Rumo aos 10 milhões

Na última década, mais do que dobrou o número de brasileiros que frequentam cursos superiores em busca do sonhado diploma. A expansão das matrículas na etapa não é exatamente uma novidade, mas o Censo da Educação Superior de 2010 mostrou que esse crescimento acelerou entre 2009 e 2010 chegando ao total de 6.379.299 de estudantes matriculados na graduação. O aumento foi de 7,1% das matrículas no período contra uma média de 2% a 4% verificada em anos anteriores. Para especialistas, governo e instituições ouvidos pela Ensino Superior, a boa notícia é que o ritmo deve se manter nos próximos anos. Mas eles alertam para a necessidade de diversificar a oferta de cursos e pensar a expansão de forma coordenada com as atuais demandas do país e da população que ainda não chegou ao ensino superior.

A principal razão para acreditar que o sistema de educação superior brasileiro deverá continuar crescendo nos próximos anos está no próprio momento que o país vive, rumo ao grupo das cinco maiores economias mundiais. Falta mão de obra qualificada para atender um mercado de trabalho em franca expansão. Por outro lado, melhoraram as condições socioeconômicas da população e consequentemente as oportunidades das famílias em investir na educação das novas gerações.

Para o diretor-executivo da Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas, a chegada das classes C e D ao ensino superior é o principal fator que explica o aumento das matrículas. “O crescimento de qualquer país passa pela educação e no Brasil não poderia ser diferente. Esse crescimento é uma tendência que deverá permanecer haja vista a necessidade de mão de obra para atender às demandas do país e à real necessidade dos jovens”, acredita.

A meta do governo é chegar a 2020 com 10 milhões de matrículas no ensino superior. Mas diante do aumento apontado pelo censo de 2010, o secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, é otimista. “Acho que vamos manter essa taxa ou ainda crescer um pouco mais“, avalia. Para ele, o desafio de crescimento do Brasil já está posto e aceito, por isso o governo trabalha em ações para que a estrutura do ensino suporte os 10 milhões de matrículas até o fim da década.

Em 2010, as instituições públicas registraram um maior aumento no número de matrículas: 7,2% contra um crescimento de 6,4% registrado nos estabelecimentos particulares. Mas a proporção da distribuição das matrículas não se alterou: o setor privado ainda é responsável por 74,2% dos estudantes de graduação.

A expectativa, porém, é que as matrículas continuem crescendo nas instituições públicas, ainda sob o impacto do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que ampliou o número de vagas nas federais. O MEC também estuda apoiar as instituições públicas estaduais que não preenchem sua capacidade total de vagas devido a dificuldades estruturais. Além disso, os programas para inclusão de estudantes nas instituições particulares, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade para Todos (ProUni), continuam na lista de prioridades do governo para atingir a meta de 10 milhões de universitários até o fim da década.

Em busca do novo

Dois segmentos da educação superior são destaque na análise dos dados do censo por conta do crescimento verificado: a educação a distância e os cursos tecnológicos, que já respondem por 15% e 12% das matrículas do ensino superior, respectivamente. “O crescimento no ensino privado entre 2009 e 2010 se deu graças à expansão da EAD e dos tecnólogos, enquanto que a graduação tradicional está estagnada“, avalia o presidente da CM Consultoria, Carlos Antonio Monteiro.

Na opinião de Monteiro, a taxa de crescimento da EAD não foi ainda maior em 2010 devido às ações de regulação coordenadas pelo MEC. “Por isso o crescimento não foi tão grande, mas ainda sim foi maior do que a média dos outros segmentos”, destaca. Monteiro sugere que nos próximos anos o crescimento total das matrículas no ensino superior fique entre 6% e 10%. “Mas quem vai bancar realmente esse aumento são a EAD e os cursos tecnológicos”, aposta o consultor.

De fato a procura por formatos diferenciados de ensino superior além da graduação tradicional merece atenção. Os números do censo reforçam a tese de que há uma parcela da população interessada em formação de nível superior, mas que não se sente atraída pelo modelo tradicional de ensino presencial dos bacharelados e licenciaturas. As diferenças começam no perfil do estudante: enquanto nos cursos presenciais a média de idade é 26 anos, na modalidade a distância essa média sobe para 33 anos.

A existência de diferentes perfis de estudantes e de interesses na formação superior pode ser explicada pelo déficit educacional histórico enfrentado pelo país. Luiz Cláudio Costa ressalta que o Brasil enfrenta um débito muito grande com a população que ficou excluída do ensino superior por questões econômicas, sociais, ou por falta de oportunidades. “É legitimo agora que essas pessoas busquem isso, mas como muitas vezes elas já estão estabelecidas, têm emprego e família, encontram dificuldade na flexibilização de horários. Então o ensino a distância de qualidade permite que elas tenham suas aspirações satisfeitas”, analisa o secretário Luiz Cláudio Costa.

Na opinião do professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castione o perfil do estudante da EAD apontado pelo censo combina com as exigências da modalidade. “O aluno precisa ter uma certa maturidade para cumprir as atividades sem o ensino presencial. A EAD exige um comprometimento muito grande dos estudantes. Essa expansão do ensino a distância revela uma outra realidade que é o princípio consagrado da educação ao longo da vida“, aponta o pesquisador.

Já os cursos tecnológicos, avaliam os especialistas, têm um apelo maior entre aqueles que já estão no mercado de trabalho e buscam de forma rápida melhorar a sua formação em cursos relacionados à área em que atuam. Desse modo, tal modalidade de graduação se adapta não apenas ao perfil do aluno, mas às necessidades do mercado, que sofre com a falta de mão de obra e precisa preencher essa lacuna com rapidez.

Na avaliação do consultor Carlos Monteiro, a vantagem desse modelo é que ele vai “direto ao ponto”. Ele entende que a graduação tradicional está passando por uma crise de audiência especialmente porque não tem atingido uma funcionalidade profissionalizante, diferente dos cursos tecnológicos. “A graduação tradicional está chata demais. Tem muita perfumaria no meio de todas aquelas disciplinas que não levam a nada”, critica. Segundo Monteiro, é justamente por isso que a fórmula do sucesso para o atendimento da classe C está nos cursos de EAD e de tecnólogos.

Expandindo fronteiras

Com relação à distribuição de vagas pelo país, os números do censo revelam um sensível crescimento nas matrículas no Norte e Nordeste. Em 2001, os alunos nortistas eram apenas 4,7% do total, patamar que evoluiu para 6,5%. No mesmo período, a participação do Nordeste passou de 15,2% para 19,3% no total de matrículas. A aposta, tanto do governo quanto das instituições privadas, é que essa expansão deve continuar em função do bom momento econômico que vivem as regiões, especialmente o Nordeste, onde a oferta de mão de obra qualificada ainda é muito baixa em relação à demanda do mercado por trabalhadores com formação.

Apesar do crescimento das matrículas naquelas regiões, ainda é o Sudeste que responde por quase metade (48,7%) do atendimento. Na avaliação do professor Carlos Monteiro, o “boom” das matrículas no Nordeste ainda está por vir. Ele acredita que a região representa uma oportunidade “excepcional” de crescimento para as instituições de ensino. “O Nordeste passa por um processo bastante interessante. Há muito investimento na indústria, no turismo e uma população com capacidade aquisitiva cada vez maior, que necessita da educação para progredir. Há muito espaço para o crescimento do ensino superior nos próximos anos”, indica Monteiro.

Mas o professor Remi Castione, da UnB, alerta que não se pode simplesmente importar os modelos de cursos mais populares em outras regiões. É preciso adaptar a oferta às demandas locais. “Não podemos expandir esse modelo de universidade do centro-sul que é muito bacharelesco e de certa forma muito fechado”, aponta.

Mais do mesmo

Enquanto o crescimento do ensino superior focado no mercado e nas necessidades regionais da população em ascensão social e econômica se mostra como uma tendência irreversível, o censo de 2010 não traz grandes novidades no ranking das graduações mais procuradas. Contrapondo a aposta nas formações tecnológicas, administração e direito seguem no topo das matrículas do ensino presencial com 705 mil e 694 mil estudantes, respectivamente. Pedagogia, enfermagem e ciências contábeis completam a lista das cinco graduações mais populares do país.

Na comparação do número de ingressantes, no entanto, esse quadro que vem se repetindo há anos deverá mudar em breve. Entre 2009 e 2010 o Censo mostra um crescimento de 17,9% de novos alunos na área das engenharias e 22% na educação. O ingresso nas graduações de ciências sociais, negócios e direito aumentou apenas 2%. Em outras áreas como humanidades e saúde houve diminuição no número de ingressantes.

Uma aposta é que as engenharias logo atinjam o 3º lugar desse ranking, especialmente devido à necessidade de profissionais para trabalhar nos grandes projetos estruturais que estão na agenda do país. O desafio, portanto, é adequar a oferta às necessidades de mão de obra e às demandas dos estudantes, acredita o diretor-executivo da Abmes, Sólon Caldas.

Nesse sentido, o MEC realiza um diagnóstico para orientar a expansão das matrículas nos próximos anos, apontando onde e em quais áreas há mais demanda por determinado profissional. A análise estratégica incluirá instituições públicas e privadas.

O secretário diz que hoje o estudante possui um amplo leque de opções para escolher em função da diversificação dos cursos e formatos, mas nem sempre enxerga todas as oportunidades. Por isso, defende que é preciso encontrar novas formas para apresentar esse “cardápio” para o futuro aluno. Costa avalia que modelos como o do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que reúne a oferta de vagas de instituições públicas para seleção a partir do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), podem contribuir para a desconcentração das matrículas em poucas cursos. “Não se percebe a importância desse mecanismo, mas o Sisu permite ao estudante ter um leque de opções muito maior do que os oferecidos localmente”, defende o secretário.

Pedras no caminho

Para manter a taxa de crescimento verificada em 2010 e confirmar as expectativas otimistas para os próximos anos, alguns desafios precisarão ser enfrentados por governo e instituições públicas e privadas. Um deles é reduzir o índice de evasão que hoje está em cerca de 12%, segundo o MEC. Uma das saídas para melhorar a fixação do estudante é rever o próprio modelo de ingresso dos cursos e da organização pedagógica.

“Nosso sistema de ensino superior vem de um modelo do século 19 muito baseado na profissão, como se um jovem de 17 anos pudesse escolher o que vai ser nos próximos 40 anos”, avalia o professor da UnB, Remi Castione. Como exemplo de modelos inovadores, Castione cita a experiência dos cursos de bacharelado interdisciplinar que estão sendo desenvolvidos por instituições como as universidade federais da Bahia (UFBA) e do ABC (UFABC). Nesses cursos o aluno começa cursando disciplinas básicas e só depois de um período opta por uma área específica.

Experiências desse tipo também poderiam funcionar nas instituições particulares, mas segundo Carlos Monteiro o setor ainda é muito conservador nesse sentido e tem “aversão ao risco”. O professor acredita que o desafio de enfrentar a evasão está justamente em entregar ao aluno o que ele deseja.

Números da educação superior em 2010
Total Públicas Privadas
Instituições 2.377 278 2.099
Cursos 29.507 9.245 20.262
Matrículas de graduação 6.379.299 1.643.298 4.736.001
Ingressos 2.182.229 475.884 1.706.345

 

Tecnológicos campeões de audiência
As matrículas nos cursos tecnológicos já representam 12% do ensino superior e tendem a continuar crescendo.
Para isso devem se adaptar ao novo perfil de alunos, que buscam uma nova formação ou aprofundamento da área em que atuam, além de acompanhar as necessidades do mercado. Veja os cinco cursos tecnológicos com mais matrículas:
1- Gerenciamento e administração 343.723 matrículas
2- Processamento da informação 66.664 matrículas
3- Ciência da computação 51.400 matrículas
4- Marketing e publicidade 47.996 matrículas
5- Proteção ambiental 40.166 matrículas

 

Educação e engenharias em alta 
Embora administração e direito sigam no topo da lista dos cursos com mais matrículas, incluindo pedagogia, enfermagem e ciências contábeis, esse quadro tende a mudar já que o maior crescimento no número de ingressantes foi nas áreas de educação (22%) e engenharia (18%), enquanto que o ingresso nas graduações de ciências sociais, negócios e direito aumentou apenas 2%. Outras áreas, como humanidades e saúde, tiveram redução no número de novos alunos.
Número de ingressantes nas grandes áreas 2010 2009
Educação 263.950 214.675
Humanas e Artes 49.945 58.011
Ciências sociais, negócios e direito 645.021 628.206
Ciências, matemática e computação 132.946 149.654
Engenharia, produção e construção 202.398 172.488
Agricultura e veterinária 39.162 33.688
Saúde e bem-estar social 209.838 216.676
Serviços 42.395 38.010

Fonte: ABMES

Por Maurício Gieseler em 27 janeiro 2012 às 11:50

Categoria: Ensino jurídico

A coisa certa no lugar errado

Noticia-se na mídia da Fronteira-Oeste gaúcha que três alunos da Faculdade de Direito do Campus Universitário de Alegrete foram aprovados no Exame da OAB.  Uma das publicações diz que o fato enriquece o curso e o qualifica dentre as faculdades de Direito do Rio Grande do Sul. Na minha ótica, esse dado é inconsistente para servir de parâmetro no sentido de medir o nível de qualidade de qualquer instituição universitária dessa área do ensino superior.  É fácil entender por quê.  Trata-se de uma amostragem muito pequena para ser tomada como base de avaliação (positiva ou negativa) de um curso de qualquer grau de ensino.  Até porque, nesse caso, sabe-se de antemão que  a maioria dos colegas dos aprovados  não logrará aprovação – pelo menos de imediato – no Exame de Ordem, o que, se levado em conta, também poderia ser invocado, com maior peso quantitativo, como fator de avaliação (nesse caso, negativa) da referida instituição de ensino.

Considero fora de propósito e – por que não dizer ? – pretensioso afirmar que o Exame de Ordem aplicado pode funcionar como “termômetro” para medir o grau de qualidade de uma Faculdade de Direito. Não se trata de uma opinião pessoal, calcada no simples “achismo”, mas sim de uma conclusão  lógica a que qualquer ser pensante pode chegar com extrema facilidade. Vejam bem. Todos os que conseguem aprovação no Exame de Ordem saem diplomados de uma mesma faculdade onde a maioria dos colegas de formatura  acaba sendo reprovada nesse mesmo Exame.  Logo, se alguns  passam e a maioria roda, claro está que os aprovados são uma comprovação de que a faculdade ensinou, sim; só não aprendeu quem não quis. Afinal, os “felizardos” que passaram na “prova de fogo” da OAB não nasceram sabendo.

Isso posto,  o máximo que se torna lícito dizer, nesse aspecto, é que o Exame da OAB afere a capacidade intelectual de cada estudante e não a faculdade de Direito como um todo. Mas isso não o torna uma prática inútil, até porque toda seleção profissional é sempre bem vinda (oxalá existisse para o exercício dos cargos políticos),  desde que aplicada por quem de direito – o poder constituído -  e não por uma entidade classista de direito privado,  como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil.  A pergunta que fica é: por que o Exame de Ordem não é aplicado de forma conveniada com o MEC,  obrigatoriamente antes da diplomação, para evitar a entrega de um “canudo de bacharel” a quem está aquém  dos pressupostos básicos desejáveis ao exercício da atividade profissional pela qual optou ?

Autor: Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

Fonte: GibaNet.com

Não pude deixar de prestar atenção na opinião do jornalista Lino Tavares.

As assertivas “ Exame da OAB afere a capacidade intelectual de cada estudante e não a faculdade de Direito como um todo” e “se alguns  passam e a maioria roda, claro está que os aprovados são uma comprovação de que a faculdade ensinou, sim; só não aprendeu quem não quis. Afinal, os “felizardos” que passaram na “prova de fogo” da OAB não nasceram sabendo.” merecem um pouco de atenção.

Aqui o autor projeta responsabilidades para os estudantes. Se uns passam e outros não, é porque os reprovados seriam responsáveis pelo próprio fracasso.

Ou não seriam?

Deixem suas opiniões no campo de comentários desta postagem.

Por Maurício Gieseler em 25 janeiro 2012 às 16:10

Categoria: Análise crítica do Exame, Ensino jurídico

Faculdade cobra o dobro por vagas para o Prouni

Para um estudante que se matricular no curso de Direito da Facet, na Bahia, a mensalidade custa R$ 690, mas para um bolsista do Programa Universidade para Todos (Prouni) que tenha direito a 50% de desconto, o valor original muda para R$ 1.210. Ao final, o aluno paga R$ 605, ou seja uma diferença de apenas 12%.

As informações foram confirmadas ao iG em telefonema feito para esclarecer os valores comentados pelo estudante Jean Michell Fernandes, de 20 anos, que conquistou uma das bolsas. A conversa com o atendente da secretaria e a representante do departamento financeiro da instituição foi gravada. A responsável explica que o preço para o Prouni é o “integral” e está “em letras grandes” no site do programa. No entanto, o valor integral só existe para o Prouni e, mesmo com multa e juros, nenhum estudante regular chegaria a pagar R$ 1.210.

Na secretaria, a primeira informação foi de que o valor oficial da mensalidade é R$ 690. O atendente chega a dizer que com a bolsa do Prouni seria metade disso, mas ao verificar o valor exato, é informado que existe uma tabela de preços diferente para bolsas do Prouni e que, mesmo com o desconto de metade do preço o valor seria R$ 605.

Ao ser questionado, o funcionário tenta dizer que os R$ 690 seriam um desconto para pagar até o dia do vencimento, mas deixa claro: “Você não vai pagar o valor integral. Eu lhe disse que quem vem do Prouni paga metade do valor integral”. Já a responsável pelo financeiro esclarece: “Quando a gente informa para o Prouni, a gente informa R$ 1.210. No site do Prouni está R$ 1.210, bem grande.”

A reportagem questiona mais uma vez: “Mas se alguém for se matricular por conta, sem Prouni, é 690?”. Resposta: “É”. Depois, confere se não se trata de promoção: “E tem desconto conforme a data de pagamento?”. A funcionária esclarece: “Não, até o dia 4 paga este valor, depois tem um acrescimozinho de 0,33% ao dia e 2% ao mês, nunca chega em R$ 1.200.”

Isso significa que, em forma de descontos nos impostos devidos, o governo deixa de receber por bolsa concedida um valor diferente do que seria cobrado dos alunos. Para o bolsista também significa que a bolsa conquistada após processo seletivo que inclui o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e suas condições financeiras é na verdade uma redução de 12% no valor original.

O candidato a uma vaga de Direito conta que sabia o preço regular e contava com o Prouni para pagar metade deste valor ou, no máximo, R$ 400. “Eu sei quanto custam as faculdades de Direito aqui na Bahia e estava feliz que com 50% de desconto eu conseguiria pagar”, diz.

O iG procurou oficialmente a faculdade e a telefonista passou para a mesma responsável do financeiro que desta vez informou que o preço de R$ 690 é um desconto.

MEC diz que instituição pode ser descredenciada

A assessoria do Ministério da Educação (MEC) informou que a instituição pode ser descadastrada se as informações forem confirmadas. O estudante prejudicado também terá o direito de tentar a bolsa em outra instituição.

Aluizio Mercadante, que assumiu o ministério nesta terça comentou o caso e disse que regras do Prouni serão cobradas.

Se você conhece outros casos ou gostaria de comentar esta situação, use o espaço para comentários no fim desta página e informe o seu email para retorno no corpo do texto. Se preferir, escreva para educacao@ig.com

Fonte: Último Segundo

A mentalidade do empresariado da educação cada vez mais é afetada pelos crifrões…

Por Maurício Gieseler em 25 janeiro 2012 às 10:00

Categoria: Ensino jurídico

Justiça manda Universidade Gama Filho reintegrar demitidos

O Sindicato dos Professores do município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) conseguiu na justiça a reintegração de todos os professores demitidos na Universidade Gama Filho (UGF) desde o fim do ano passado. A liminar foi concedida na sexta-feira pela juíza Claudia Reina, da 22ª Vara do Trabalho. A multa pelo descumprimento da decisão é de R$ 5 mil por dia, para cada docente. Para a juíza, as dispensas coletivas deveriam ter sido precedidas por uma tentativa de negociação e submetidas aos órgãos colegiados, o que não aconteceu. O grupo Galileu Educacional, dono da UGF, ainda pode recorrer.

Segundo o presidente do sindicato, Wanderley Quêdo, cerca de 200 profissionais receberam telegramas avisando da demissão. Contudo, o grupo Galileu ainda não efetuou as homologações junto ao Sinpro-Rio. O prazo determinado pela legislação trabalhista é de dez dias, mas, em alguns casos, já passaram mais de 20, e os docentes ainda não receberam os seus direitos.

- Eles continuam demitindo as pessoas, enviando telegramas, e todos os dias uma leva chega ao sindicato nesta situação. Até agora, eles não definiram quantas pessoas serão demitidas. Somando com o caso da UniverCidade (também controlada pela Galileu), chega-se a mil pessoas dispensadas, entre enfermeiros, médicos, professores e técnicos. Vamos fazer um ato de repúdio nesta quarta-feira, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com a participação de várias entidades – afirmou Quêdo.

A confusão na Universidade Gama Filho começou em dezembro do ano passado. Após entregarem as notas do semestre, os professores começaram a ser comunicados das demissões. Ao mesmo tempo, os estudantes que emitiam os boletos das mensalidades de janeiro tomavam um susto: reajustes de 25% a 35% e adiantamento da data de vencimento em dez dias. As medidas fazem parte da reestruturação promovida pela Galileu Educacional, grupo de investimento que comprou a UGF em 2011. Na época, o grupo justificou as medidas alegando que a instituição deixava de ser uma entidade filantrópica para ter fins lucrativos, o que implicaria em uma alta do custo com impostos.

Fonte: OGlobo

É sintomático: a lógica do mercado e do lucro, para os grandes grupos econômicos ligados à educação, está relacionada ao corte de despesas e maximização dos lucros.

Até aí tudo certo, afinal, o luco é a razão de ser de qualquer negócio.

Mas ao invés de assegurar que a qualidade do negócio seja a mola propulsora dos cursos, tais grupos promovem faxinas nos seus quadros de professores, visando cortar custos e aumentar, evidentemente, os lucros.

Esse tipo de medida, considerando a indiferença do público-alvo com a própria qualidade do ensino ofertado, pois os grandes grupos da área educacional trabalham com educação em massa (ou seja, baixas mensalidades), em algum momento vai se refletir na vida profissional do aluno.

No caso do Direito, quando aparecer o Exame de Ordem.

Recentemente outro grande grupo educacional fez a mesma coisa - Grupo Anhanguera promove mega demissão de professores / Sinpro/RS denuncia Anhanguera ao MEC por demissões de professores após avaliação de cursos para atender as mesmas necessidades.

Moral da história: o estudante PRECISA ter a inteira noção de onde está estudando e, por conta própria, dispensar seus seus próprios esforços para fugir das deficiências que sua instituição de ensino apresenta.

Se se contentar com o ensino recebido, vai pagar um preço bem salgado ao receber o diploma.

No caso do Direito, a fatura corresponde ao valor do curso ao longo de cinco anos, mais o tempo perdido.

É muito caro.

Por Maurício Gieseler em 23 janeiro 2012 às 09:01

Categoria: Advocacia, Ensino jurídico

Conar manda faculdade alterar anúncio sobre Exame de Ordem

Uma queixa movida por um paulistano fez com que a Unip – Universidade Paulista seja obrigada a alterar a propaganda “Unip brilha no exame da OAB – 3º lugar nacional”. A decisão é do Conselho de Ética do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). A campanha informa que a instituição é a 3ª no país e a 2ª em SP que mais aprova graduados em Direito no exame de Ordem.

Segundo informações do Conar, a reclamação do consumidor paulistano se deve ao fato de a Unip usar apenas do número absoluto de aprovados, não levando em conta a proporção de inscritos por faculdade. Citando números da própria OAB, o consumidor informou que a Unip aprovou 7% dos seus alunos inscritos, enquanto USP e UNB, por exemplo, aprovaram mais de 60%.

Não há, no anúncio, nenhuma explicação sobre a maneira pela qual foi calculada a posição da Unip no ranking de aprovação da OAB”, cita a reclamação.

Em sua defesa, a instituição de ensino argumentou que o anúncio respeita estritamente o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, sendo baseado em dados da própria entidade dos advogados. No entanto, o Conselho de Ética votou por maioria pela sustação da propaganda. Também houve a defesa no Conar de que havia exagero no uso do verbo “brilhar” para definir o desempenho da Unip nos exames da OAB. Também considerou que o número absoluto de aprovados não é critério de qualidade.

A alteração sugerida pelos relatores do Conar é de que a propaganda deixe claro e explícito o critério de uso dos números.

Fonte: IG – Leis e Negócios

A Unip valia-se desse marketing – Unip diz que brilha no Exame da OAB, mas aprova apenas 6,7% – direcionado para quem ainda vai entrar na faculdade, em uma clara tentativa de atrair mais alunos, enquanto seu desempenho no Exame de Ordem, em termos percentuais,  como mostra os números acima, sempre foram péssimos.

Essa faculdade inclusive apresentava um vistoso slogan: “A Unip brilha no Exame da OAB” (foto de um jornal, com circulação em São Paulo, na época):

A verdade reside em um fato simples: há uma busca intensa por novos estudantes pelas faculdades particulares de um modo geral, e em especial pelos grandes grupos educacionais, com ações cotadas em bolsa, porquanto o lucro, evidentemente, conta muito na hora de fechar o balanço.

Não é difícil ver na internet muitas instituições vangloriando-se de serem as “primeiras” no Exame de Ordem.

Assim fica difícil escolher qual faculdade cursar. E mais ainda, em qual confiar…

Por Maurício Gieseler em 20 janeiro 2012 às 11:04

Categoria: Ensino jurídico

Mais de 40% dos alunos das universidades federais são das classes C, D e E

Brasília – Cerca de 43% dos estudantes das universidades federais são das classes C, D e E. O percentual de alunos de baixa renda é maior nas instituições de ensino das regiões Norte (69%) e Nordeste (52%) e menor no Sul (33%). É o que mostra pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que será lançada hoje (3), sobre o perfil dos estudantes das universidades federais…

Para a Andifes, o resultado do estudo, que teve como base 22 mil alunos de cursos presenciais, desmistifica a ideia de que a maioria dos estudantes das federais é de famílias ricas. Os dados mostram, entretanto, que o percentual de alunos das classes mais baixas permaneceu estável em relação a outras pesquisas feitas pela entidade em 1997 e 2003.

Segundo o presidente da Andifes, João Luiz Martins, as políticas afirmativas e a expansão das vagas nas federais mudaram consideravelmente o perfil do estudante. A associação avalia que se não houvesse as políticas afirmativas, o atendimento aos alunos de baixa renda nessas instituições teria diminuído no período.

Martins destaca que se forem considerados os estudantes com renda familiar até cinco salários mínimos (R$ 2.550), o percentual nesse grupo chega a 67%. Esse é o público que deveria ser atendido – em menor ou maior grau – por políticas de assistência estudantil. A entidade defende um aumento dos recursos para garantir a permanência do aluno de baixa renda na universidade. “Em uma família com renda até cinco salários mínimos, com três ou quatro dependentes, a fixação do estudante na universidade é um problema sério”, diz Martins, que é reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

O estudo identifica que 2,5% dos alunos moram em residência estudantil. Cerca de 15% são beneficiários de programas que custeiam total ou parcialmente a alimentação e um em cada dez recebe bolsa de permanência.

Vânia Silva, 26 anos, ex-aluna do curso de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB), contou, ao longo de toda a graduação, com bolsas e outros tipos de auxílio. No primeiro semestre, a ajuda era de R$ 130, insuficiente para os gastos com alimentação, transporte e materiais. Ela participou de projetos de pesquisa e extensão na universidade para aumentar o benefício e conseguiu moradia na Casa do Estudante. Mas viu colegas desistirem do curso porque não tinham condições de se manter.

“Para quem quer ter um bom desempenho acadêmico, o auxílio é muito pequeno. Esse dinheiro eu deveria gastar em livros ou em viagens para participar de encontros de pesquisadores, mas usava para custear minhas necessidades básicas”, conta. Hoje, ela é aluna de pós-graduação e a bolsa que recebe continua sendo insuficiente para os objetivos que pretende alcançar. “Já tive trabalhos inscritos até em congressos internacionais, mas com essa verba não dá para bancar uma viagem”, diz.

Os reitores destacam que a inclusão dos estudantes das famílias mais pobres não é a mesma em todos os cursos. Áreas mais concorridas como medicina, direito e as engenharias ainda recebem poucos alunos com esse perfil. Cerca de 12% das matrículas nas federais são trancadas pelos alunos e, para a associação, a evasão está relacionada em grande parte à questão financeira.

“Em outras parte do mundo, a preocupação do reitor é com a qualidade do ensino e com a pesquisa. Mas aqui, além de se preocupar com um bom ensino, ele também tem que se preocupar com a questão social”, compara Álvaro Prata, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Para 2012, a Andifes reivindicou ao Ministério da Educação (MEC) que dobre os recursos destinados à assistência estudantil. A previsão é que a verba seja ampliada dos atuais R$ 413 milhões para R$ 520 milhões, segundo a entidade. “Com a política de cotas e a expansão da UnB para as cidades satélites, houve um aumento muito grande da necessidade de políticas de assistência estudantil. Mas isso é secundário para o governo e a própria administração da universidade. Muitas vezes, eles acham que têm que trabalhar para ter mais sala de aula e laboratório, mas não há o restaurante universitário”, observa a representante do Diretório Central dos Estudantes da UnB, Mel Gallo.

Fonte: Agência Brasil

Essa matéria é realmente reveladora. Desmistifica a visão geral (era inclusive minha) de que a maioria dos estudantes das universidades públicas eram das classes A e B.

De fato, o perfil mudou.

Apesar disso a matéria ressalta que os cursos mais procurados ainda apresentam um perfil mais elitizado (Direito, Medicina e Engenharia). Há uma natural predileção por essas disciplinas, desde sempre, por conta de seu prestígio perante a sociedade.

Aliás, de acordo com o censo da educação superior de 2010 (considerando ensino público e privado) o Direito foi a carreira mais procurada pelos estudantes do País, com 632 mil candidatos interessados nas 218 mil cadeiras ofertadas, de um total de 3,1 milhões de vagas no ensino presencial, sendo que o dobro de estudantes se inscreveu nos respectivos processos seletivos.

Os cursos mais procurados em 2010 foram os seguintes:

Direito - 632 mil candidatos

Administração – 617 mil candidatos

Medicina – 542 mil candidatos (medicina provavelmente tem a maior desproporção entre inscritos e vagas disponíveis)

Pedagogia – 268 mil

Enfermagem – 257 mil.

Vejam agora as carreiras com o maior número de estudantes, ainda em conformidade com o censo de 2010:

Administração - 705.690

Direito - 694 mil

Pedagogia – 297 mil

Enfermagem – 244,5 mil

Ciências Contábeis – 244,2 mil

Essas cinco carreiras respondem por 67% do total de universitários brasileiros.

Outro ponto importante contido na matéria é, em que pese a gratuidade dos estudos, as dificuldades econômicas de muitos estudantes que efetivamente necessitam de bolsas para até mesmo comer e se deslocar, assegurando assim a continuidade dos estudos.

É uma demonstração, apesar da ascensão social dessas classes ocorrida nos último 10 anos, que a renda ainda não é o suficiente para custear os estudos e, principalmente, as políticas de financiamento e auxílio aos estudantes mais carentes precisam de mais atenção.

De uma forma ou de outra, cai um antigo esteriótipo sobre o ensino superior público e o preenchimento de vagas.

Por Maurício Gieseler em 11 janeiro 2012 às 15:30

Categoria: Ensino jurídico

Especialistas fazem alerta contra baixa qualidade em instituições de ensino

O crescimento rápido da quantidade de alunos matriculados em instituições de ensino superior traz um novo desafio: a necessidade de aliar a expansão do total de vagas à qualidade da educação

Para atrair mais alunos e melhorar a arrecadação, muitas faculdades derrubam o preço das mensalidades, mas deixam de investir em infraestrutura e no corpo docente. Os resultados negativos aparecem nas avaliações realizadas periodicamente pelo Ministério da Educação (MEC). Duas instituições do Distrito Federal correm o risco de terem as graduações fechadas, por conta de notas baixas. Outras podem entrar na mira do MEC se não houver melhoria no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) , Sólon Caldas, o crescimento na quantidade de alunos matriculados em instituições de nível superior pode ser explicado pela ascensão das classes C e D. Além disso, ele atribui o fenômeno à expansão de programas como o Fies e o Prouni. “Os juros do Fies caíram e também foi criado um fundo garantidor. Com isso, mais pessoas têm condições de arcar com as mensalidades”, comenta.

Para o representante da associação que reúne as instituições de ensino superior particulares do país, as exigências do mercado de trabalho aumentaram. “Hoje, é muito mais difícil conseguir uma vaga em um emprego, sem diploma. Por isso, a demanda também cresceu”, justifica o especialista. Sólon garante que as instituições se esforçam para manter a qualidade do ensino. “Essa é uma exigência dos próprios alunos. A maioria trabalha para pagar as mensalidades, então, esses estudantes jamais aceitariam uma educação de baixa qualidade”, acrescenta.

O diretor executivo da ABMES também diz que é preciso haver grandes mudanças na educação superior do Brasil. “Hoje, os estudantes das classes mais altas têm o ensino custeado pelo governo. É preciso que haja uma política para mudar esse quadro, para corrigir essas distorções e criar um sistema mais justo”, finaliza Sólon.

Aos 18 anos, Brenda Ruas será a primeira da família a cursar uma graduação. Filha de uma dona de casa e de um técnico de futebol, a moradora de Brazlândia está no segundo semestre de pedagogia. Ela estuda no câmpus que o Centro Universitário Iesb abriu em Ceilândia para atender a demanda reprimida dos que no passado não tinham condições de frequentar uma universidade. “Estudar perto de casa é um grande estímulo. No passado, só havia opções de faculdade no Plano Piloto. Mas eu prestei muita atenção na qualidade antes de escolher onde estudar. Não adianta olhar só o preço da mensalidade”, explica a jovem.

A reitora do Centro Universitário Iesb, Eda Machado, lembra que os alunos integrantes do Prouni são selecionados por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que garante o ingresso de estudantes capacitados. “Quase 70% das pessoas que cursam o ensino superior estão em instituições privadas. Isso mostra o tamanho da responsabilidade das particulares”, avalia.

Segundo ela, a expansão rápida tem um fator negativo: a proliferação de cursos de baixa qualidade. “Muitas instituições não ajudam a formar profissionais capacitados para atuar no mercado de trabalho. Há cursos com mensalidades inferiores a R$ 200. Com esse valor, é impossível oferecer uma boa formação. Há muitos alunos perdendo tempo e dinheiro, já que só o diploma não é garantia de sucesso”, acrescenta Eda, que defende as avaliações do MEC para apontar instituições ruins.

Estagnação

O doutor em educação Erasto Fortes, professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em políticas públicas e gestão da educação, explica que a oferta de vagas em cursos de graduação ficou estagnada nos anos 1990, quando o país privilegiou os investimentos no ensino fundamental. “Hoje, temos 98% das crianças de 7 a 14 anos matriculadas em instituições de ensino. Mas o problema é que essa política deixou de lado o ensino médio, o infantil e, principalmente, o superior”, afirma.

O especialista garante que a falta de investimentos do governo nas universidades motivou o crescimento rápido das instituições particulares, inclusive dos estabelecimentos mais fracos. “Até 2003, a expansão ocorreu principalmente no setor privado. Infelizmente, surgiram algumas ruins, que funcionam em sobrelojas ou em salas no subsolo de prédios. Os estudantes ficaram sujeitos a essa realidade, que só começou a mudar com o surgimento de programas como o Reuni, o Fies e o Prouni”, conclui Erasto.

O secretário-geral do Uniceub, Maurício Neves, também critica a proliferação de faculdades de baixa qualidade. “Surgiu em Brasília e no resto do país o que chamamos de faculdades de R$ 1,99, que são instituições que se aproveitam da demanda crescente das classes C e D para oferecer cursos sem qualificação”, critica.

Para ele, o Programa Universidade para Todos é uma forma de selecionar alunos qualificados, que poderão estudar em estabelecimentos de ensino com bom nível. “Nos primeiros anos do Prouni, os estudantes que entravam eram ainda mais capacitados, porque muitos passaram anos fazendo cursinho até que o governo criasse esse programa. Mas, certamente, o Prouni é um dos fatores que facilitaram o acesso às universidades”, explica Maurício..

Fonte: Abmes

Por Maurício Gieseler em 09 janeiro 2012 às 10:49

Categoria: Ensino jurídico

Disputa entre faculdade de Direito e a American Bar Association vai parar na justiça

Disputa entre faculdade e ABA vai parar na Justiça

Nesta sexta-feira (6/1), a American Bar Association (ABA) — a Ordem dos Advogados dos EUA — terá de se defender, em um tribunal federal, de acusações feitas por uma faculdade de Direito. Uma das acusações é de violação da lei antitruste. Segundo a Faculdade de Direito de Duncan, da Universidade Lincoln Memorial, a ABA lhe negou credenciamento para garantir reserva de mercado para o grupo de faculdades já existentes no país. A intenção da ABA seria limitar o número de faculdades no país e, consequentemente, de advogados, noticiam os sites da Knoxnews, da Courthouse News Services e de outras publicações.

A Universidade, uma instituição sem fins lucrativos do estado de Tennessee, moveu uma ação judicial, na qual também acusa a ABA de violar o devido processo, ao negar o credenciamento temporário à Faculdade de Duncan, com um despacho sumário, publicado em seu site, de forma “arbitrária e caprichosa” e sem oferecer as devidas justificativas.

A ABA divulgou sua decisão em seu site logo depois que o jornal The New York Times publicou uma ampla reportagem responsabilizando a ABA, em grande parte, pelos altos custos dos cursos de Direito nos EUA. A principal fonte de informação do jornal foi exatamente a Faculdade de Direito de Duncan. Atualmente, os cursos de Direito no país custam, em média, de US$ 150 mil a US$ 175 mil. A Faculdade declarou, na reportagem, que poderiam custar US$ 25 mil ou menos.

A Universidade quer conquistar o credenciamento provisório na Justiça além da condenação da ABA a arcar com US$ 3 milhões por danos, mais os honorários advocatícios. Segundo a petição inicial, o não credenciamento prejudica os atuais estudantes de Direito, em primeiro lugar, porque eles não poderão prestar exames da Ordem em outros estados. E, em um futuro próximo, afetará a própria faculdade, já que será praticamente impossível atrair novos estudantes, professores e pessoal, conseguir doações financeiras e o apoio da comunidade jurídica, o que deverá resultar em seu fechamento.

Em sua defesa inicial, protocolada no tribunal federal, a ABA alegou que os padrões de admissão da Faculdade de Duncan “eram uma causa de preocupação”. No entanto, “os novos estudantes da faculdade obtiveram notas mais altas do que pelo menos oito faculdades já credenciadas pela ABA“, rebateu o vice-presidente e reitor da Faculdade de Duncan, Sidney Beckman. Para ele, a faculdade atende todos os padrões de credenciamento estabelecidos pela própria ABA. A faculdade já obteve credenciamento da Associação de Universidades e Faculdades do Sudeste (dos EUA) e do Conselho de Examinadores Jurídicos do Tennessee.

O benfeitor da Faculdade de Direito de Duncan, estabelecida em uma área relativamente pobre do Tennessee, é o empresário aposentado Pete DeBusk. Ele acredita que uma pessoa pode nascer em uma família extremamente pobre e se tornar um multimilionário — essa é a história da vida dele. Para o empresário, a ABA pretende criar um mundo de Cadillacs, que só podem ser adquiridos por pessoas de posse. E a Faculdade de Duncan quer introduzir Hondas Civic (carro popular nos EUA) no mercado, que cumpre a mesma função de transportar as pessoas. Mas, muitos dos “cadillacs” das atuais faculdades de Direito não saem das fábricas prontos para uso: têm de ser ajustados pelas firmas de advocacia, porque conhecem teoria, mas não sabem advogar.

Fonte: Conjur

No Brasil as faculdades não têm este problema porque o MEC é uma mãe. E em coração de mãe sempre cabe mais um, ou, mais de 1200 faculdades de Direito “filhinhas”.

Mas não deve demorar muito e uma faculdade de Direito poderá pode questionar os critérios do Selo OAB…

OAB anuncia os 90 melhores cursos de Direito do País

Uma crítica ao Selo OAB

Fiscalização de universidades do MEC obedece a interesses políticos, diz Ophir

Artigo: Selo OAB luta por uma educação que atenda o mercado

…tal como a ABMES já tentou limitar a OAB em relação aos processos de reconhecimento de cursos de Direito – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior quer acabar com a interferência da OAB na autorização e reconhecimento de novos cursos jurídicos.

O mercado da educação, ao menos no Brasil, está em franca expansão, e não vejo nenhuma instituição com forças para brecar esse movimento. E quem tentar, inclusive a OAB, será atropelado pelo sistema.

O argumento de reserva de mercado da a Faculdade de Direito de Duncan, da Universidade Lincoln Memorial, lembra demais o mesmo argumento utilizado pelo movimento dos bacharéis em Direito contra o Exame de Ordem aqui no Brasil. O curioso é ver essa tese ser encampada por uma faculdade.

A matéria passa a nítida impressão de que o sistema, nos EUA é elitizado (em tese) e a faculdade estaria tentando “popularizar o ensino”, tal como ocorreu aqui.

E lá quem autoriza o funcionamento das faculdades é a ABA (a OAB deles), desde o começo do século XX, em uma luta contra escolas de Direito Noturnas. Isso causaria calafrios em muita gente por aqui.

Em caso de vitória da faculdade de Duncan, poderemos ter o início de um processo de expansão vertiginoso, tal como ocorreu aqui, no número de vagas e faculdades de Direito na terra do Tio Sam.

Leiam a matéria original publicada no The New York TimesFor Law Schools, a Price to Play the A.B.A.’s Way

Pela matéria percebe-se uma forte pressão, ao menos da mídia, sobre os custos da educação jurídica. E um país em tempos de crise pode ficar bem mais sensível a esse tipo de argumento.

Uma ex-estudante, Keri-Ann Baker, relatou que deixou, entre estudos e custos correlatos, U$ 33 mil dólares por ano (são 4 anos para se formar) em mensalidades quando cursava a Loyola University School of Law, em Chicago. Imaginem se este custo pudesse ser reduzido para apenas U$ 25 mil por todo o curso.

Essa possibilidade é muitíssimo atraente.

Essa crise já acontece não só aqui mas também em Portugal, e provavelmente em outros países também. Agora parece ser a vez da América.

Por Maurício Gieseler em 06 janeiro 2012 às 16:51

Categoria: Ensino jurídico

Sinpro/RS denuncia Anhanguera ao MEC por demissões de professores após avaliação de cursos

Recebi essa notícia de um leitor do Blog por e-mail, tentei achar a fonte dela mas não consegui. Achei uma bem parecida neste link aqui – Mestres são dispensados pela Anhanguera após avaliações de cursos pelo MEC.

Acabei de publicar a notícia de que o grupo Anhanguera promoveu uma mega demissão entre professores com titulação de suas recém-adquiridas unidades da antiga Uniban.

Vejam o que o Sinpro/RS está denunciando:

Sinpro/RS denuncia Anhanguera ao MEC por demissões de professores após avaliação de cursos

O Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul – Sinpro/RS, a par da trajetória do grupo Anhanguera Educacional de desrespeito aos direitos dos professores e sucessivas investidas contra a qualidade do ensino, vem acompanhando com extrema preocupação os acontecimentos em torno da polêmica demissão de 20 professores pela Faculdade Anhanguera Educacional, unidade de Rio Grande.

Além do fato de que a maioria dos demitidos são professores com titulação em nível de mestrado, causa estranheza que o despedimento de um quarto do corpo docente ocorra exatamente após o término das avaliações do MEC em que boa parte dos professores demissionários constam como professores de tempo integral para efeito de avaliação. Essa postura da instituição se configura em fraude ao processo avaliativo do MEC.

Diante dos indícios de irregularidades cometidas pela Anhanguera em relação ao processo de avaliação dos seus cursos, o Sinpro/RS encaminhará denúncia ao MEC solicitando a apuração do caso, pois existe a possibilidade de que essa prática venha a se repetir nas outras unidades educacionais mantidas pela Anhanguera no estado.

O Sinpro/RS permanecerá atento e intransigente na defesa dos direitos dos professores e convida os mesmos a manter o Sindicato informado sobre irregularidades que venha a ocorrer na Anhanguera.

Direção Colegiada

—–

Se for verdade, é uma imensa lástima. O MPF deveria se mobilizar para obrigar, via judiciário, que o MEC refaça o processo avaliativo das instituições afetadas pelas demissões.

E devo ressaltar que tal prática é VELHA neste país, e o MEC não vê porque não quer.

Mas agora, após demitirem 680 professores de uma só vez, não é possível que o leniente MEC não faça nada.

Por Maurício Gieseler em 22 dezembro 2011 às 13:51

Categoria: Ensino jurídico

Grupo Anhanguera promove mega demissão de professores

Maior rede de ensino superior do país, a Anhanguera Educacional demitiu neste final de ano cerca de 680 professores de três instituições adquiridas recentemente na capital paulista e no ABC.

Somente na Uniban da capital, foram cortados por volta de 400 docentes, o que representa metade do quadro. A instituição foi comprada pelo grupo em setembro.

Segundo o Sinpro-SP (sindicato dos docentes), é o maior corte numa instituição em ao menos 20 anos. E boa parte dos demitidos são mestres e doutores, ou seja, com salários maiores.

Também houve cortes de professores no campus ABC da Uniban, na UniABC e na faculdade Senador Fláquer. Juntas, elas possuem pouco mais de 60 mil estudantes.

Nas escolas circula a informação que a Anhanguera contratará docentes para suprir parcialmente o corte, mas com titulação menor e com hora-aula mais baixa.

Segundo professores, um mestre da Uniban ganha R$ 38 por hora. A Anhanguera pagará R$ 26 aos novatos.

Os dados sobre as demissões foram levantados pelos sindicatos dos docentes. Em nota, a Anhanguera confirmou que houve “desligamentos”, sem informar o volume nem como será a reposição.

CRÍTICAS

“A demissão não teve a ver com a minha aula, foi só por causa da titulação”, disse uma docente de psicologia.

“Eles estão fazendo uma reengenharia econômica, com prejuízo às condições de trabalho e de ensino”, afirma o presidente do sindicato paulistano de professores, Luiz Antonio Barbagli.

Outra mudança para 2012 é que os mestres e doutores que permanecerem terão de reduzir suas cargas de trabalho, diminuindo os salários.

Legalmente, as universidades precisam ter ao menos 1/3 de professores com mestrado ou doutorado. Mas há o entendimento de que a porcentagem diz respeito ao número de docentes, não à quantidade de aulas dadas.

Mesmo antes dos cortes, a Uniban já enfrentava problemas de qualidade de ensino.

Na última avaliação federal, a escola teve nota 2 (numa escala de 1 a 5) e foi considerada reprovada pelo governo.

Segundo o sindicato dos docentes do ABC, outra alteração é a diminuição de aulas presenciais. No caso da UniABC, os alunos tinham 20 por semana e passarão a ter 9. Os estudantes receberão aulas à distância.

Fonte: Portal Aprendiz

Em setembro último o Grupo Anhanguera comprou a rede Uniban de ensino por módicos 510 milhões de reais, no até entáo maior negócio na área de educação no Brasil.

Agora, demite 600 professores de graduação de uma só vez, dando ênfase aos professores com mestrado e doutorado, exatamente aqueles que custam mais caro.

São os negócios em detrimento da educação.

O Grupo anhanguera é uma S.A., e como tal precisa gerar dividendos para os acionistas. Alguém desavisado pode achar que a queda no grau de titulação do corpo docente prejudicaria os negócios, mas esse raciocínio não é verdadeiro.

O fator de atração está na massificação (mais de 400 mil alunos, ficando com 15% do total de universitários no Brasil) em razão das baixas mensalidades cobradas.

A escolha é feita em função da capacidade econômica e não da qualidade do ensino.

Querem saber as consequências disso? Vejam os dados abaixo relativos ao Exame de Ordem 2010.3 do grupo Uniban e Anhanguera.

A Uniban, no Exame 2010.3, inscreveu 979 examinandos, e destes apenas 40 lograram aprovação (4,19%)

Já algumas faculdades do Grupo Anhanguera obtiveram desempenhos não muitos melhores. Vejamos dados de algumas dessas instituições:

Faculdade Anhanguera de Bauru: 24 inscritos e 4 aprovados (17,39%)

Faculdade Anhanguera de Campinas: 158 inscritos e 5 aprovados (3,21%)

Faculdade Anhanguera de Jacareí: 13 inscritos e 4 aprovados (30,77%)

Faculdade Anhanguera de Osasco: 26 inscritos e 0 aprovados (0,00%)

Faculdade Anhanguera de Valinhos: 75 inscritos e 3 aprovados (4,05%)

Fonte: Desempenho das faculdades no Exame de Ordem 2010.3

A expressividade dos números do negócio, do business educação superior, em uma primeira análise, não encontra reflexo no desempenho dos egressos daquelas instituições no Exame de Ordem, corroborando com a lógica agora explicitada do negócio em detrimento da qualidade.

Ao se analisar os dados das instituições que mais fornecem egressos para o Exame de Ordem, verifica-se que TODAS apresentam desempenhos pífios na prova:

Nenhuma consegue aprovar mais de 17% de seus egressos, mas todas despejam milhares de bacharéis no mercado por ano. O desempenho é MUITO ruim.

E aqui podemos estabelecer um paralelo: a massificação do ensino tende a prejudicar os alunos, ao menos sob a análise de desempenho no Exame de Ordem.

A lógica na educação superior é a do lucro, e a contrapartida é a entrega do diploma, manifestação tangível da prestações de um “serviço”. O serviço educacional.

Tiram os mestres e doutores e entregam o que de volta? No curso de Direito, ao menos, uma reprovação em massa no Exame.

Culpa dos alunos?

Longe disso…

Pergunto para vocês: a culpa é de quem?

Por Maurício Gieseler em 22 dezembro 2011 às 13:26

Categoria: Ensino jurídico

MEC estrangula instituições de ensino superior

Por Claiton Muriel Cardoso

É com grande espanto que estamos observando as ações do Ministério da Educação, através dos despachos da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior – SERES, penalizando as instituições que obtiveram conceito preliminar de curso insuficiente, até o momento, nos cursos de Medicina, Odontologia, Enfermagem, Farmácia, Biomedicina, Fisioterapia, Nutrição, Serviço Social, Fonoaudiologia e Educação Física.

Tudo o que poderia ser dito sobre a ilegalidade dessas ações já foi dito por profissionais reconhecidos nacionalmente das áreas de avaliação institucional e direito.

O que vem chamando a atenção é a forma como esses despachos têm sido publicados: a conta gotas. Parece que é uma forma do Ministério da Educação se manter na mídia todos os dias. Além disso, onde estão as instituições públicas e os outros cursos que também obtiveram conceitos insuficientes? O MEC já tem a relação de todos.

Qualquer pessoa é capaz de associar “as providências” do MEC à necessidade de exposição na mídia, uma vez que o Ministro lançou recentemente sua candidatura à Prefeitura de São Paulo. Ou, com muito boa vontade, auferir que não há espaço para publicar tudo de uma vez no Diário Oficial da União! Pode ser uma coisa ou outra.

Ótima estratégia. Parabéns! O MEC está tomando as “providências” e é papel da mídia divulgar a informação publicada no DOU.

O que muitos não percebem é a incapacidade do Governo em atender a demanda ao ensino superior, sendo substituído pelas instituições privadas, que, embora amparadas pela Constituição brasileira, aparecem para todo lado como as vilãs.

Seria muito bom que distorções criadas ao longo dos últimos anos também fossem corrigidas, e citamos como exemplos a necessidade da revogação da Lei do Calote (Lei nº 9.870/1999), o cumprimento integral da Lei do SINAES (Lei nº 10.860/2004), a concorrência desenfreada que se estabeleceu nesse mercado por conta da expansão desordenada de vagas, esquecendo o conceito de necessidade social e focando na avaliação como parâmetro para a expansão do ensino superior.

Tudo muito bonito no papel, mas um motorista de táxi é mais protegido pelo sistema do que uma escola particular tradicional. Este tem a seu favor o fato de existir um número controlado de oferta para a demanda de passageiros. Por outro lado as escolas têm que se haver com ofertas de todo tipo, incluindo instituições presenciais e a distância e mais, sem aviso, conviver com absurdos que quebram o pacto legal, este já amplamente discutido.

Com a “liberação geral” iniciada ainda no Governo Fernando Henrique Cardoso, as instituições se viram jogadas no “covil dos leões” com a concorrência batendo à porta X o novo entendimento de que educação é um “bem de mercado”: o que é altamente contestável sob o ponto de vista estratégico.

Cabe às instituições neste momento acionar seus órgãos de representação para que tomem as providências legais cabíveis, porque em conjunto com certeza terão maiores chances de sucesso.

E aquelas fundações, que perderam vagas, assim, de qualquer jeito, sem o cumprimento dos ritos processuais previstos na legislação, têm a obrigação de recorrer à Justiça para garantir os seus direitos, porque se não agirem assim seus dirigentes ainda poderão ser intimados no futuro a prestar contas por desídia no cumprimento de suas funções, no exercício de seus cargos.

Entendemos que não há outra alternativa: a contestação passa a ser um ato obrigatório, tanto para aqueles que prestam contas aos acionistas, quanto aos que se reportam ao Ministério Público.

Aguardem porque segunda-feira tem mais…

Fonte: ABMES

O texto acima carrega um paradoxo. O MEC corta o número de vagas das faculdades por estas apresentarem desempenho sofríveis em seus processos de avaliação e o autor, indignado, reclama do expansão desenfreada de cursos na mesma medida em que reclama do corte das vagas.

Recentemente, coisa de uma semana atrás, vi uma propaganda na televisão do PT mostrando um estudante de baixa renda que agora poderia cursar uma faculdade, pois o governo estava facilitando o ingresso no nível superior.

O ponto é: estudante de baixa renda tem direito a cursar uma faculdade?

Claro que sim!!

O problema está no fato do franqueamento de acesso ao nível superior a qualquer preço, INDEPENDENTEMENTE do fato do estudante ter bagagem intelectual ou não para cursar a sua faculdade.

Com a expansão do número de vagas e da concorrência entre instituições privadas de ensino, somada às facilidades de financiamento, QUALQUER pessoa hoje, com formação ou não, consegue entrar na faculdade.

Qualquer um…

Afinal, ensino agora é produto e as faculdades estão se estapeando para ocupar suas cadeiras e fechar a conta no verde ao final do mês.

O futuro do ensino superior no Brasil é sombrio, muito sombrio.

Vejam também:

Exame de Ordem para que mesmo?

MEC reprova mais 680 instituições superioras de ensino – Dezenas devem ser descredenciadas

Faculdades pagam ONGs e igrejas para captar novos alunos

Universitários brasileiros leem apenas de 1 a 4 livros por ano, revela Andifes

Aluno de universidade de classe média está sem freio, diz docente

Por Maurício Gieseler em 22 dezembro 2011 às 11:30

Categoria: Ensino jurídico

Ensino Jurídico do Brasil é debatido em Dubai

Os cursos de Direito no Brasil são caros e seu financiamento tem taxa de juros elevadíssima. O aumento da oferta destes cursos se dá numa velocidade assustadora e os estagiários brasileiros, se comparados com os de outros países, ganham muito mal. Este foi um dos apontamentos feitos pelo advogado Bruno Barata ao participar da conferência anual da International Bar Association — maior associação de advogados do mundo — que ocorreu em Dubai e debateu o ensino jurídico no Mundo. Bruno Barata abordou o panorama do ensino jurídico no Brasil ao lado de advogados da Suíça, Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul, cada um apresentando as experiências de seu país.

Para Bruno Barata, o mercado do ensino jurídico no Brasil está praticamente esgotado e o grande número de faculdades de direito é assustador. “A concorrência hoje existente oferece uma gama não mais de qualidade de ensino, mas, sim, de diferença de preços e de vantagens oferecidas aos estudantes. Esse dado é preocupante”, afirma o advogado. Ele ainda ressaltou que é comum ver o Ministério da Educação determinar o fechamento de uma série de cursos de direito por apresentar resultados insatisfatórios no Enade, e que as faculdades de direito, públicas e privadas, carecem de melhorias. “O país, por sua atual posição de destaque no cenário mundial, deveria ter um dos melhores conjuntos de universidades do mundo. Contudo, também é comum ver advogados e estudantes de direito procurarem cursos em instituições de ensino no exterior” salientou.

Ao participar da conferência ao lado de profissionais de outros países, Bruno Barata pôde fazer alguns apontamentos comparando a situação dos estudantes de Direito do Brasil com os de outros países. Para ele, a formação jurídica no Brasil difere de diversos países. “Em muitos países o direito é considerado uma especialização, ao contrário dos cinco anos de nossas faculdades”. O advogado vê com espanto a estrutura que os estudantes de direito têm enquanto estagiários. “No Japão, recebem salário de mais de US$ 2 mil do governo por mês; na Alemanha, recebem mais de mil; na Inglaterra, recebem de mil dólares a 6 mil dólares por mês. No Brasil, a realidade é outra. Salta aos olhos que o país está em desenvolvimento e não é possível compará-lo com os acima citados. Porém, eles devem servir de exemplo para que, em um futuro próximo, os estudantes de direito, estagiários e  jovens advogados possuam estruturas em sintonia com a importância da carreira”, afirma Bruno Barata que considera baixo o valor recebido pelos estagiários brasileiros que, conforme explicou, muitas vezes precisam estagiar em outra área para poder arcar com os custos do curso de Direito.

Mas, será que o aumento desenfreado da quantidade de cursos e a baixa remuneração dos estagiários seriam fatores que podem explicar o alto índice de reprovação no Exame da OAB? O ensino jurídico no Brasil vivencia momento de crise? Bruno Barata considera que não. “O alto índice de reprovação no Exame de Ordem não reflete, necessariamente, uma crise no ensino jurídico. Já o aumento da população, o aumento da quantidade de cursos de direito e o aumento da procura por esses cursos são variáveis que devem ser consideradas”, disse o advogado.

Outro ponto que para Bruno Barata merece atenção é o financiamento estudantil. Ele reconhece que no tocante a esta questão, a regra é a mesma para todos os estudantes e que os alunos de outros cursos também sofrem com a alta taxa de juros praticada no Brasil. Porém, ele ressalta que o curso de Direito faz parte de um grupo de que em média apresenta um custo mais elevado que os outros. “Além do custo da mensalidade, o estudante precisa arcar com os gastos com livros de direito que não são baratos”, ressaltou o advogado que enalteceu as diversas iniciativas da advocacia que constantemente promovem cursos, palestras e outros eventos que ajudam estes jovens a aprimorar seus conhecimentos.

Exame da Ordem

Para Bruno Barata, o Exame não é o ideal e pode melhorar. Entre as reformulações que poderiam ocorrer estaria a introdução de uma prova prática: “O Exame exige do candidato a famosa decoreba, o que não é o ideal. Verifica-se que o Exame constitui uma prova, muitas vezes, mais difícil que muitos concursos na área jurídica”.

Mas, o advogado ressalta que o Exame da OAB possui um papel importante, filtrando os profissionais que irão advogar, já que como afirmou, a alta oferta de cursos, entre outros fatores, pode favorecer a formação deficiente de muitos alunos. “É evidente que o índice de reprovação causa polêmica, a ponto de suscitar eventual reserva de mercado. O número de candidatos cresce em número muito maior do que o número de aprovados, tendo em vista a grande abertura do mercado de ensino. Assim, o gráfico acaba por aumentar o índice de reprovação. É necessário que o Ministério da Educação, através de exames como o Enade, sempre fiscalize a qualidade das faculdades de direito, de modo a conferir uma boa estrutura de ensino para todos”, concluiu.

Fonte: Conjur

Por Maurício Gieseler em 15 dezembro 2011 às 10:33

Categoria: Ensino jurídico

Ausência de vocação e as “necessárias” adaptações mercadológicas: A derrocada do ensino jurídico

O artigo Pesquisa revela tendências de estudante de Direito fez referência, na forma de contraponto, a um trabalho chamado “Ausência de vocação e as “necessárias” adaptações mercadológicas: A derrocada do ensino jurídico” cujas autoras, Bárbara Valentim Goulart e Débora Nitz Ferreira Elias, abordam a crise no ensino jurídico e suas causas.

O trabalho, publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza – CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010, aborda a crise vocacional nos cursos de Direito e a incapacidade deste em oferecer uma formação adequada para propiciar o desenvolvimento de advogados atuantes, críticos e preparados para atender às necessidades da sociedade.

Um trecho do texto chamou a atenção:

A transformação do ensino jurídico em mercadoria, considerando a necessidade de atendimento da demanda de alunos desprovidos de vocação e ao mesmo tempo interessados em assumir cargo público, fica demonstrada pela análise das grades curriculares, e verificando o grande número de disciplinas dogmáticas propostas, em contraposição ao número de disciplinas propedêuticas existentes. Assim, o Direito que se escolheu ensinar hoje é apenas o legalista, positivado na lei, o modelo central do ensino jurídico caracterizase pela descontextualização, dogmatismo e unidisciplinariedade e este é diretamente responsável pela crise vocacional.

Não por um acaso, o Exame de Ordem, hoje, é um reflexo desse dogmatismo estéril, retroalimentando os próprios cursos de Direito. Os cursos são dogmáticos, a prova também é. Ou, se a prova é dogmática, os cursos também devem ser.

Se para a OAB a excelência do ensino jurídico está em seu selo…

OAB anuncia os 90 melhores cursos de Direito do País

Selo OAB: apresentação de Ophir durante entrevista

Thomaz Bastos: Selo OAB mostra qual universidade não comete estelionato

Artigo: Selo OAB luta por uma educação que atenda o mercado

…o que imaginar de uma prova que projeta apenas a parte mais pobre da formação universitária?

Uma crítica ao Selo OAB

A resposta é simples: o balizamento por baixo da qualidade do ensino.

Os cursos preparatórios para a OAB são populares, e mesmo necessários, em função de serem, na essência, “intensivões” de dogmatismo jurídico aplicado.

Têm um propósito e se encaixam bem nele, porquanto são apenas o reflexo da sistemática imposta pela lógica educacional sancionada pelo MEC e pela lógica de seleção criada e mantida pela OAB.

É um circuito fechado. E funciona bem, visto em si mesmo.

Cliquem no link abaixo e leiam este interessante trabalho:

Ausência de vocação e as “necessárias” adaptações mercadológicas: A derrocada do ensino jurídico

Por Maurício Gieseler em 14 dezembro 2011 às 10:58

Categoria: Análise crítica do Exame, Ensino jurídico

Pesquisa revela tendências de estudante de Direito

O entendimento do Direito provoca mudanças significativas na visão de mundo dos estudantes. De um perfil conservador a moderado, no início da faculdade, observa-se uma tendência mais progressista nos períodos finais. Esta é uma das principais conclusões da pesquisa realizada com o corpo discente da FGV DIREITO RIO pelos alunos da disciplina Jurimetria, que foram orientados pela professora Luci Oliveira.

“A disciplina tem como objetivo ensinar ao aluno que as técnicas quantitativas e qualitativas de pesquisa são ferramentas da argumentação jurídica, contribuindo para a formação de profissionais mais completos e preparados capazes de analisar criticamente os dados empíricos. Essa pesquisa é uma forma de os próprios estudantes pensarem sobre os seus anseios profissionais e visões de mundo”, explica a professora.

Tendências políticas e cidadania

Para o aluno Gabriel Maciel, entender o pensamento dos futuros operadores do Direito é um exercício de compreensão dos rumos da sociedade. “Os profissionais da área são importantes atores políticos na medida em que zelam pelas garantias do Estado de Direito. Por isso, saber o que pensam os estudantes é uma forma de identificar como vai ser e o que podemos esperar da sociedade no futuro”, afirma.

Para chegar ao resultado que mostra a influência do curso no grau de conservadorismo, os estudantes criaram indicadores. Em uma escala de 0 a 4, a média foi 2.03, apontando uma tendência moderada no perfil geral. A tendência progressista está mais presente nos períodos finais. Este índice incluiu entre outros fatores a opinião em relação à redução da maioridade penal. No primeiro período, 58% disseram ser favoráveis. O percentual cai para 38% quando a avaliação refere-se à opinião dos estudantes do último, revelando a preocupação deste grupo com medidas restritivas de direitos.

O estudante Pedro Siquara se considera um exemplo quando o tema é a mudança de pensamento provocada a partir das reflexões em sala. “Hoje eu já percebo o quanto é tênue a linha entre a liberdade individual e o poder do Estado. Devemos buscar permanentemente este equilíbrio para a manutenção dos direitos democráticos”, avalia.

Outro fator mensurado na pesquisa foi o interesse político. “Os dados indicam que há uma relação direta entre o índice de leitura dos alunos e o interesse político”, explicou o aluno Jacques Rubens, que acredita que as matérias estudadas na faculdade estimulem o engajamento social dos jovens. Neste quesito, os alunos também estão na média. Em uma escala de 2 a 24, o índice foi 13.

Vocação e perspectivas para o futuro

Um dado que chamou a atenção dos estudantes foi o alto índice de pessoas (42%) que afirmou ter escolhido Direito em virtude da vocação e a certeza da escolha, visto que a maior parte entra muito cedo na faculdade, por volta dos 17 anos. O dado destoa de uma pesquisa “Ausência de vocação e as necessárias adaptações mercadológicas: a derrocada do ensino jurídico”, segundo a qual existe uma crise vocacional no curso de direito, que apesar da alta demanda não estaria relacionada com o talento nato do jovem.

“Foi muito interessante comparar a nossa pesquisa com este outro estudo. Acreditamos que o fato de os alunos, de um modo geral, saírem empregados da faculdade seja um fator que os mantenha estimulados e certos de suas escolhas profissionais”, avalia o aluno Pedro Siquara.

O grupo de trabalho do aluno Édipo Andrade observou uma tendência de o estudante inovar a área de escolha quando tem outro profissional do Direito na família. “Em geral, o aluno faz a opção por uma área de atuação diferente da escolhida pelo parente”, diz o aluno, de 23 anos, que deseja abrir um negócio quando concluir a faculdade.

Aliás, os planos para o fim da faculdade são muitos. Jacques, por exemplo, deseja atuar em um grande escritório. Pedro quer trabalhar no departamento jurídico de uma grande empresa. Já Gabriel planeja seguir a área de Direitos Humanos e estar daqui a cinco anos em uma missão da ONU na África. Com a dedicação desta turma, ninguém duvida que, em breve, esses sonhos se tornarão realidade.

Fonte: FGV

Uma frase no texto acima chamou a minha atenção, pois ela guarda estreita correlação com as expectativas produzidas pelo Exame de Ordem: “Acreditamos que o fato de os alunos, de um modo geral, saírem empregados da faculdade seja um fator que os mantenha estimulados e certos de suas escolhas profissionais“.

Por que o Exame de Ordem assusta tanto?

Porque por ele, de forma preponderante, começa a carreira de um profissional do mundo jurídico. Os concursos públicos mais almejados exigem experiência jurídica e essa é obtida no exercício da advocacia, e, claro, a própria advocacia só é possível com a aprovação no Exame.

E nós sabemos bem como anda o percentual de reprovação a cada edição do certame: 85%.

Isso sem desconsiderar a pressão social imposta aos candidatos para que passem (e de primeira, de preferência) no Exame.

Altos percentuais de reprovação, perspectivas de futuro profissional e a necessidade de aprovação são os fatores agregados à percepção de estímulo para a carreira e da certeza das escolhas profissionais, estruturando uma perspectiva complexa para os candidatos diante do envolvimento no processo de aprovação no Exame, e principalmente diante da perspectiva do fracasso.

O Exame de Ordem é constitucional e não vai acabar. Ou seja, a carreira, de forma preponderante, depende do sucesso na prova. O transcurso desse período sensível na vida dos estudantes e bacharéis em Direito deve ser projetado e considerado com muita atenção desde cedo.

Conheço muitos, mas muitos candidatos (inclusive pessoalmente) cujo o drama da reprovação sistemática na prova corrói a autoestima. E muitos, posso dizer, não são vítimas exclusivas dos desmandos ocorridos na prova.

Tenham em mente o seguinte: o importante é ter a consciência de ter se preparado com seriedade para a prova, não só quando o curso está chegando ao fim, é claro! Disso depende, e muito, a manutenção dos sonhos.

E se o fracasso sobrevier, que ele seja a mola motivacional para impulsioná-los na direção certa. O fracasso não representa um drama em si mesmo quando dele o candidato não só tira lições sobre suas causas como também lhe obriga a tomar uma atitude séria relacionada ao comprometimento com os estudos.

O Exame de Ordem reprova! Essa é a regra!! Nem todos passam e a tendência com a expansão do ensino superior, incluindo aí o ensino jurídico, é de piorar esse quadro.

São vocês contra o sistema. E o sistema já prevaleceu ao conseguir a ratificação da constitucionalidade do Exame. Só resta a cada um o estudo abnegado para que o estímulo com a profissão almejada, seja ela a da advocacia ou dos concursos, não seja embotado.

Fica o convite à reflexão.

Por Maurício Gieseler em 14 dezembro 2011 às 10:02

Categoria: Ensino jurídico, Motivacional

Brilho apagado: Conar veta anúncio da Unip sobre aprovação no Exame de Ordem

O Conar, órgão que regulamenta publicidades, proibiu a Unip de veicular anúncios em que afirma ser a universidade que mais aprova alunos no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

A informação é da coluna Mônica Bergamo publicada na edição desta terça-feira da Folha.

De acordo com a coluna, a instituição terá que dizer em seus anúncios que a informação se refere aos números absolutos de aprovações, e não ao percentual de aproveitamento.

A Unip teve 230 aprovados no último exame, mas inscreveu 3.020 alunos (aproveitamento de 7,6%). A UnB, com 43 inscritos, aprovou 29 (67,4%). A USP teve 191 alunos aprovados, ou 63,4% dos 301 que prestaram o exame.

Fonte: Folha

Essa notícia é uma maravilha!

A Unip valia-se desse marketing – Unip diz que brilha no Exame da OAB, mas aprova apenas 6,7% – direcionado para quem ainda vai entrar na faculdade, visando conseguir mais alunos, quando seu desempenho no Exame de Ordem, como mostra os números acima, sempre foram medíocres.

Afinal, aprovar no Exame só 7,6% de seus egressos não pode ser objeto de comemoração e muito menos de marketing.

Essa faculdade inclusive apresentava um vistoso slogan: “A Unip brilha no Exame da OAB“:

E não só a Unip se valia do fato de ter um imenso volume de alunos, gerando as “maiores” aprovações em termos numéricos (13,13 candidatos são reprovados para cada aprovado), como muitas outras faculdades, todas particulares, usam do mesmo artifício para mascarar o real desempenho de seus egressos no Exame da OAB.

O Conar tem de abrir os olhos para essas faculdades também.

Por Maurício Gieseler em 13 dezembro 2011 às 11:30

Categoria: Ensino jurídico