Exame da OAB em Duque de Caxias: Depoimento de uma candidata prejudicada

Acabei de receber um e-mail de uma candidato que estava fazendo prova no colégio Futuro VIP, em Duque de Caxias. O que ela escreveu corrobora com os relatos colhidos até então.

Realmente é uma situação muito delicada a desses candidatos.

Vejam seu depoimento:

Boa tarde, sou Bacharel em Direito e realizei a prova no Colégio Futuro Vip,em Duque de Caxias, ou melhor, tentei realizar a prova!!!

São anos de estudo, investimentos… para tamanha falta de estrutura!!!

Sequer gerador tinha no local, informações controvertidas falta de respeito com o ser humano. Com inúmeros colégios bem localizados, somos jogados naquelas salas cheias de mosquinhas e agora para piorar acaba a luz! E quem sai prejudicado? A OAB?? Não, nós examinandos. Não houve pronuncia por parte da OAB ainda (em seusite oficial), mas não é justo que tenhamos isenção apenas no próximo exame!!

Não há que se falar em anulação por ausência de vicio de legalidade e sim por força maior e segurança jurídica! Foi instaurado um verdadeiro caos no local de prova, primeiro fomos forçados a ficar na sala com a promessa de que a energia seria reestabelecida.

Como nada mudou e estamos no RIO DE JANEIRO, em pleno verão, calor infernal, salas sem janela, apenas com a porta e 1 ar ou 2 em algumas salas, todos foram para o pátio. Pronto, bagunça generalizada, conversas sobre a prova, consultas pelo celular, ligações para todo mundo, inclusive para a polícia, que chegou ao local causando mais transtornos!!

Nem atendimento médico tinha no local de prova… idosos, gestantes… realizam a prova, sabia??

E todos estavam passando mal, sem qualquer atendimento!!!! O pior até sem água nós ficamos!! Na ultima prova fiquei reprovada por 5.55, e agora é justo esperar até maio para fazer a próxima??? E mais uma vez um sonho adiado por falta de organização, por escolha errada de local de prova, por falta de informação dos próprios fiscais, alunos sairam com a prova ANTES do que o próprio edital permitia. O que esperar de uma instituição respeitada como
a FGV e a OAB???

Que tenham a mesma postura dos responsaveis pelo ENEM?????

Queremos a nossa aprovação para a Segunda fase! Com uma correção justa para todos!!!!

Aguardo manifestação!!!!“”

Por Maurício Gieseler em 05 fevereiro 2012 às 18:59

Categoria: Análise crítica do Exame

Exame da OAB em Duque de Caxias: foto do pátio do colégio Futuro VIP

Uma candidata acabou de me mandar uma foto do local da prova em Duque de Caxias/RJ no momento em que os candidatos estavam no Pátio. Todos foram reunidos no pátio, aproximadamente, uma hora após o início da prova:

No primeiro plano dá para ver um candidato com um celular na mão, assim como, obviamente, a candidata estava com o seu próprio celular tirando esta foto.

Para saber mais:

Queda de energia suspende a prova do Exame da OAB para 600 alunos em Duque de Caxias

Exame da OAB em Duque de Caxias: candidatos saem da prova portando os cadernos de prova antes do permitido no edital

Por Maurício Gieseler em 05 fevereiro 2012 às 18:36

Categoria: Análise crítica do Exame

Exame da OAB em Duque de Caxias: candidatos saem da prova portando os cadernos de prova antes do permitido no edital

Colhi mais informações de candidatos que estavam fazendo a prova em Duque de Caxias.

Aproximadamente meia hora após o início da prova (o fiscal da prova ainda não havia marcado na folha do tempo a passagem da 1ª hora) houve um pico de luz exclusivamente no Colégio Futuro Vip-Caxias. Os candidatos foram informados que a coordenação iria tomar providência para sanar o problema.

Após aproximadamente mais meia hora, todos os alunos foram retirados de sala e reunidos em espaço dentro do próprio colégio, sem água e sob o sol, com ordens de não levarem seus pertences. Apesar disso, há relatos de que vários candidatos usaram seus celulares e mesmo orelhões dentro do colégio.

Conversei com um dos candidatos e ele, ao sair do local de prova, já PORTANDO a sua prova, chegou em seu carro e pegou o celular, que marcava 16:53.

Agora vejam a regra do edital sobre se retirar da prova antes das 19:00h:

Este candidato acabou de me enviar a foto de sua prova, com um celular sobre ela marcando o horário. Considerando que sequer são 18:30h, sua narrativa é verídica:

É um fato de que candidatos se retiraram da prova carregando o caderno ANTES do permitido pelo edital.

Isso é um problema sério.

Não dá para afirmar de plano que ocorreu uma quebra de segurança, mas a situação é no mínimo anormal.

Vamos aguardar uma nota oficial da OAB.

Por Maurício Gieseler em 05 fevereiro 2012 às 18:16

Categoria: Análise crítica do Exame

Hoje, 21h, Mesa Redonda da prova da 1ª fase da OAB no Portal Exame de Ordem

Hoje, a partir das 21:00h, acompanhem AO VIVO, ONLINE e GRATUITAMENTE a mesa Redonda, PIONEIRA, do Portal Exame de Ordem.

A Mesa Redonda nasceu com a finalidade de antecipar o nosso gabarito extraoficial da prova. Entretanto, na prova passada a OAB resolveu publicar na própria noite da prova o gabarito oficial, os extraoficiais perderam a razão de ser.

A prova será debatida pelos professores do Portal, ponto por ponto, antes e depois da divulgação do gabarito.

Não percam então, após a prova vocês têm um encontro conosco AQUI, onde o Exame de Ordem acontece!

LI-TE-RAL-MEN-TE acontece!!

Por Maurício Gieseler em 05 fevereiro 2012 às 10:54

Categoria: Análise crítica do Exame

O Exame de Ordem não é difícil…

Saiu uma reportagem hoje no G1 sobre a prova do Exame de Ordem e um diretor da OAB afirmou que ela é apenas cansativa, mas não difícil: Exame de Ordem é cansativo, mas não é dificil, diz diretor da OAB

Essa afirmação até me deixou um pouco desanimado, pois senti que a razão de ser deste blog é um tanto quanto exagerada.

Como também NÃO deve ser exagerado o percentual médio de 85% de reprovação nas últimas edições da prova.

É…a prova não deve ser difícil.

Nós é que somos uns reclamões.

O MP que ajuiza ACP’s inutilmente, erratas só ajudam ao invés de atrapalhar, critérios esdrúxulos de correções são invencionices e peguinhas e perguntas capciosas são desculpa de quem não gosta de estudar.

Enfim…durma-se com um barulho desse.

Boa prova amanhã.

Por Maurício Gieseler em 04 fevereiro 2012 às 18:05

Categoria: Análise crítica do Exame

A FGV conseguirá aplicar o Exame de Ordem na Bahia?

Um internauta me alertou da complicada situação do Estado da Bahia com a deflagração da greve dos policiais militares naquele estado.

E, de fato, a situação é grave. As notícias abaixo são todas de hoje:

Temendo crimes, comerciantes fecham lojas mais cedo em Salvador

Cinco agências bancárias de Salvador são atingidas por disparos

Banco de Ibirataia, na Bahia, fica destruído após incêndio criminoso

Ônibus têm chaves roubadas e atravessam pista na Paralela

Ilhéus: Comércio fecha as portas por conta da greve da PM

Greve da PM: Secretário admite adesão de 10 mil policiais e promete punição

A situação é preocupante e a OAB e a FGV precisam de se debruçar sobre o problema visando assegurar aos candidatos baianos a necessária segurança durante a realização da prova no próximo domingo.

Por Maurício Gieseler em 02 fevereiro 2012 às 19:45

Categoria: Análise crítica do Exame

Ophir Cavalcante afirma que próxima prova da OAB não será difícil

O twitter oficial do Conselho Federal da OAB – @CFOAB – acaba de publicar um vídeo em que o presidente Ophir Cavalcante fala sobre a prova da OAB. Confiram:

Exame de Ordem 2012

O Dr. Ophir assume um tom formal e fala sobre o que é passar no Exame de Ordem e sua importância, mas, logo no começo, adianta que a prova não será difícil (00:26).

No próximo domingo vamos ver o que foi reservado para vocês…

Sigam-me o Twitter: @examedeordem

Participem da nossa comunidade no Facebook – Grupo de Estudos para a OAB

Por Maurício Gieseler em 31 janeiro 2012 às 17:53

Categoria: Análise crítica do Exame, Vídeos

O Exame de Ordem no Bom Dia Brasil da Rede Globo

Agora de manhã o jornal Bom Dia Brasil, transmitido pela Rede Globo, abordou como tema o Exame de Ordem e seus percentuais de reprovação.

Cliquem nos links abaixo para visualizarem a matéria:

EM VÍDEO (a chamada para o vídeo está logo abaixo da chamada principal, que tratou da construção civil)

EM TEXTO

Achei a matéria meio fraquinha. O mainstream trata o Exame como uma prova completa e definitiva e generaliza sobre o perfil daqueles que são reprovados.

A prova da OAB está longe de ser um instrumento de verificação completo do estudante, pois sua abordagem é predominantemente dogmática e muitas reprovações não têm como causa o mero despreparo dos candidatos. Claro, muitos são mesmo despreparados, mas outros não, e a reportagem joga todo mundo no mesmo balaio.

Mas por seu tempo de duração não dava para esperar outra coisa.

E, ao menos tive essa impressão, a reportagem, logo em seu início, dá a impressão de que a própria OAB já está mandando o seu recado sobre o grau de dificuldade da próxima prova.

Será?

Vejam também:

Qual será o grau de dificuldade da próxima prova da OAB?

Questão de Ordem – Expectativas para a 1ª Fase da OAB 2011.3

Por Maurício Gieseler em 31 janeiro 2012 às 09:31

Categoria: Análise crítica do Exame, Notícias sobre o Exame, Vídeos

A coisa certa no lugar errado

Noticia-se na mídia da Fronteira-Oeste gaúcha que três alunos da Faculdade de Direito do Campus Universitário de Alegrete foram aprovados no Exame da OAB.  Uma das publicações diz que o fato enriquece o curso e o qualifica dentre as faculdades de Direito do Rio Grande do Sul. Na minha ótica, esse dado é inconsistente para servir de parâmetro no sentido de medir o nível de qualidade de qualquer instituição universitária dessa área do ensino superior.  É fácil entender por quê.  Trata-se de uma amostragem muito pequena para ser tomada como base de avaliação (positiva ou negativa) de um curso de qualquer grau de ensino.  Até porque, nesse caso, sabe-se de antemão que  a maioria dos colegas dos aprovados  não logrará aprovação – pelo menos de imediato – no Exame de Ordem, o que, se levado em conta, também poderia ser invocado, com maior peso quantitativo, como fator de avaliação (nesse caso, negativa) da referida instituição de ensino.

Considero fora de propósito e – por que não dizer ? – pretensioso afirmar que o Exame de Ordem aplicado pode funcionar como “termômetro” para medir o grau de qualidade de uma Faculdade de Direito. Não se trata de uma opinião pessoal, calcada no simples “achismo”, mas sim de uma conclusão  lógica a que qualquer ser pensante pode chegar com extrema facilidade. Vejam bem. Todos os que conseguem aprovação no Exame de Ordem saem diplomados de uma mesma faculdade onde a maioria dos colegas de formatura  acaba sendo reprovada nesse mesmo Exame.  Logo, se alguns  passam e a maioria roda, claro está que os aprovados são uma comprovação de que a faculdade ensinou, sim; só não aprendeu quem não quis. Afinal, os “felizardos” que passaram na “prova de fogo” da OAB não nasceram sabendo.

Isso posto,  o máximo que se torna lícito dizer, nesse aspecto, é que o Exame da OAB afere a capacidade intelectual de cada estudante e não a faculdade de Direito como um todo. Mas isso não o torna uma prática inútil, até porque toda seleção profissional é sempre bem vinda (oxalá existisse para o exercício dos cargos políticos),  desde que aplicada por quem de direito – o poder constituído -  e não por uma entidade classista de direito privado,  como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil.  A pergunta que fica é: por que o Exame de Ordem não é aplicado de forma conveniada com o MEC,  obrigatoriamente antes da diplomação, para evitar a entrega de um “canudo de bacharel” a quem está aquém  dos pressupostos básicos desejáveis ao exercício da atividade profissional pela qual optou ?

Autor: Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

Fonte: GibaNet.com

Não pude deixar de prestar atenção na opinião do jornalista Lino Tavares.

As assertivas “ Exame da OAB afere a capacidade intelectual de cada estudante e não a faculdade de Direito como um todo” e “se alguns  passam e a maioria roda, claro está que os aprovados são uma comprovação de que a faculdade ensinou, sim; só não aprendeu quem não quis. Afinal, os “felizardos” que passaram na “prova de fogo” da OAB não nasceram sabendo.” merecem um pouco de atenção.

Aqui o autor projeta responsabilidades para os estudantes. Se uns passam e outros não, é porque os reprovados seriam responsáveis pelo próprio fracasso.

Ou não seriam?

Deixem suas opiniões no campo de comentários desta postagem.

Por Maurício Gieseler em 25 janeiro 2012 às 16:10

Categoria: Análise crítica do Exame, Ensino jurídico

Considerações sobre a decisão que determinou a reaplicação da 2ª fase do V Exame de Ordem

Consegui o número do processo da ACP contra o V Exame de Ordem e trago para vocês o andamento do processo que determinou a reaplicação das prova de Penal e Constitucional da 2ª fase do último Exame – BOMBA!! MPF/TO: reprovados em duas disciplinas do V Exame da OAB devem fazer novas provas:

A ação foi ajuizada no dia 09 de janeiro, e a decisão em tutela antecipada foi tomada no dia 13. Uma resposta judicial em velocidade razoável para este tipo de pedido.

Vamos agora verificar alguns detalhes sobre toda essa questão:

1 – Não consegui ainda cópia da decisão, mas pelo andamento do processo dá para ver que o Conselho Federal da OAB figura no pólo passivo da ação em conjunto com a FGV. Se é o Conselho Federal, a decisão muito provavelmente abrange todo o país, ou seja, todos os candidatos reprovados em Penal e Constitucional estão até agora sendo beneficiados;

2 – A OAB com 100% de certeza irá recorrer da decisão, e o fará interpondo um agravo de instrumento para o TRF-1. Como o processo aparentemente é físico, a OAB e a FGV ainda terão de ser notificadas da decisão (via carta precatória), para depois apresentarem seus respectivos recursos. Não acredito em eventual decisão do TRF já na semana que vem. A coisa pode demorar um pouquinho;

3 – De toda forma, no caso de Ações Civis Públicas, é bem provável que a OAB requeira diretamente para o presidente do TRF-1 uma suspensão de liminar (Art. 12, § 1º, da Lei 7.347/1985) sustentando, de um modo geral, que a reaplicação da prova poderia gerar uma grave lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia pública, fazendo-o sob seus próprios argumentos;

4 – Os candidatos, por certo, estão ansiosos com a decisão e querem saber se estudam para ela ou se estudam para a próxima primeira fase. Estudem para a próxima 1ª fase, pois a decisão, em que pese ser positiva, ainda é precária e pode ser reformada;

5 – E aqui o grande ponto! Quais são as chances de tal decisão ser derrubada? Conversei aqui e ali e a impressão geral aponta para a queda da decisão com uma simples canetada. Mas…

Mas temos de ponderar sobre dois fatores interessantes que compõem o contexto:

a) A quebra da isonomia entre os candidatos foi muito patente. Escrevi sobre isso ainda no DIA da prova – Erratas na prova subjetiva de Penal atrapalham aplicação do Exame de Ordem, e afirmei ainda no dia 4/12 que houve sim quebra da isonomia com a divulgação das erratas: Sobre os problemas ocorridos na aplicação da 2ª fase do Exame de Ordem: Houve sim quebra do Princípio da Isonomia .

Nos dias seguintes mantivemos nossa posição:

Relatos dos problemas ocorridos ontem durante a aplicação da prova da OAB

Nenhum candidato será injustiçado, diz OAB após erros em provas

O posicionamento oficial da Comissão Nacional do Exame de Ordem sobre os problemas ocorridos na prova da 2ª fase

Erros e mais erros: Renato Saraiva fala sobre as falhas na prova da OAB

Ressaca da prova…

Os problemas de quebra da isonomia foram patentes, e a Justiça Federal corroborou o que sustentamos desde o dia da prova. A decisão foi óbvia sob este aspecto.

Isso, em alguma medida, pode influenciar no julgamento, em que pese o fato da suspensão de segurança NÃO adentrar no mérito da ação. Apenas se restringe a averiguar a superveniência de lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia pública.

b) Aqui entro no mundo da especulação, mas da especulação com sentido.

Todos estão acompanhando a briga em torno do CNJ e o embate entre a OAB e as associações de magistrados:

E se o CNJ fiscalizasse o Exame de Ordem?

OAB defende que CNJ inicie investigações contra magistrados

OAB convida estrelas para defender CNJ

Ophir: CNJ não é dos magistrados e está trazendo o Judiciário real à tona

Juízes federais pedem que OAB seja fiscalizada pelo CNJ

O clima é de guerra entre as instituições e seu ápice acontecerá no dia 31 de janeiro, quando a OAB promoverá uma marcha em defesa do CNJ e do seu poder concorrente de fiscalização – OAB realizará ato público em defesa do CNJArtigo: CNJ possui competência concorrente – numa manobra institucional/política FORA do âmbito de atuação meramente institucional. É uma passeata.

Vai que o TRF-1, para dar um chega-para-lá na OAB, não defere a suspensão de segurança ou um futuro agravo de instrumento?

Aí é que está a especulação: jamais poderia afirmar que o TRF-1 agirá por motivações políticas, mas…mas a OAB está nas mãos da Justiça agora. A mesma Justiça dita “corporativa” pelos membros da Ordem.

Obrigar a Ordem a reaplicar a prova da 2ª fase poderia representar um “puxão de orelha” nas investidas da OAB, consideradas por alguns magistrados como “popularescas”.

Enfim! É só uma especulação para pensarmos um pouco sobre o contexto.

Nada é certo, mas nada também é impossível.

Aconselho vocês a manterem o foco na próxima 1ª fase e vamos deixar as águas rolarem. Em breve saberemos no que isso tudo vai dar.

Por Maurício Gieseler em 17 janeiro 2012 às 11:18

Categoria: Análise crítica do Exame, Jurisprudência em Exame de Ordem

Ophir: índice de 24,05% de aprovados reflete Exame de aptidão e profissional

Brasília, 13/01/2012 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, disse hoje que o índice de 24,05% de aprovados no V Exame de Ordem Unificado da OAB deve ser recebido de forma muito positiva, pois é o mais alto já alcançado desde o início da unificação. Um total de 108.335 bacharéis se inscreveram ao V Exame de Ordem,  sendo que 106.086 fizeram a prova e 26.010 foram aprovados – o que representa um índice de aprovação de 24,05%. No IV Exame, esse índice de aprovação foi de 15,02%; no III Exame, foi de 12,03%; no II Exame, de 14,67% e, no I Exame, de 14,02%. A lista definitiva dos aprovados no V Exame de Ordem pode ser acessada no site http://oab.fgv.br.

Para Ophir Cavalcante, a elevação do índice de aprovação dentro do Exame unificado da Ordem reflete ainda o fato de que  ”ele está cada vez mais profissional, com bancas específicas para cada uma das provas e também para rever questões, tudo com objetivo de realizar um exame mais justo“. Ele entende que está-se conseguindo “um equilíbrio maior na própria calibragem da dificuldade das questões e, em contrapartida, havendo um maior empenho das universidades e, sobretudo dos candidatos“.

Ophir  lembra também que o Exame  da OAB “não é um concurso público, mas um exame de  aptidão técnica. “Portanto, é preciso aferir a qualificação do bacharel para ingressar o mercado de trabalho e lidar com bens fundamentais n a vida das pessoas que são a liberdade e o patrimônio”, destaca.  “Por isso, a OAB vai continuar tendo rigor na confecção e realização do Exame sem, entretanto, torná-lo um concurso público”.

“A credibilidade e respeitabilidade do Exame de Ordem – explicou Ophir Cavalcante – estão ligadas à forma da aplicação, como é a elaboração das questões, que hoje privilegiam mais o raciocínio do que a mera memorização e aferindo cada vez mais a capacitação técnica. A OAB está, assim, convencida de que cada vez mais aqueles profissionais que são aprovados no seu Exame têm aptidão para defender o cidadão brasileiro”.

Segue índices de aprovação do Exame de Ordem desde o início da sua unificação:

I Exame: 95844 inscritos; 95841 presentes; 13441 aprovados; 14,02% de aprovação.

II Exame: 107029 inscritos; 105431 presentes; 15706 aprovados; 14,67% de aprovação.

III Exame: 106891 inscritos; 104126 presentes; 12534 aprovados; 12,03% de aprovação.

IV Exame: 121380 inscritos; 119255 presentes; 18223 aprovados; 15,28% de aprovação.

V Exame: 108335 inscritos; 106086 presentes; 26010 aprovados; 24,05% de aprovação.

Fonte: OAB

Três coisas:

1 – Tirando o fato de que efetivamente houve um aumento no número de aprovados, e isso é bom, apesar de ter ocorrido por conta de outros fatores – Considerações sobre o resultado de ontem da OAB / O resumo de todo o problema – discordo de TUDO o que ele disse.

Tecnicamente a prova não foi boa, as correções foram péssimas e as erratas terminaram de estragar essa receita de “privilégio do raciocínio do que a mera memorização e aferindo cada vez mais a capacitação técnica.”

O que estou vendo é a detonação do raciocínio, ao menos nessa edição do Exame.

2 – As estatísticas apresentadas nessa matéria diferem daquelas que sempre apresentei no blog - Estatísticas finais do V Exame de Ordem Unificado: 26.024 aprovados (24,01% de aprovação ou 75,99% de reprovação).

Isso porque o meus cálculos sempre foram feitos em cima do número de inscritos (e isso sempre foi ressaltado), enquanto a OAB os faz sobre o número de presentes na 1ª fase.

3 – Quero ver quantos serão aprovados na próxima edição. Se o percentual cair, o argumento dessa matéria vai para o ralo…

Por Maurício Gieseler em 13 janeiro 2012 às 15:10

Categoria: Análise crítica do Exame, Estatísticas, Resultados

Considerações sobre o resultado de ontem da OAB

Hoje é uma sexta-feira 13 com toda a cara de sexta-feira 13 mesmo…

Estou vendo vários sites “comemorando” o recorde de aprovação. Mas sinceramente, não vejo muito o que comemorar.

Que bom que muitos passaram, é claro, mas MUITOS mais poderiam ter logrado sucesso. E isso sem considerar as falhas na aplicação das provas.

Estou acompanhando os debates na nossa comunidade no Facebook e a tônica é uma só: os candidatos declinaram em suas provas as respostas corretas, em conformidade com o espelho, e mesmo assim a banca não atribuiu os pontos correspondentes.

E não são reclamações isoladas: a gritaria é generalizada! Isso não pode ser apenas choro de perdedor…certamente algo errado ocorreu.

Com a crise disparada pela divulgação das erratas durante a aplicação da prova, houve a superveniência de um prejuízo na resolução de todas as provas, e é fato que a FGV, sob ordens da OAB, efetuou uma correção mais condescendente nas provas, e, no resultado preliminar (dia 26 de dezembro), vimos o reflexo disso.

Aparentemente a “cota” de aprovados foi preenchida aí.

Podem ter recorrido aproximadamente 26 mil candidatos, mas apenas 1.614 foram bem sucedidos nos recursos.

Sinceramente? Isso não surpreende diante do quadro recorde de aprovação preliminar: 24.410 candidatos.

Eu acho que a errata foi responsável por tal percentual de aprovação, devido ao temor da Ordem de uma reclamação generalizada por parte dos candidatos (e uma intervenção do MPF):

Nenhum candidato será injustiçado, diz OAB após erros em provas

Entrevista exclusiva com o Secretário-Geral da OAB sobre os problemas ocorridos no Exame de Ordem

Provavelmente o percentual foi alto (alto comparando com o histórico do Exame, é bom frisar) por conta dessa falha, como acho TAMBÉM que mais candidatos poderiam ter passado.

Estatísticas finais do V Exame de Ordem Unificado: 26.024 aprovados (24,01% de aprovação ou 75,99% de reprovação)

Tal “cota” de aprovação não pode ser um limitador da aprovação de mais candidatos que sabidamente responderam os enunciados de forma correta.

Os 24,01% poderiam ser 27 ou 30%, dado o tamanho das reclamações.

Vamos lembrar que o IV Exame aprovou muitos candidatos em função do recorde de inscritos, 121.380, mas manteve a margem percentual de aprovados (15%). Agora no V Exame tivemos um número padrão de inscritos, 108 mil, mas a margem de aprovação preliminar fugiu dos tradicionais 15%.

Resumo da ópera e moral da história: as erratas patrocinaram um prejuízo para candidatos aptos ao exercício da advocacia. Eles, efetivamente, responderam como a banca queria. E, claro, sem deixar de considerar os problemas na eleição de determinadas respostas contidas nos espelhos, para lá de controversas.

A correção, sob este aspecto, foi injusta porque, exatamente, o percentual de aprovação já havia estourado o limite com a divulgação do resultado preliminar.

Uma minoria de recorrentes se deu bem, e parabéns para estes, mas outros candidatos, repito, mereceriam ter logrado sucesso na prova.

Prova honesta

No fundo é tudo uma questão de se observar os preceitos básicos de justiça. Independente do grau de dificuldade da prova, se o candidato fez por onde, ele deve ser aprovado; se não fez, que seja reprovado então.

Nesse caminho a prova deve ser, precisamente, HONESTA, sem adotar questões doutrinárias ou jurisprudenciais controversas, pontos jurídicos com duplas respostas em razão da cizânia dos doutrinadores e zelar por uma análise meticulosa do enquadramento entre o espelho e a resposta do candidato.

Ninguém quer favor na correção, mas todos querem o justo, o devido.

E o IMENSO número de reclamações que estão chegando até mim mostram o contrário, mostram a superveniência de injustiças. E isso, infelizmente, continua a solapar a imagem do Exame de Ordem.

É uma pena…

Mandado de segurança

Mais tarde publicarei um tutorial sobre como elaborar um mandado de segurança. No mínimo, creio eu, apesar da dificuldade desse tipo de ação lograr sucesso no Judiciário, no mínimo creio na utilização da ação mandamental nos casos em que a resposta correta foi declinada e a banca ignorou-a por completo.

Os critérios de correção adotados pela banca são protegidos pelo entendimento da Justiça Federal, resiliente aos apelos e questionamentos sobre a forma de correção das provas e a discricionariedade das bancas de concursos e do Exame. Mas alguns candidatos podem ter a sorte de reformar a correção se suas ações caírem nas mãos de um magistrado mais atento e tolerante.

E eles existem.

Alerta

Fica aqui um alerta para os futuros candidatos: a dificuldade da prova engloba também fatores extra-prova.

Não basta saber o mínimo para passar: tem de saber um pouco mais do que isso para vencer eventuais injustiças. Em quase todo Exame acontece alguma coisa, e muitos reprovados pagam o preço quando deveriam alcançar o sucesso. Se estes soubessem um pouquinho mais, talvez, tivessem vencido o desafio.

Ah, mas isso não é justo!

E não é mesmo. Mas não se trata de exigir justiça, e sim de ser pragmático. Como eu disse, os problemas acontencem, e em toda prova muitos sucumbem por causa deles. Fujam dessa situação estudando MAIS.

Por fim, ressalto aqui o alerta dado pelo secretário-geral da OAB no último post - Dobra número de aprovados na prova da OAB:

Mas o secretário-geral da OAB diz que a melhora nos resultados tem um limite e que os números não devem continuar subindo nas próximas edições. “As estatísticas demonstram que no máximo 25% dos candidatos que prestam a prova pela primeira vez são aprovados”, diz Coelho.

Não alimentem ilusões quanto a um aumento no número de aprovados (E seu corolário lógico: uma prova mais fácil). Para mim, um aumento no número de aprovados precisa ser uma constante, um elemento contínuo ao longo de 4 ou 5 edições do Exame.

Não consigo ver isso ainda. As duas últimas edições foram “pontos fora da curva”, e a próxima prova não trará facilidades para vocês.

Quero dizer o seguinte: estudem SEMPRE como se o Exame fosse a coisa mais difícil do mundo! Quem se prepara para o pior enfrenta qualquer coisa. Faz frente ao pior ou dá um passeio na prova se o quadro for favorável.

Não esperem pisar em flores, mas sempre em espinhos! O pé cascudo aguenta o tranco.

Por Maurício Gieseler em 13 janeiro 2012 às 11:20

Categoria: Análise crítica do Exame

A embaçada transparência da OAB

Confiram este interessante artigo postado por Carlos Zamith Junior no blog Diário de um Juiz, em 09/01/2012:

A embaçada transparência da OAB

O Presidente nacional da OAB quer, segundo o Painel do jornal “Folha de S. Paulo” de hoje, mobilizar a CNBB e conseguir mais de um milhão de assinaturas pró-CNJ, em defesa da transparência do Poder Judiciário. Ele poderia mais, e antes, contudo.

Poderia, presidindo essa poderosa Corporação de Ofício, verdadeiro cartel que impede milhares de bacharéis de advogarem, monopolizando aquilo que se denominou de ‘capacidade postulatória’ (como se apenas os Advogados fossem capazes de postular…), abrir as contas de sua própria entidade.

Poderia dizer se recebe algum benefício enquanto está a frente dela. Se os demais Conselheiros da Seção Federal também recebem. E mais: se os presidentes e conselheiros estaduais percebem alguma benesse, a justificar disputas tão aguerridas pelo comando da entidade, nos mais diversos entes da Federação.

Poderia dizer qual a arrecadação anual da OAB; quanto disso decorre das contribuições; quanto dos obrigatórios exames para ingressar na Ordem; quanto vêm das taxas de mandato, e quais são as demais fontes de custeio da entidade.

Poderia jogar luzes nas despesas que a Ordem tem em todo o país, e qual a razão dela, sendo tão rica e poderosa, ocupar espaços gratuitos nos fóruns do país todo (os quais, como se sabe, mal dão para suportar a estrutura cartorária e os milhões de processos, muitas vezes guardados em banheiros e corredores).

Poderia explicar por que não faz da implantação efetiva das Defensorias Públicas uma bandeira da OAB, eis que referido órgão prestaria à população carente o essencial direito de defesa, bem como o direito de ação nos casos realmente necessários.

Poderia explicar por que pretende deslocar o gerenciamento das verbas destinadas ao convênio da Defensoria com a OAB/SP para a Secretaria da Justiça, amputando ainda mais a Defensoria Pública no Estado mais rico da Federação.

Poderia justificar por que seus advogados propõem ações vãs, apenas na expectativa de receber certidões de honorários, uma vez que estão vilipendiados pelo inchaço profissional, decorrente da proliferação de Faculdades de Direito – fato que conta com a omissão complacente dos dirigentes da OAB.

Poderia justificar por que prefere fazer o exame da Ordem a fiscalizar as condições dos cursos de Direito; ou seja: por que não garante ao cidadão um ensino condigno, exercendo seu papel de agente fiscalizador dos cursos jurídicos no Brasil.

Poderia explicar qual a natureza jurídica desse cartel que preside: se é entidade privada, se é pública e, afinal, por que razão não se submete às regras de licitação para comprar e contratar.

Ao fim e ao cabo, poderia tratar de jogar luzes sobre a entidade que preside, antes de apontar os dedos para quaisquer dos Poderes da República – todos eles fiscalizados pelos demais Poderes, por Tribunais de Contas, pelo Ministério Público – além da fiscalização processual, por meio dos recursos cabíveis (quando a questão é jurisdicional).

Poderia ainda, e finalmente, defender o fim do corporativismo a partir da extinção de seus próprios Tribunais de Ética e Disciplina, permitindo que juízes e promotores públicos julgassem e aferissem a ética e o comprometimento de cada Advogado.

Em suma, poderia deixar de ser hipócrita, e fazer a sua parte

Transparência não é bandeira, não é carta de princípios: é ação. É prestação de contas que se faz no dia-a-dia. É assunção de responsabilidades, e não oba-oba na mídia, como se se tratasse de cortina de fumaça para desviar atenção do que realmente importa: a conduta de cada instituição, no País que queremos.

Boca do Inferno.

Fonte: Diário de um Juiz

Concordo com algumas coisas no texto. Com outras, não. De toda forma, o interessante mesmo é notar a animosidade existente hoje entre a magistratura e a OAB por conta do papel desempenhado pelo CNJ:

OAB promove ato dia 31 contra o esvaziamento do CNJ pelo Supremo

Juízes pedem que OAB seja fiscalizada pelo CNJ

“CNJ tem que fiscalizar a OAB, que é uma caixa preta”, diz Ajufe

Juízes federais estão retaliando a OAB, diz Ophir

O clima não é bom e petardos estão sendo disparados para todos os lados.

Por Maurício Gieseler em 12 janeiro 2012 às 12:44

Categoria: Advocacia, Análise crítica do Exame

Falha no calendário pode prejudicar candidatos do próximo Exame da OAB

Como vocês sabem, o resultado final do próximo Exame de Ordem será publicado no dia 16 de janeiro.

Entretanto, o prazo para inscrição no VI Exame de Ordem unificado terminará no dia 13 de janeiro (as inscrições começarão amanhã).

Logo, os candidatos que estão recorrendo agora são virtualmente obrigados a se inscreverem no próximo Exame mesmo com a possibilidade de terem seus recursos providos.

Isso não é justo, e muito menos correto.

A OAB precisa dilatar o prazo de inscrição, ou, se possível, antecipar a divulgação do resultado final do atual Exame para não obrigar os candidatos que podem ser aprovados a se inscreverem desnecessariamente na próxima prova.

Como é sabido, a OAB não devolve o dinheiro da inscrição.

O candidato tem o direito de se inscrever sabendo de antemão se foi aprovado ou não no atual certame.

Afinal, R$ 200,00 não caem do céu…

Por Maurício Gieseler em 28 dezembro 2011 às 10:01

Categoria: Análise crítica do Exame

Últimas informações do dia de hoje

Seguem as últimas informações do dia de hoje:

1 – Quem não recebeu o e-mail de aprovado da FGV não quer dizer que está reprovado. Muitos aprovados não receberam.

2 – O prazo recursal começará amanhã, ou a partir das 12h ou a partir das 14h. Só Deus sabe…

3 – A brincadeira do “#paçei” no Twitter bombou e chegou aos Trendic Topics! Muito legal!!

4 – O Blog, hoje, teve 108.457 visitantes únicos. Ou seja, 108.457 IP`s diferentes acessaram o Blog. Muito mais do que na primeira fase considerando os 50 mil candidatos nesta segunda fase. Um assombro!!! Obrigado a todos pela audiência.

5 – Disponibilizamos os fundamentos para quem quer recorrer em algumas disciplinas. Amanhã teremos mais:

V Exame de Ordem: Dicas de recurso para a prova de Direito Civil

V Exame da OAB – Orientações para o recurso de Direito do Trabalho

Exame da OAB: orientações para o recurso de Direito Constitucional

V Exame de Ordem – Modelo de recurso para a prova prática de Direito Penal

6 – Não deixem de ler as considerações sobre como recorrer. Importantíssimo - V Exame de Ordem: como recorrer do resultado da prova prático-profissional

7 – Por incrível que pareça, peço para vocês terem paciência. sei que muitos estão no limite, sem saber sequer se foram aprovados ou não, mas a raiva, indignação e outros sentimentos ruins não vão resolver nada.

Tenham calma para poderem agir de forma racional.

É barra, mas é o jeito.

Boa noite!

Por Maurício Gieseler em 26 dezembro 2011 às 19:06

Categoria: Análise crítica do Exame, Recursos, Resultados