra 12 faculdades de direito e está pronto para processar mais 20. O grupo promete transformar 2012 no “ano do contencioso contra faculdades de direito”. Essa é a nova onda de ações judiciais no país, diz o site Above the Law.

Os bacharéis estão processando as faculdades de direito por danos, resultantes da publicidade enganosa das faculdades e de indução a erro. Os anúncios da faculdades de direito em seus sites e em diversas publicações convencem futuros universitários de que vale a pena investir em curso de Direito, porque o mercado de trabalho está melhor do que nunca. Para se formar em advocacia, os estudantes contraem uma dívida média de US$ 150 mil, nos EUA. Mas, quando terminam o curso não encontram trabalho, nem mesmo vaga de estagiários.

No entanto, o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, Brian Leiter, que escreve um blog bastante popular sobre educação jurídica, afirma que as ações coletivas têm pouca chance de sucesso. Tudo que as faculdades de Direito têm de fazer é declarar que seguiram as regras estabelecidas pela American Bar Association (ABA — a ordem dos advogados dos EUA). Nove de 15 faculdades denunciadas nas ações (três foram processadas no ano passado, somando-se às 12 processadas este mês) já declararam à agência Reuters que não fizeram nada de errado.

O fato é que as orientações prestadas pela ABA, que credencia as faculdades de Direito, sempre foram muito vagas, no que se refere aos dados sobre mercado de trabalho que devem divulgar. Historicamente, a ABA orienta as faculdades de Direito a seguir os dados disponibilizados pela Associação Nacional para Colocações na Área Jurídica (NALP — National Association for Law Placement). No entanto, a NALP não distingue o que é trabalho que requer diploma de advocacia do que não requer. No ano passado, quando os bacharéis começaram a botar a boca no trombone, a ABA pediu às faculdades que prestem informações mais detalhadas sobre o mercado de trabalho, como onde, como e se os formandos têm conseguido trabalho.

Antes dessa mudança, as faculdades de Direito anunciavam que mais de 90% de seus bacharéis encontravam trabalho em menos de nove meses, depois da formatura. Em suas ações, os bacharéis alegam que, com seu marketing e outros esforços de divulgação, as faculdades os induziram a erro, levando-os a pensar que essa percentagem se referia ao volume de colocações no mercado de trabalho na área jurídica.

Por exemplo: uma ação judicial foi movida em 1º de fevereiro contra a Faculdade de Direito de Brooklin, que anunciou que as taxas de contratação de seus formandos era de 88% a 98%, em um período de nove meses, após a formatura. Um queixoso, Adam Bevelacqua, alegou que foi induzido a erro, o que o levou a tomar dezenas de milhares de dólares em empréstimos, para fazer o curso, e não consegue encontrar emprego na área jurídica, um ano depois de se formar. Naquele ano, a faculdade teria divulgado uma taxa de emprego de 90% para seus bacharéis, no prazo de nove meses. Uma porta-voz da faculdade declarou à Reuters que a ação não tem mérito e que a faculdade vai se defender vigorosamente contra ela no tribunal.

O reitor da Faculdade de Direito Williams Roger de Rhode Island, David Logan, disse que embora os dados fornecidos pelas faculdades possam ser “opacos”, a ação coletiva não tem mérito porque as faculdades seguem os padrões estabelecidos. “Trombetear grandezas não é a mesma coisa que fraude”, argumentou. As ações também vão depender de quão forte é a legislação de proteção ao consumidor em cada estado, disse o professor da Universidade de Saint Louis, Douglas Rush, especializado em educação jurídica. Ele afirma que a NALP e a ABA fornecem explicações sobre o termo “empregado”. Se os estudantes não se deram ao trabalho de lê-las, os tribunais vão dizer: “Que pena, o queixoso perde”.

Por outro lado, alguns estados, com legislação que protege um pouco melhor os consumidores, pode concluir que foi uma publicidade enganosa anunciar a um “bando de estudantes deslumbrados” que 95 dos bacharéis estão empregados, enquanto apenas 22% estão trabalhando na área jurídica. Outros podem estar empregados em lojas do McDonalds, Wal-Mart… Não há como não aceitar qualquer emprego que aparece, dizem os estudantes. Afinal, eles têm uma dívida de US$ 150 mil, mais ou menos, para pagar.

Fonte: Conjur

O interessante da notícia reside no fundamento para o ajuizamento das ações: publicidade enganosa. A promessa de que o mercado absorverá os futuros advogados.

Não tenho como entrar no mérito da questão sob esse prisma, pois desconheço a legislação e regras de propaganda de lá, mas ao menos parece-me evidente de que a análise do mercado e a escolha do curso resultam de uma escolha do candidatos. Essa avaliação é estritamente pessoal.

No Brasil se fala muito em “estelionato educacional” sob outras bases: o ensino jurídico é oferecido de forma precária sendo a causa em alguma medida do fracasso do candidatos no Exame da OAB.

Desconheço qualquer ação ajuizada sob estes fundamentos, mas sua possibilidade de sucesso também é questionável apesar das imensas deficiências de muitas instituições de ensino.

É fácil discutir o mercado e a qualidade das faculdades quando está no fim do curso ou no início da profissão, mas não quando o ainda estudante do ensino médio ainda está pensando em prestar o vestibular: faltam informações sobre a realidade do mercado para melhor orientar os futuros acadêmicos.

O resultado disso é que o curso de Direito, em 2010, foi a carreira mais procurada pelos estudantes do País, com 632 mil candidatos interessados nas 218 mil cadeiras ofertadas, sendo o 2ª curso, após Administração, com maior número de alunos no País ( 694 mil) - O Exame de Ordem não assusta os estudantes: Direito foi o curso mais procurado no Brasil em 2010

Vejam também:

Brasil forma 10 bacharéis em Direito por hora, 243 por dia, 88.695 por ano

Multiplicação de cursos compromete formação de bacharéis

Brasil tem mais faculdades de Direito do que o resto do mundo

Se a atual realidade do mercado da advocacia fosse de amplo conhecimento dos futuros estudantes, esses números seriam tão expressivos?

Vamos considerar que se um mercado é perfeito ele dispensa qualquer regulamentação (Estudo sobre mercados ‘imperfeitos’ e desemprego ganha Nobel de Economia) e a recente votação, no Distrito Federal, de um Projeto de Lei que fixa o valor mínimo a ser pago a um advogado empregado - GDF sanciona piso salarial para advogado empregado no setor privado - podemos projetar um problema no mercado como um todo, porquanto a necessidade da fixação de um piso por lei revela uma realidade: salários baixos e aviltamento profissional.

Se os  salários são baixos, a procura por emprego é maior do que a oferta. E se a procura é maior, o mercado está saturado.

A regulamentação revela a pressão feita pelos advogados, em especial os jovens advogados, por um mínimo de decência na remuneração, justificando a necessidade da regulamentação. Não por acaso, após a divulgação da aprovação da Lei, várias seccionais estão seguindo o mesmo caminho trilhado pela OAB/DF. É provável que em breve todas as unidades da federação apresentem um piso salarial mínimo para o advogado empregado.

Sinal da saturação em todo o país.

Como também o é a percepção de que falta vocação aos estudantes de Direito retatado no trabalho Ausência de vocação e as “necessárias” adaptações mercadológicas: A derrocada do ensino jurídico  publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza – CE em Junho de 2010, que abordou a crise vocacional nos cursos de Direito e a incapacidade deste em oferecer uma formação adequada para propiciar o desenvolvimento de advogados atuantes, críticos e preparados para atender às necessidades da sociedade.

O curso de Direito oferece um certo prestígio, um “pedigree social”, tal como mencionou o Ministro Marco Aurélio, do STF, no julgamento, em outubro passado, da constitucionalidade do Exame da OAB. O quanto a busca pelo “pediggree” suplanta a vocação pelo curso em si mesmo?

Isso tudo sem levar em consideração a baixa qualidade do ensino como um todo - Especialistas fazem alerta contra baixa qualidade em instituições de ensino – mostrando que o problema é sistêmico.

Excesso de faculdades, ensino precário, expansão da renda da população e consequente pressão no mercado em busca de melhoria na formação, saturação no número de profissionais e início de regulamentação do exercício da profissão são os elementos que compõem o atual quadro, visto sob uma ótica mais abrangente.

Mas informações de nicho, sem a devida divulgação diretamente ao público interessado (pré-universitário), não são de grande serventia.

Logo, a tendência do quadro é piorar. Não podemos deixar de esquecer do Plano de Expansão do Ensino Superior e de suas consequências:

Perigos da expansão desenfreada de cursos de Direito

A única forma de absorver tantos novos profissionais é com o crescimento do Produto Interno Bruto. O crescimento da economia gera a absorção dos novos profissionais no mercado.

Mas como falar em crescimento em tempos de recessão mundial?

É de se pensar.

Por Maurício Gieseler em 27 fevereiro 2012 às 11:31

Categoria: Advocacia, Ensino jurídico

Oportunidades para bacharel em Direito são muitas

*Por Bruno Meyerhof Salama

A advocacia sempre foi a profissão liberal por excelência. O advogado presta um serviço profissional especializado em um regime de confiança. O cliente do advogado não entende bem o que o advogado faz: não sabe que o correto é mandado – não mandato – de segurança. Não sabe que não é possível entrar com uma liminar: é preciso primeiro pedi-la. (E o juiz pode, inclusive, negar o pedido). E o cliente, incauto, não tem a menor idéia das suas chances de êxito numa ação antes de propô-la; aliás, às vezes nem sabe o que a palavra êxito quer dizer.

No imaginário coletivo, o advogado figura muitas vezes como o malandro ou o enrolador. E não há aqui nenhuma novidade. O açougueiro Dick, personagem de Shakespeare em Henrique VI, teve uma idéia que já cruzou a mente de muitos: “a primeira coisa a se fazer é matar todos os advogados!”. Mas não é só o ódio ou desprezo que povoam o imaginário coletivo sobre o advogado. O advogado é também visto como alguém com uma capacidade de reflexão diferenciada sobre o mundo. Não só porque ele (ou ela, para sermos justos) possui educação superior, terceiro grau completo, algo ainda incomum no nosso país. É também porque o advogado estuda as leis. E as leis cristalizam a história humana em sintaxe.

A seguinte situação já me ocorreu pelo menos uma centena de vezes. Encontrar alguém que me diga: “um dia ainda vou fazer faculdade de Direito”. Essas pessoas se explicam assim: vou fazer faculdade de Direito para ter uma nova profissão mais interessante, vou fazer faculdade de Direito para não ser enganado de novo, vou fazer faculdade de Direito por puro diletantismo já que o Direito é tão interessante. Verdade que só uma pequena minoria dessas pessoas de fato algum dia decide ir aos bancos do bacharelado em Direito. Às vezes porque não têm tempo; às vezes porque o curso é caro; às vezes porque o curso é árido.

Mas seja lá qual for a imagem que as pessoas constroem dos advogados, o fato é que esta imagem está, de alguma forma, freqüentemente ligada a um sujeito de classe média-alta, que usa paletó e gravata e que trabalha em um ambiente de relativa calma. De plano, há aqui um equívoco: calma, a atividade do advogado nunca foi. Mas de qualquer forma, hoje ela é ainda mais agitada do que fora no passado. A competição entre os advogados hoje é muito intensa. E além disso, na grande maioria dos casos o advogado já não está mais nas classes privilegiadas, como ocorria antigamente. É claro que ainda existem muitos advogados de destaque, mas como um todo a profissão se proletarizou.

Em parte, isso se deu por razões políticas. O fim da ditadura marcou uma aposta no direito e nas profissões jurídicas como um mecanismo decisivo para uma transformação social pela via evolutiva, ao invés da via revolucionária. Por um lado, os tribunais (e o STF em particular) foram alçados à condição de poder moderador, como bem observou Oscar Vilhena Vieira. E por outro, a Constituição de 1988 está inspirada pela crença de que o direito permitirá à sociedade a um só tempo preservar as liberdades e ampliar os meios de acesso; garantir a eficiência e encetar a distribuição de renda; garantir os direitos humanos, os direitos sociais, e os direitos difusos; mudar o mundo, senão mesmo refundar o homem. Este é o sonho.

Uma das repercussões práticas desse sonho foi investir-se pesadamente no Poder Judiciário. Um relatório intitulado Judiciário e Economia, disponibilizado pela Secretaria de Reforma do Judiciário Ministério da Justiça em meados da década passada, mostrava que o Brasil gastava nos anos 1990 o equivalente a 3,66% de seu orçamento com a manutenção do sistema judicial. Esta despesa era a mais alta em comparação com outros 35 países analisados pelo Banco Mundial. Além disso, naquele período o Brasil teria gasto também, em termos proporcionais, o triplo da média das despesas com o Judiciário de outros países. O relatório não está mais disponível no site da Secretaria, e não se duvida de que o Banco Mundial possa ter se equivocado em parte na coleta e análise de dados. Mesmo assim, ficou a certeza de que, no arranjo político brasileiro, mas não necessariamente no arranjo político de outros países, o Poder Judiciário tem um papel muito importante; e a importância deste papel se mede também em cifrões.

Outra repercussão importante do pacto político de 1988 foi a abertura de muitos cursos de Direito pelo Brasil afora. A idéia de ampliar o número de estudantes de Direito – hoje são mais de 500 mil, uma marca verdadeiramente impressionante – uniu diversos interesses convergentes. O interesse do estado de educar a população; o interesse da população de estudar de direito (especialmente por conta do sonho de conseguir-se um emprego público); e o interesse das escolas e faculdades de abrir novos e lucrativos cursos jurídicos.

O maior número de advogados tem um efeito benéfico e outro maléfico. Por um lado, gera uma pressão política constante para manutenção de pelo menos algum nível de estado de direito. Se voltássemos a ser uma ditadura, milhares de pessoas provavelmente perderiam o seu ganha-pão. A sustentação de um regime é também uma matéria de interesse político. O grande número de advogados preserva uma estabilidade mínima (ainda que imperfeita) das regras do jogo, e nesse sentido a aposta constitucional de 1988 parece ter dado certo. Quando se diz que a OAB é fiadora da democracia, está-se dizendo a verdade. Por outro lado, o grande número de advogados faz cair o nível do profissional médio porque deselitiza a profissão. E por isso, o serviço advocatício ofertado ao cliente médio pode piorar também. Se bem que a competição pode fazer com que os advogados precisem estudar mais, atualizem-se com mais freqüência, lutem nos processos com ainda mais garra: as coisas não são tão óbvias assim.

No passado, o pequeno número de advogados e de faculdades de direito freava a competição entre os advogados. O baixo nível de competição também era garantido por restrições legais como a vedação à propaganda, à propriedade das firmas, regras para o custo mínimo da hora trabalhada, exames de ordem, etc. Sob o sacrossanto manto da não mercantilização da profissão, tudo isso garantia o antigo status do advogado como um membro da elite. Mas à mudança política no Brasil somaram-se outras duas mudanças radicais que fizeram com que a profissão de advogado também mudasse de maneira radical.

A primeira foi a evolução tecnológica. Emails, computadores, processos eletrônicos, depoimentos online, tudo isso deu novo ritmo ao dia-a-dia do advogado. A mudança tecnológica impactou a todos. Até mesmo as firmas maiores que antes dispunham da vantagem competitiva de possuírem, por exemplo, grandes bibliotecas privadas, viram-se diante de pressões competitivas de toda ordem. Todas as leis estão online: não é mais preciso assinar as caríssimas coleções legislativas de antigamente. Os livros de direito ainda são caros, mas a revolução digital também mudará este quadro nos próximos anos. E, de todo modo, os artigos, teses e minutas de peças processuais espalhados pela internet já são bem mais efetivos do que a maioria das boas bibliotecas privadas de antigamente.

A segunda mudança foi a globalização econômica, e na esteira, a massificação da advocacia. Advogar para multinacionais deixou de ser privilégio das mais renomadas bancas de advocacia. Bancos, empresas de telefonia, prestadores de serviço e fornecedores dos mais variados produtos passaram a demandar os serviços do profissional jurídico médio. Com isso, o cliente deste profissional médio muitas vezes deixou de ser o pacato cidadão com problemas pessoais, para se transformar em um gerente jurídico. E o gerente jurídico, ao contrário do incauto cliente de antigamente, conhece o direito, é cobrado internamente por resultados, e simplesmente não pode ser enganado facilmente. E mais do que isso: o gerente jurídico mede seu desempenho, em grande parte, pela capacidade de reduzir as despesas com advogados externos.

Ao mesmo tempo criou-se mundo afora, e no Brasil também, uma certa elite jurídica para quem o conceito de profissional liberal passou a fazer cada vez menos sentido. Para as grandes firmas, a competição é cada vez mais global. A sobrevivência depende cada vez mais da substituição de uma estrutura interna de poder – o sócio manda, o resto da turma obedece – por um verdadeiro plano de negócios com carreiras, incentivos e toda a quinquilharia das consultorias de RH. Estas grandes firmas são verdadeiros players em um mercado de negócios. São administradas profissionalmente, competem pelos melhores talentos e sofrem com as oscilações de ciclos econômicos pelas quais passam seus clientes.

E para aonde vai a advocacia? Primeiro, a cobrança por hora trabalhada deve se tornar cada vez mais incomum. A cobrança por hora pressupõe um nível de confiança no advogado que no ambiente de hoje é cada vez mais impensável. Além disso, a cobrança por hora traduz precificação como reflexo do custo – aquilo que os americanos chamam de cost-plus. É portanto contrária a idéia de negócio, de business, em que os preços devem depender de quanto o cliente está disposto a pagar e do preço estabelecido em mercado.

Segundo, não há por que imaginar-se que a profissão de advocacia possa voltar a ser o cartel de cavalheiros que fora no passado. O direito é hoje cada vez mais uma indústria – a indústria jurídica. Isso quer dizer que a vida do advogado será tão dura quanto a dos outros profissionais. Por exemplo, cada vez mais a rapidez com que o advogado responde ao cliente será um fator decisivo no seu sucesso. Estar online, responder emails, tudo no ritmo alucinante dos nossos dias. Nos escritórios, especialmente nas grandes firmas, acredito que a aproximação com um modelo de negócios deve tornar cada vez mais claro o compromisso com o mérito – sob pena de transformar-se em desvantagem competitiva para a firma. E trazer clientes e receitas é, evidentemente, uma dimensão do mérito, coisa que o jovem estagiário aprende rapidamente.

Terceiro, o espaço para o generalista será cada vez menor, mas também a especialização não será o único caminho. Com a comoditização, a advocacia de massa oferece um refúgio (a baixos salários) para muito profissionais. E oferece, também, uma enorme oportunidade para advogados com espírito empreendedor que desejem montar grandes plataformas de prestadores de serviços que lucram na quantidade. Isso, para não falar do engenheiro jurídico, o formulador de plataformas de software para serem operadas por clientes corporativos cujos advogados não fazem senão preencher lacunas. O futuro é incerto, mas as oportunidades aparentemente estão em toda parte.

Fonte: Conjur

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Por Maurício Gieseler em 22 fevereiro 2012 às 09:31

Categoria: Advocacia