O pulo do gato do CESPE

O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), antigo organizador do Exame de Ordem, odiado por 10 entre 10 antigos examinandos (e que hoje, segundo alguns, deixou muitas saudades), está prestes a se tornar uma espécie de “Concursobrás”.

O Ministério da Educação – MEC – fez uma proposta para transformar o CESPE em empresa pública (hoje é uma fundação ligada à Universidade de Brasília – UnB), em razão de sua capacidade técnico-logística, para conseguir gerir grandes avaliações como o Enem e a Prova Brasil, além de outros processos de seleção, certificação e exames.

Na última sexta-feira o Conselho Universitário (Consuni) da UnB iria decidir o modelo de transformação da fundação, tendo em vista criar essa empresa com isenção de impostos e que repassaria 10% de seu faturamento bruto à universidade.

Entretanto, os conselheiros não chegaram a um consenso e a decisão foi postergada para próxima sexta-feira, dia 3.

Uma das razões para se mudar o CESPE está no prazo dado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), até 30 de junho, para a UnB regularizar a situação trabalhista de 478 funcionários do Cespe. Muitos dos funcionários recebem uma gratificação considerada irregular pelo TCU, e a maioria dos demais trabalhadores, chamados de precarizados, não possuem vínculo empregatício com a Fundação, despidos de direitos básicos como o FGTS e o 13º salário.

O medo dos conselheiros está na possibilidade de futuras demandas trabalhistas sucateiem a fundação.

E o que essa notícia tem a ver com o atual Exame de Ordem?

Com o atual, nada, mas com o futuro…

A educação superior no Brasil está passando por um relevante processo de transformação, já abordado anteriormente pelo Blog:

Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior quer acabar com a interferência da OAB na autorização e reconhecimento de novos cursos jurídicos

A expansão projetada pelo Governo Federal nos próximos 10 anos será tão grande que provavelmente outros conselhos de classe também passarõa a aplicar seus respectivos “exames de ordem”.

E aí a Concursobrás entraria em cena.

E o Exame de Ordem poderia perfeitamente ser envolvido nesse processo. Muitas vozes hoje acham que o Exame deveria ser de responsabilidade do MEC. Com uma megaempresa como a “Concursobrás” contando com o respaldo do Governo Federal, essa possibilidade certamente será seriamente considerada.

Não agora, tampouco nos próximos 5 ou 7 anos, mas vai acontecer.

O futuro dirá.

Com informações da UnB e do Estadão.

Por Maurício Gieseler em 30 maio 2011 às 09:50

Categoria: Cespe

Quem tem saudades do Cespe?

Deu no Correioweb:

Fracasso em exame do MPU mostra padrão rigoroso em itens discursivos

Mas correção não traz critério claro

Gustavo Henrique Braga
Publicação: 24/10/2010 08:55 Atualização: 24/10/2010 21:41

Um dos concursos públicos mais esperados dos últimos anos figura também na lista dos mais questionados, tanto por candidatos como por especialistas. O problema começou no último dia 15, quando foram divulgadas as notas das provas para o Ministério Público da União (MPU). Rapidamente, o rebuliço formou-se em fóruns pela internet e nos cursinhos preparatórios, já que uma quantidade de pessoas muito acima do esperado foi desclassificada no exame discursivo – a redação. Considerando exclusivamente o resultado dos testes para analista, em alguns cargos, o índice de reprovados passa dos 70%. Inconformados, parte desse contingente acusa a banca de erro nas correções, mas há os que defendam que o processo seletivo foi simplesmente mais rigoros. (…)

Leiam a íntegra dessa notícia clicando AQUI

A grande verdade é que o Cespe não é bem o que se alardeia por aí. Por sucessivos Exames de Ordem vimos toda sorte de injustiças, questões mal-concebidas e correções para lá de injustas.

No trecho acima copiado, se substituíssemos a sigla MPU por OAB, apresentaríamos a cópia fiel do que vinha acontecendo nos últimos Exames de Ordem.

Com a troca do Cespe pela FGV ficou claro que o nível das provas concebidas pelo Cespe deixa, e muito, a desejar. Parece que a organizadora, após se tornar a maior do Brasil, acomodou-se, achando que estava no topo. Na verdade está descendo a ladeira…

E se o pessoal do MPU acompanhasse o Exame de Ordem, tal como o 2009.2 e 2009.3, não teria contratado o Cespe para aplicar esse concurso.

Quem tem saudades do Cespe?

Por Maurício Gieseler em 01 novembro 2010 às 09:48

Categoria: Cespe, Concursos

Correção das provas da 2ª fase do Exame de Ordem 2010.1 – O Cespe vai pegar pesado?

Muitos candidatos estão perguntando se suas provas serão corrigidas com mais rigor pelo Cespe após a rescisão do contrato com a OAB, numa espécie de “vingança” pelo ocorrido.

Claro que não!

Apesar da rescisão, o Cespe continua sendo a maior organizadora de concursos do país, e em que pese a troca pela FGV, certamente continuará se pautando pela seriedade no seu trabalho.

Os padrões de respostas já foram publicados assim como os espelho já foram definidos. As correções serão efetuadas observando-se os parâmetros previamente estabelecidos.

A rescisão com a OAB fez mal à imagem do Cespe. “Aprontar” alguma coisa nessas alturas do campeonato seria de uma falta de inteligência ímpar!

Acredito inclusive que o Cespe irá se esmerar nas correções, buscando ser o mais justo possível, até mesmo para evitar qualquer problema futuro com os candidatos ou com a Ordem.

Afinal, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Por Maurício Gieseler em 04 agosto 2010 às 10:20

Categoria: Análise crítica do Exame, Análise de prova subjetiva, Cespe

Bomba!! Cespe deixa realização do Exame da OAB e entra Fundação Getúlio Vargas já para a próxima prova!!

Acabou de sair no site da OAB/MS:

Próximo Exame de Ordem será aplicado pela FGV

O Colégio de Presidentes de Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, decidiu, nesta terça-feira (03), rescindir o contrato com o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) para aplicação do Exame de Ordem. A decisão foi tomada durante reunião realizada na sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília.

O próximo Exame de Ordem será aplicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, Leonardo Avelino Duarte participa da reunião. “A OAB/MS e as demais seccionais acreditam que essa decisão vai aperfeiçoar o exame”, disse Leonardo Duarte.

Fonte: OAB/MS

Em instantes a análise dessa substituição.

Por Maurício Gieseler em 03 agosto 2010 às 18:23

Categoria: Análise crítica do Exame, Cespe, Notícias sobre o Exame

Dia decisivo para o Exame de Ordem – Conselho Federal avaliará contrato com o Cespe

Confiram essa notícia publicada hoje no site da OAB/RS:

Em Brasília, Lamachia tratará dos problemas do Exame de Ordem Unificado e dos PLs de interesse da advocacia

Nesta terça-feira (03), o presidente da OAB/RS, Claudio Lamachia, estará em Brasília, onde participará do Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB de todo o País. Entre os assuntos que serão tratados no CFOAB pela Ordem gaúcha, em conjunto com diversas outras seccionais, estão os problemas envolvendo o Exame de Ordem Unificado.

Segundo ele, se o contrato com a CESPE/UnB – entidade responsável pela elaboração e aplicação das provas em nível nacional – não for imediatamente reavaliado pelo CFOAB, estudaremos inclusive a retomada da realização do exame em nível regional. “O formato executado hoje não atende às expectativas da OAB/RS, e se não houver uma mudança radical, poderemos voltar a ter o exame regionalizado”, afirma Lamachia.

Mais uma vez, o presidente da Ordem gaúcha salienta que a seccional aderiu ao modelo unificado visando melhorar a estrutura de apoio aos bacharéis de Direito, o que não vem ocorrendo. Ele lembra que na segunda fase do Exame, no dia 25 de julho, diferentemente do que vinha acontecendo nas edições anteriores, a CESPE/UnB estabeleceu uma considerável redução no número de locais para a realização das provas, destinando apenas seis cidades em todo o RS: Porto Alegre, Caxias do Sul, São Leopoldo, Passo Fundo, Pelotas e Santa Maria.

(…)

Fonte: OAB/RS

O presidente da OAB/RS, Dr. Claudio Lamachia, concedeu uma entrevista exclusiva para o Portal Exame de Ordem, tratando da insatisfação da OAB gaúcha com o CESPE. Também foi entrevistado o presidente da Comissão de Exame de Ordem da OAB/MG, Dr. Carlos Cardoso – Seccionais pedem a saída do CESPE/UNB da realização do Exame de Ordem

A OAB Mineira inaugurou publicamente o pleito pela rescisão do contrato com o Cespe, seguida pela OAB/RS -

OAB/MG exige substituição do CESPE e ameaça abandonar o Exame de Ordem Unificado

OAB/MG endurece discurso – Exame de Ordem Unificado está sob risco

OAB/RS também ameaça abandonar o Exame de Ordem Unificado

Em suma – Na reunião de hoje no Conselho Federal da OAB alguma coisa vai acontecer. Ou o contrato com o Cespe será reformulado para atender as exigências das seccionais, ou algumas seccionais irão abandonar o Exame de Ordem Unificado ou o Cespe será substituído por outra organizadora.

Aguardemos.

Por Maurício Gieseler em 03 agosto 2010 às 11:32

Categoria: Cespe, Notícias sobre o Exame

Presidente da OAB/RS e o Presidente da CEO da OAB/MG concedem entrevista para o Portal Exame de Ordem

Em matéria do jornalista Joffre Melo, o Presidente da OAB/RS, Dr. Cláudio Lamachia, e o Presidente da Comissão de Exame de Ordem da OAB/MG, Dr. Carlos Cardoso, foram entrevistados com exclusividade pelo Portal Exame de Ordem sobre a insatisfação das duas seccionais com a condução do Exame da OAB.

Ambos falam abertamente do descontetamento com o Cespe e da hipótese de deixarem o Exame de Ordem Unificado caso mudanças não sejam implementadas.

Confiram o podcast:

Seccionais pedem a saída do CESPE/UnB da realização do Exame de Ordem

Por Maurício Gieseler em 28 julho 2010 às 12:26

Categoria: Cespe, Notícias sobre o Exame, Podcast

Diretor do Cespe explica procedimentos que garantem segurança das provas

No interior de São Paulo, durante o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de 2009, um fiscal de provas do Cespe percebeu o comportamento estranho de um candidato. Ele consultava um material manuscrito o tempo inteiro. O fiscal do Cespe apreendeu os papéis e viu que se tratava das respostas da prova de Direito Penal.

A tentativa de fraude na prova da OAB foi uma das peças usadas pela que a Polícia Federal para prender a maior quadrilha de fraudadores de concurso que se tem notícia no país. Detonada no mês passado pela PF, a Operação Tormenta, descobriu fraudes em quatro dos 198 concursos realizados pelo Cespe entre o início de 2008 e junho de 2010. “Temos um relacionamento excelente com a PF. A troca de informação é constante. Sabemos o quanto os concursos públicos são visados”, afirma Ricardo Carmona, diretor-geral do Cespe.

Os processos seletivos do Cespe são reconhecidos pela lisura e qualidade. Órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário contratam a instituição para suas seleções. Os candidatos também reconhecem a excelência. Entre o início de 2008 e junho de 2010, 5,4 milhões de candidatos se inscreveram em concursos oreganizados pelo Cespe.

As boas remunerações e a estabilidade dos empregos públicos atraem as quadrilhas de fraudadores. A Operação Tormenta identificou fraudes nas provas da ABIN, ANAC, PF e OAB. Mas, em nenhum dos concursos, a PF encontrou participação direta ou indireta de funcionários do Cespe.

Em entrevista à UnB Agência, Ricardo Carmona fala sobre as tentativas de fraude, o relacionamento com a Polícia Federal e as medidas de seguranças adotadas na preparação dos exames que ajudam a profissionalizar e a democratizar o Estado brasileiro:

UnB Agência: Como foi que a Polícia Federal começou a descobrir essas fraudes?

Ricardo Carmona: Na prova da PF não tínhamos conhecimento de nenhuma irregularidade. Com o exame da Ordem foi diferente. O processo seletivo da OAB foi divido em duas etapas: objetiva e prática profissional. Nessa segunda fase, os candidatos podem fazer a prova com consulta. Durante a aplicação da prova, os fiscais do Cespe identificaram que um concorrente usava um material que cotinha manuscritos. Averiguamos e descobrimos que eram respostas da prova de Direito Penal. Com a suspeita de fraude, por nossa iniciativa, fomos conferir as repostas de todos os exames do concurso. Daí constatamos a existência de 26 provas com respostas semelhantes. A primeira coisa que fizemos foi entrar em contato com a Polícia Federal. Fornecemos todo o material para eles. Foi a partir desse momento que a PF verificou que a mesma quadrilha estava fraudando outras provas.

UnB Agência: É uma prática do Cespe colaborar com a Polícia Federal?

Ricardo Carmona: É claro. Temos um relacionamento excelente. Essa troca de informação é constante. Somos extremamente parceiros. Até porque sabemos o quanto os concursos públicos são visados. É de nosso interesse verificar se existem falhas que comprometam a lisura das nossas seleções. Aliás, é importante ressaltar que em todos os concursos há tentativa de fraude. Essa mesma quadrilha tentou fraudar outras provas em 2010. Mas não conseguiu.

UnB Agência: Qual foi a falha da prova da OAB?

Ricardo Carmona: Verificamos que foi uma coisa pontual em São Paulo. Apesar de eles serem uma quadrilha grande. No caso da OAB até um conselheiro estava envolvido. A prova ficava nas dependências da Polícia Rodoviária Federal em São Paulo. Descobrimos que um policial corrupto fraudava os malotes. As provas ficavam dentro de um malote com uma ferragem e um cadeado. Havia também um lacre de plástico que protegia o acesso ao conteúdo. O procedimento é colocar as provas em envelopes plásticos. Somente na hora da prova, esses envelopes são rasgados. Inclusive, fazemos isso na frente de todos os candidatos. O fato é que, de alguma forma, o policial corrupto rompia o envelope sem deixar vestígios. Ele pegava uma prova, escaneava e colocava novamente no malote.

UnB Agência: O que acontecia em seguida?

Ricardo Carmona: Ele repassava isso para alguns integrantes da quadrilha. Daí acontece todo tipo de coisa. Eles forjam documentos, pagam pessoas para resolver as questões. Essas quadrilhas de concurso chegam até a usar escutas. Mas isso não aconteceu em nenhum das nossas seleções.

UnB Agência: Foi tomada alguma medida para garantir maior segurança dos malotes?

Ricardo Carmona: Sim. Os lacres agora são de aço e não ficam sob responsabilidade da PRF no caso de São Paulo. O Cespe é o responsável em todas as etapas.

UnB Agência: Qual é o cuidado que existe na preparação das provas?

Ricardo Carmona: Em primeiro lugar, em todas as fases da preparação dos concursos restringimos ao máximo o acesso de pessoas às provas. Para você ter uma ideia, no local onde imprimimos e empacotamos as provas, usamos scaners de corpo que detectam até papéis no bolso. Esse é o único aparelho da América Latina que faz isso. Lá não existe ligação com lugares de fora. Não há telefone para ligações externas, não tem internet. As pessoas passam por uma rigorosa revista, tanto na entrada quanto na saída. O sistema de monitoramento por câmeras é constante. Durante a impressão, tudo o que acontece ali é monitorado. No máximo, duas ou três pessoas têm acesso a prova montada.

UnB Agência: E os gabaritos, tão visados pelas quadrilhas?

Ricardo Carmona: Eles são feitos depois que a prova chega em Brasília. Antes, durante e até um bom tempo depois da aplicação dos exames, ninguém sabe as respostas. Isso também é uma medida de segurança.

UnB Agência: Como as provas são transportadas para outras cidades?

Ricardo Carmona: A prova sai do malote direto para o avião. Elas não são despachadas sozinhas. Um funcionário leva as provas até o bagageiro da aeronave. Quando o avião pousa uma equipe vai lá e pega os malotes no bagageiro.

Procedimentos de segurança adotados pelo Cespe/UnB

O Cespe/UnB investe continuamente em procedimentos de segurança. Em todos os processos seletivos realizados pelo Centro, são adotadas medidas de segurança rigorosas desde a etapa de elaboração das provas até a entrega dos resultados.

A impressão e o empacotamento das provas, por exemplo, são realizados em gráfica própria, altamente sigilosa, sem comunicação externa e monitorada continuamente por câmeras de vídeo e scanner corporal. Pouco antes da aplicação, os malotes de prova devidamente lacrados são conduzidos por Coordenadores de Aplicação (servidores da UnB) e, muitas vezes, também por membros da Associação de Delegados da Polícia Federal para cada local de aplicação.

O Cespe/UnB desenvolveu um software de embaralhamento de itens, que permite a confecção de diferentes tipos de provas. A quantidade de provas não é divulgada, pois é questão sigilosa. Outra medida relevante é a identificação dos inscritos apenas por código de barras. Dessa maneira, toda e qualquer pessoa que manipula as folhas de respostas ou de texto definitivo não tem como identificar quem preencheu esses documentos.

No dia da aplicação das provas, o Cespe/UnB conta com a colaboração de profissionais de segurança e membros da Associação de Delegados da Polícia Federal, prontos para agir caso se identifique algum comportamento suspeito de algum candidato. Durante a aplicação, faz-se o rastreamento de sinais de comunicação: veículos circulam nas áreas próximas aos locais de provas monitorando ondas eletromagnéticas, com a intenção de detectar tentativas de comunicação eletrônica entre candidatos e pessoas externas.
A utilização de artigos de chapelaria e de aparelhos eletrônicos também é proibida. Além disso, todos os candidatos passam por um detector de metais na entrada e saída dos banheiros.

Após a aplicação, as provas são novamente lacradas nos mesmos malotes, que são reconduzidos ao Cespe/UnB.

Diversas outras medidas são tomadas, mas, por questão de segurança, não podem ser reveladas.

Fonte: UnB Agência

Por Maurício Gieseler em 12 julho 2010 às 15:25

Categoria: Cespe, Fraude no Exame de Ordem

A batata do Cespe está assando…

Em uma matéria do Jornal Campo Grande News, o presidente da OAB/MS passou duas informações interessantes.

A primeira é a ratificação, indireta, do que afirmei no último post – a OAB acha que os atuais ídices de reprovação não são resultado de uma prova ruim, e  sim de um ensino superior deficitário, pois o presidente afirmou que o pífio índice de aprovação, de 7,77% dos inscritos no Mato Grosso do Sul não surpreende.

A lógica é simples: Se não surpreende, e é culpa do ensino ofertado, então o Exame cumpre seu papel. Logo, está tudo certo.

Agora…a informação mais relevante advém do fato da crítica pública feita por um representante da OAB ao Cespe. É a primeira vez que vejo isso.

Vejamos o que o Dr. Lenardo Duarte declarou ao Campo Grande News:

“O presidente da OAB também questiona a eficiência do Cespe/UNB (Centro de Seleção e de Promoção de Evento), que organiza a prova em âmbito nacional.

“Temos que aperfeiçoar o exame de ordem, não estamos satisfeitos com o Cespe. Com a forma de elaboração das provas e a incapacidade de avaliar os recursos. Temos mais dor de cabeça com os recursos do que com o próprio exame”.

De fato, desde o Exame de Ordem 2.2009 a OAB tem tido muita dor de cabeça com os recursos. A resolução 11/2010 nasceu do conflito gerado entre as Seccionais e o Cespe, porquanto aquelas estavam deferindo o chamado recurso de embargos, apresentados pelos bacharéis às seccionais, questionando a correção dos recursos previstos nos editais dos exames passados.

Como muitos desses recursos estavam sendo deferidos no âmbito das seccionais, houve um conflito interno de gestão que resultou na publicação da referida resolução. Na prática, a OAB avocou para si uma competência que pertence às seccionais, visando exatamente impedir que os recursos de embargos fossem apreciados.

As seccionais não gostaram por um simples  motivo – Perderam poder.

Independente disso, essa declaração pública mostra pela primeira vez o que já corre nos bastidores, e não só da OAB/MS – As seccionais não estão satisfeitas com a condução do Exame de Ordem.

Vamos acompanhar o desenrolar dessa história.

Por Maurício Gieseler em 26 junho 2010 às 10:43

Categoria: Cespe

Um olhar sobre o sistema de correção das provas subjetivas do Cespe

Li duas notícias, de fevereiro último, sobre um problema ocorrido no Enem. Cliquem nos links e confiram:

Centro atrasa pagamento de corretor do Enem

Professores contratados para corrigir provas reclamam que não receberam

Como todos sabem, são inúmeras as reclamações sobre a qualidade da correção das provas subjetivas do Exame de Ordem, ainda mais o último, campeão de reclamações. As duas matérias acima expõem um pouco como funciona o sistema interno de correção do Cespe. Claro, não é possível afirmar categoricamente que os critérios, pertencentes ao Enem, aplicam-se ao Exame da OAB, mas também não é possível vislumbrar grandes diferenças, se é que elas existem.

Mas o que poderíamos pensar dessas observações?

1 – Valor pago por correção de R$ 1,00;

2 – Prazo ínfimo para correção, com volume de trabalho de 200 peças por dia (Muitas vezes tinha vontade de reler a redação, mas não dava tempo.” O processo de correção foi online, e os professores receberam as provas – de 100 a 200 por dia – por meio de um sistema.);

3 – Treinamento curto;

4 – Professores de língua portuguesa na correção (São todos professores de língua portuguesa, não cabe a nós ensiná-los como corrigir).

Há de se observar que efetivamente a correção do Cespe é toda feita por sistema informatizado – Como o Cespe corrige as provas subjetivas.

Há de se considerar que o Exame de Ordem é uma prova de massa, na última segunda fase tivemos 18.500 participantes.

Há de se considerar que o tempo para a correção foi recorde, o menor até agora emprestado para a divulgação do resultado final.

Há se observar que um valor tão baixo pago para a correção de uma prova serve de estímulo para se corrigir o máximo de provas possíveis – o volume em detrimento da qualidade.

Por fim, devemos considerar o elevado grau de reclamações quanto aos critérios de correção da última prova subjetiva da OAB – A correção da prova subjetiva ficou mais severaExame de Ordem 3.2009 – A maior reprovação da história do Exame Unificado

Só consigo imaginar a correção das provas subjetivas da OAB como resultado de um sistema industrializadoalta perfomance em pouco tempo para geração de resultados dentro de prazos pré-definidos.

Posso estar errado, mas a forma como as provas foram corrigidas apontam nesse sentido.

Uma prova subjetiva tem de ser analisada com carinho, atenção, e, principalmente, TEMPO. Do contrário, uma injustiça pode ser perpetrada.

Claro! Não preciso falar que o responsável pela correção deva ser alguém da área jurídica.

Infelizmente o Cespe ou a OAB jamais noticiaram a forma como corrigem as provas. Isso não implicaria em uma quebra na segurança e sim na concessão de maior transparência ao processo de correção. O bacharel tem o direito de saber se sua prova foi corrigida corretamente. Mais do que o direito de saber, ele tem o efetivo direito de ter sua prova corrigida corretamente.

Mas como a experiência já mostrou, nem o Cespe e nem a OAB abrem um mínimo de espaço para tratarem desse assunto.

Por Maurício Gieseler em 31 maio 2010 às 12:58

Categoria: Cespe, Recursos para prova subjetiva

Fim dos boatos! Cespe assina contrato com a OAB para aplicar todas as provas do Exame de Ordem em 2010

Desde a fraude ocorrida na segunda fase do Exame de Ordem 3.2009 surgiram fortes boatos de que a OAB, insatisfeita com os eventos ocorridos no Exame 2.2009 e com a então recente fraude, optaria por outra organizadora de concursos para ajudá-la na aplicação do Exame de Ordem. Até tratei do tema em duas postagens diferentes:

O Cespe organizará ou não os próximos Exames de Ordem?

O Cespe continua ou não aplicando o Exame de Ordem? A história continua…

Então, para sepultar de vez a boataria, o Cespe publicou em seu site a notícia abaixo, dirimindo qualquer dúvida quanto a questão:

Cespe/UnB e OAB Nacional continuam parceiros em 2010

Os três Exames de Ordem deste ano serão aplicados pelo Cespe/UnB. Cronograma do primeiro exame definiu provas para junho e julho

Da Assessoria Técnica de Comunicação do Cespe/UnB

Uma parceria de sete anos se confirma na realização de mais uma série de Exames de Ordem para bacharéis em Direito e estudantes do último ano desse curso. O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) foi contratado para aplicação das provas objetiva e prático-profissional dos três exames de 2010. O contrato, desta vez, foi assinado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), após decisão dos presidentes das seccionais dos 26 estados e do Distrito Federal, em reunião no último dia 7 de maio. “Para o Cespe/UnB é uma honra poder continuar colaborando na consolidação do processo de unificação do Exame de Ordem da OAB”, ressaltou Ricardo Carmona, diretor geral do Cespe/UnB.

De acordo com o cronograma aprovado para o primeiro Exame de Ordem de 2010, a prova objetiva está prevista para 13 de junho. Os aprovados nesta fase serão convocados para a prova prático-profissional, que deverá ser realizada em 25 de julho. As inscrições já estão abertas no site www.oab.org.br e podem ser feitas até 30 de maio. No endereço eletrônico, o examinando deverá preencher um formulário e emitir um boleto de pagamento no valor de R$ 200,00.

Do Exame de Ordem 2010.1, poderão participar os estudantes do último ano do curso de Direito, assim como os bacharéis que já concluíram o curso, ainda que a colação de grau esteja pendente. No momento da inscrição, o examinando deverá optar pela área do Direito em que pretende realizar a sua prova prático-profissional, tendo como opções: Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Constitucional, Direito do Trabalho, Direito Empresarial, Direito Penal e Direito Tributário.

Ainda no ato da inscrição, o examinando optará pela cidade onde fará a prova objetiva. Já a prova prático-profissional será aplicada pelo Cespe/UnB nas 27 capitais das Unidades da Federação e nas cidades vinculadas às seccionais da OAB onde houver, no mínimo, 50 examinandos aprovados na prova objetiva. O resultado final do Exame de Ordem 2010.1 da OAB deverá ser divulgado na data provável de 30 de agosto de 2010.

Fonte: Cespe

Alguém realmente acreditou que o Cespe perderia um importante contrato como esse? Essa notícia, antes de tudo, deve ser interpretada como uma declaração de força e prestígio do Cespe, certamente cônscio dos boatos envolvendo a sua permanência frente ao Exame da OAB.

No último exame tivemos aproximadamente 70 mil inscritos. Neste agora, em que os acadêmicos do nono e décimos semestres também poderão fazer a prova, deveremos passar fácil dos 100 mil, e isso avaliando por baixo, muito por baixo mesmo. Cada um pagará R$ 200,00, porquanto o sistema de isenção da taxa de inscrição deve beneficiar uma parcela muitíssimo pequena dos candidatos. Façam suas contas…

Está dado o recado.

Por Maurício Gieseler em 15 maio 2010 às 20:30

Categoria: Cespe

Como o Cespe corrige as provas subjetivas

Etapas importantes em concursos públicos e processos seletivos, as provas discursivas e de redação costumam deixar muitos candidatos apreensivos, pois exige a elaboração de respostas, diferentemente das provas objetivas. Por não terem uma resposta totalmente definida, a correção desses exames segue critérios mais abrangentes do que os utilizados para a correção das provas objetivas. Ao longo dos anos, o Cespe/UnB vem investindo em tecnologias e métodos que possibilitam maior objetividade nas correções.

Em geral, as provas discursivas são elaboradas para avaliar a capacidade de escrita do candidato e o domínio do assunto questionado. “Fazemos as provas de acordo com o perfil do cargo vago que se pretende ocupar. Em geral, em uma prova discursiva busca-se aferir não somente o domínio do conteúdo, mas também a capacidade de articulação de raciocínio e de expressão do candidato”, explica o assessor de Planejamento do Cespe/UnB, Marcus Vinícius Soares. Ele acrescenta que o candidato não precisa temer a prova, mas é preciso estar preparado.

Para julgar o desempenho do candidato em provas discursivas e redações, desde 1997, o Cespe/ UnB vem aperfeiçoando um sistema eletrônico criado pela própria instituição para a correção on line desses tipos de exames, que até então eram corrigidos manualmente. Os critérios de correção são elaborados de acordo com o tipo de prova e de modo a possibilitar maior objetividade na atribuição de nota ao texto apresentado. “Os corretores devem se basear na planilha de correção definida para aquela prova. Para isso, eles recebem treinamento específico para cada exame”, explica a responsável pela Coordenadoria de Pesquisa em Avaliação do Cespe/ UnB, Girlene Ribeiro de Jesus.

Como funciona

O sistema utilizado pelo Centro para a correção e provas discursivas e redações permite que os textos sejam avaliados na tela do computador, o que possibilita o acesso de corretores localizados em qualquer unidade da Federação, desde que seja feito a partir de locais pré-definidos que tenham acesso à internet. “A correção é mais rápida e segura, pois há um controle maior da forma como as provas são corrigidas. Além disso, é um processo ecologicamente correto, porque evita o uso de papéis”, reforça Girlene de Jesus.

Para que possam ser corrigidas, as provas são digitalizadas e desidentificadas, ou seja, os nomes dos candidatos são suprimidos das folhas e eles passam a ser identificados por um código. Assim, os corretores não ficam sabendo quem são os autores dos textos, o que garante a isonomia na correção. Após a digitalização, os textos são colocados no sistema, acessados por meio de um sistema seguro de login e senha e analisados de acordo com a planilha de correção definida pela banca. “Nessa planilha, estão especificados os critérios a serem analisados. Cada item marcado pelo corretor contabiliza os pontos obtidos pelo candidato e atribui a nota que ele receberá”, comenta a consultora em Língua Portuguesa do Cespe/UnB, Poliana Alves.

O sistema permite ainda que os corretores sejam monitorados de forma virtual, em que é possível verificar a hora em que acessaram o sistema, quanto tempo utilizaram em cada prova e as notas atribuídas.

Como era antes

Antes da implantação do Sistema de Correção de Provas Discursivas, os textos dos candidatos eram copiados e distribuídos aos corretores. Estes, analisavam o texto e marcavam a pontuação em uma planilha, também em papel, que depois passava por leitura ótica para um sistema eletrônico, que calculava a nota. Por esse método, todos os professores tinham de estar no mesmo local para a correção.

O primeiro esboço do que é hoje o Sistema de Correção de Provas Discursivas começou a ser utilizado na correção das redações dos vestibulares da Universidade de Brasília. Ao longo dos anos, ele foi atualizado e hoje é usado na correção das provas discursivas e redações aplicadas pelo Cespe/UnB.

Avanços

Em 2009, novos procedimentos de acompanhamento das correções foram desenvolvidos e aplicados na correção das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Todo o processo foi acompanhado em tempo real por supervisores e coordenadores, que verificavam se o corretor estava analisando a prova de acordo com o que foi definido no treinamento recebido. “Se houvesse desvios do padrão de correção, os corretores eram contatados pelos supervisores, que verificavam o que estava havendo”, revela Girlene de Jesus.

Para garantir a qualidade e o cumprimento do padrão de correção, o Cespe/UnB desenvolveu metodologias baseadas em pesquisas realizadas durante o treinamento dos corretores, o que resultou em testes aplicados à banca. Um exemplo foi a utilização da “redação nota 10” no processo de correção das re-dações do Enem 2009. Um texto considerado excelente pelo Centro, e que obedecia a todos os critérios exigidos dos candidatos, era enviado aos corretores de forma aleatória. Caso fosse atribuída uma nota abaixo do que era esperado para a redação, o corretor era contatado.

“Com isso, nós poderíamos verificar se o corretor estava seguindo os padrões de correção conforme as orientações recebidas”, destaca Poliana Alves. Outro exemplo é o envio da mesma redação várias vezes aos corretores, para verificar se eles confirmam as notas atribuídas ao texto nas outras ocasiões. Além desses, outros testes são aplicados durante o processo de correção, que são mantidos em sigilo para garantir a eficácia. Poliana Alves explica que um procedimento foi obrigatório: “Todas as redações do nem passaram por duas correções. Quando houve divergências entre elas, a prova foi analisada por um terceiro corretor”, enfatiza.

A ideia agora é que os avanços no acompanhamento e avaliação da correção, conquistados no processo do Enem 2009, sejam aperfeiçoados e implantados em outros eventos – concursos, seleções e avaliações educacionais realizados pelo Cespe/UnB. “Queremos ter instrumentos específicos para todas as provas discursivas utilizados em outros processos”, explica o professor responsável pela área de Provas Práticas, Luiz Mário Couto. Outra vantagem do sistema é a capacidade de suportar o acesso de muitos corretores simultaneamente, evitando falhas na transmissão das informações. O responsável pela Coordenadoria de Tecnologia do Cespe/UnB, Jorge Amorim Vaz, afirma que o sistema possui uma capacidade de transmissão de dados que pode chegar a 100 megabytes. “Em eventos como o Enem 2009, que teve mais de dois milhões de candidatos e exigiu muitos corretores, foram utilizados 42 megabytes do total da nossa capacidade. Assim, o sistema consegue suportar com tranquilidade o acesso simultâneo dos corretores”, diz.

Tipos de provas discursivas

Em concursos públicos, é comum que as provas discursivas sejam aplicadas em fase específica, após a realização das provas objetivas. No caso de avaliações e seleções como vestibular, Programa de Avaliação Seriada (PAS) e avaliações educacionais, as provas escritas – como também são conhecidas – e objetivas ocorrem na mesma data.

O tipo de prova discursiva exigida em um concurso público depende de alguns fatores como a natureza do cargo a ser desempenhado e o tipo de conhecimento que o órgão contratante requer do candidato. Os principais são:

- Redação

    Geralmente exigida em seleções – como vestibular e PAS – e em avaliações educacionais. Nesse tipo de prova é exigido que o candidato elabore um texto sobre o tema proposto em um espaço de até 30 linhas.

    - Peça Técnica Jurídica

      Costuma ser exigida em concursos para cargos de Procurador, Promotor de Justiça, Advogado e Juiz Substituto. No espaço para resposta, que varia geralmente de 90 a 180 linhas, o candidato deve escrever uma peça judicial abrangendo informações de um texto proposto.

      - Projeto

        Exigido em concursos para a área de tecnologia, esse tipo de prova combina a redação de um texto com gráficos, em um espaço médio de 45 linhas, em que o candidato deve apresentar um projeto a ser desenvolvido no órgão, conforme o que é solicitado na questão.

        - Questões diretas com foco específico

          Normalmente utilizada em concurso público de nível superior, em áreas diversas. Nesse tipo de prova, o comando da pergunta especifica quais aspectos o candidato deverá abordar na resposta. Para isso, o candidato tem um espaço de cerca de 20 linhas.

          - Questões curtas diretas

            Geralmente utilizadas em avaliações educacionais – a exemplo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) – e de acesso à Universidade – como as transferências facultativas. Nesse tipo de prova, as perguntas são diretas e o candidato tem de 5 a 15 linhas para elaborar sua resposta.

            - Peça Técnica em Auditoria

              Essa prova costuma ser exigida em concursos de Tribunais de Contas nas áreas de Administração, Contabilidade, Economia, Finanças. Na prova, os candidatos deverão responder as questões aliando conhecimentos teóricos e aplicados ao campo da auditoria. Para isso, o espaço disponível é de 30 a 40 linhas.

              Saiba mais

              - As máquinas de scanner do Cespe/UnB têm capacidade de digitalizar até 30 mil páginas de textos por hora.

              - Em geral, a formação da banca de corretores do Cespe/UnB é feita de acordo com o tipo de prova aplicada. Para redações, é obrigatório que os corretores sejam professores de língua portuguesa.

              - Na correção das redações do Enem 2009 participaram 3.600 corretores, que avaliaram mais de dois milhões de textos em menos de 30 dias.

              - Não se tem notícias de outra organizadora de concursos e seleções no Brasil que utilize um sistema eletrônico para corrigir provas discursivas.

                Autora: Ciléia Pontes

                Fonte: CESPE/UnB

                Por Maurício Gieseler em 14 maio 2010 às 18:00

                Categoria: Cespe, Recursos para prova subjetiva

                O Cespe continua ou não aplicando o Exame de Ordem? A história continua…

                A história de que o Cespe não aplicará o Exame de Ordem ganha um novo episódio.

                O Professor Mazza, da rede LFG, soltou a seguinte frase em seu Twitter:

                Pessoal, a prova 2010.1 deve ser feita pelo Cespe mesmo (boatoextraoficial). Não há tempo hábil para mudar agora. Já o 2010.2……………

                Não é a primeira vez que vejo um professor de cursinho (mais de um professor e mais de um cursinho) fazer essa afirmação.

                Por enquanto nada é oficial, mas, em razão de que várias fontes não oficiais estão batendo nessa tecla, e fontes respeitáveis por sinal, é de se imaginar a real procedência dessa história.

                Se ocorrer mesmo, os sistemas para se estudar para o Exame vão sofrer um baque, pois todo o arcabouço de provas anteriores perderá grande parte de sua importância. Quem for fazer o Exame 2.2010 vai entrar em um mato sem cachorro.

                Mais ainda, será uma incógnita o futuro grau de dificuldade da prova da OAB.

                Por Maurício Gieseler em 06 maio 2010 às 00:43

                Categoria: Cespe

                O Cespe organizará ou não os próximos Exames de Ordem?

                O Dr. Marcelo Hugo da Rocha, do blog Habeas Data, publicou um post bem interessante sobre as chamadas “lendas” que envolvem o Exame da OAB. Uma das lendas me chamou a atenção, porquanto tem sido objeto de recente e intensa especulação:

                LENDA = A Fundação Carlos Chagas – FCC será a nova banca do Exame de Ordem.

                FATO = Além da FCC não ter experiência em concursos com realização nacional, o CESPE tem crédito junto a OAB por ter assumido sozinha os custos da realização da “3ª fase” do Exame 03/2009 depois do cancelamento da prova devido à fraude ocorrida em Osasco/SP. O que já ouvimos foi no sentido de que o vazamento da prova aconteceu dentro da OAB e não no CESPE. Portanto, a organização pelo CESPE restaria ainda inviolável, observado ainda que a empresa é maior no país quando o assunto é concurso público.

                Quanto a mudança da organizadora do Exame de Ordem, não tenho dúvidas de que o Cespe é a empresa mais credenciada apesar de atormentar a vida dos bacharéis com alguns erros que sistematicamente se repetem Exame após Exame. Nenhuma outra empresa tem a logística e o know-how do Cespe para aplicar uma prova de âmbito nacional 3 vezes ao ano.

                Essa opinião não é só minha. Um conselheiro regional da OAB me relatou que, durante os debates sobre o Exame de Ordem 2.2009 ocorridos nos encontros do colégio de presidentes das Comissões de Exame de Ordem das Seccionais da OAB, várias vezes se cogitou em trocar o Cespe como organizador por conta da grande confusão ocorrida na prova de Direito do Trabalho. Isso não ocorreu por um simples motivo: Quem poderia substituir o Cespe? A conclusão foi uma só: ninguém!

                Afora o fato de que a simples mudança não representa um incremento na qualidade, além de se desperdiçar o know-how adquirido ao longo do tempo. Por exemplo: O espelho de prova atual é muito melhor concebido, e justo, do que os espelhos dos exames de 2007 e 2008, cheios de defeitos nos critérios de atribuição de nota e mesmo nas correções. Não que seja uma maravilha hoje, mas certamente é perceptível uma clara evolução na qualidade da correção (deixando de lado o problema ocorrido no Exame 2.2009, é claro!) Essa mudança é resultado da pressão exercida pelos bacharéis ao longo do tempo. Mudar de organizadora desperdiçaria todo um trabalho, e isso em nome de uma hipotética e incerta melhor qualidade.

                E, se efetivamente o vazamento saiu de dentro da OAB, notícia esta que só pode ter sido obtida nos bastidores, a posição do Cespe como organizador do Exame estaria integralmente assegurada.

                Neste ponto, a OAB poderia sair do seu tradicional hermetismo e publicar uma nota explicando à sociedade os progressos nas investigações ocorridas na prova subjetiva.

                Enfim, a lógica é bem simples: ruim com o Cespe, muito pior sem ele.

                Cliquem no link abaixo para verem todas as “lendas” do Exame de Ordem:

                Lendas urbanas sobre o Exame de Ordem

                Por Maurício Gieseler em 04 maio 2010 às 20:29

                Categoria: Cespe, Notícias sobre o Exame