MEC notifica 30 universidades por problemas no número de estudantes que fizeram Enade

O MEC (Ministério da Educação) divulgou nesta sexta-feira (23) que notificou 30 instituições de ensino superior por “inconsistência dos dados” entre o número de alunos registrados pelo Censo e o total de estudantes que fizeram o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).

Na quinta (22), o órgão anunciou que irá fazer uma auditoria na Unip (Universidade Paulista) por causa de uma suposta fraude na prova que avalia as universidades.

De acordo com o ministério, nessas 30 faculdades, o número de alunos no terceiro ano era muito superior ao dos que prestaram o Enade, o que poderia indicar que elas deixavam somente os melhores alunos fazerem a prova. O resultado do Enade influi diretamente na “nota” da instituição.

O ministério afirmou que já recebeu resposta de algumas, sem, no entanto, precisar quantas. A notificação foi feita no começo do mês de março. O órgão também não disse quais universidades foram notificadas.

Fonte: UOL

O ensino superior no Brasil está virando caso de polícia…

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MEC faz auditoria na Unip e descredencia São Marcos

Por Maurício Gieseler em 23 março 2012 às 14:39

Categoria: Ensino jurídico

Mais faculdades de Direito saindo do forno…

Comissão da OAB Nacional analisa pedidos de 20 cursos jurídicos no País

Brasília, 22/03/2012 – A Comissão Nacional de Educação Jurídica examinou, nesta quinta-feira (22), pedidos de autorização, renovação de reconhecimento e reconhecimento de 20 cursos jurídicos, em conformidade com o preceito legal que dá à Ordem dos Advogados do Brasil a prerrogativa de opinar previamente nos processos de criação, reconhecimento ou credenciamento de novos cursos junto ao Ministério da Educação (Art. 54, XV da Lei 8.906/2004).

Os pareceres da Comissão, apesar de sua previsão legal, têm caráter meramente opinativo (e não vinculativo) junto ao Ministério. Dentre os critérios da OAB para justificar a abertura de um curso jurídico destacam-se o projeto educacional da faculdade, a qualidade do corpo docente, a estrutura física e se a instituição atende ao requisito social exigido para seu funcionamento. Posteriormente os resultados dos cursos que obtiveram parecer favorável serão encaminhados pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, ao MEC.

Veja a lista das instituições que tiveram seus processos apreciados hoje:

1. Faculdade América Latina – Caxias do Sul (RS)

2. Faculdade de Ciências Humanas e Exatas do Sertão do São Francisco – Belém do São Francisco (PE)

3. Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa – São Paulo (SP)

4. Faculdade Sete de Setembro – Paulo Afonso (BA)

5. Faculdade de Direito de Alta Floresta – Alta Floresta (MT)

6. Faculdade de Tecnologia do Piauí – Teresina (PI)

7. Faculdade Anhaguera de Jundiaí – Jundiaí (SP)

8. Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro – Cruzeiro (SP)

9. Christus Faculdades do Piauí – Piripiri (PI)

10. Faculdade de Birigui – Birigui (SP)

11. Faculdade FAE Blumenau – Blumenau (SC)

12. Faculdade Conecista Nossa Senhora dos Anjos – Gravataí (RS)

13. Instituto Superior Tupy – Joinville (SC)

14. Faculdade Alvorada de Tecnologia e Educação de Maringá – Maringá (PR)

15. Instituto de Educação Superior Raimundo Sá – Picos (PI)

16. Faculdade La Salle – Manaus (AM)

17. Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco – Recife (PE)

18. Instituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro Victório Cardassi – Bebedouro (SP)

19. Universidade Federal de Pernambuco – Recife (PE)

20. Universidade Estadual de Alagoas – Arapiraca (AL)

Fonte: OAB

É inacreditável que ainda se cogite criar mais faculdades de Direito neste país. Atualmente o Brasil forma 10 bacharéis em Direito por hora, 243 por dia, 88.695 por ano, em uma desproporção absurda comparando com o resto do mundo.

Em outubro último mais faculdades receberam o aval do MEC para funcionarem MEC autoriza o funcionamento de mais faculdades de Direito, como se não existissem aqui mais faculdades de Direito do que o resto do mundo somado.

A OAB provavelmente vai dar um parecer negativo para todas essas instituições, mas se o parecer não é vinculativo, não serve de nada. Aposto como todas receberão, ao fim, o aval do MEC.

O mercado já está saturado, mas parece que o Governo e a ganância dos empresário do setor da educação superior querem ir além, atingindo a supersaturação absoluta do sistema.

Resultado? O Exame de Ordem, cada vez mais e mais tornar-se-á difícil.

E creiam-me, se hoje é ruim, tem como ficar pior, bem pior…

Quando é que vão por um basta nisso?

Por Maurício Gieseler em 23 março 2012 às 10:54

Categoria: Ensino jurídico

MEC faz auditoria na Unip e descredencia São Marcos

O Ministério da Educação (MEC) decidiu instaurar uma auditoria na Universidade Paulista (Unip) para aprofundar as investigações em relação a irregularidades com o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Com prazo de 60 dias, a auditoria inclui ainda a visita de avaliação in loco em todos os cursos da Unip em fase de renovação de reconhecimento.

Atualmente, a universidade tem 100 cursos nessa categoria. As avaliações in locoincluem análise detalhada de todos os dados relativos ao cursos, como atas de formatura. A auditoria no local acarretará em um custo de R$ 600 mil para Unip – que pagará R$ 6 mil por curso avaliado pelo MEC. Essa auditoria pode resultar até em descredenciamento de cursos.

A decisão foi tomada pelo MEC após confrontar as denúncias de irregularidades na aplicação do Enade – reveladas pelo Estadão.edu – com as alegações apresentadas pela Unip. A auditoria terá um prazo de 60 dias e será realizada pelo instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e pela Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão do Ensino Superior).

Instituições com cursos com notas notas acima de 3 no Conceito Preliminar de Curso (CPC) estão dispensadas de avaliação in loco. O fato de o MEC ter determinado a visita mostra que o ministério não tem confiança nos dados da Unip.

O Ministério da Educação decidiu nesta quinta-feira também descredenciar a Universidade São Marcos, no Ipiranga, zona sul de São Paulo, após processo administrativo em que se verificaram inúmeras irregularidades, que comprometem o funcionamento da instituição.

Com o descredenciamento, a instituição deverá providenciar a transferência dos alunos e a entrega da documentação acadêmica aos interessados em 90 dias.

Fonte: Estadão

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Faculdade teria prejudicado alunos de Direito para melhorar sua nota no Enade

Unip é acusada de turbinar notas do Enade e MEC cobra explicações

Por Maurício Gieseler em 23 março 2012 às 08:40

Categoria: Ensino jurídico

Faculdade teria prejudicado alunos de Direito para melhorar sua nota no Enade

O Ministério da Educação recebeu e respondeu em maio de 2009 a uma denúncia de que a Universidade Paulista (Unip) selecionaria seus melhores alunos para fazer o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), obrigatório para todos os convocados. A pasta apura agora por que não tomou providências à época.

Estudantes de Direito da Unip de São José dos Campos enviaram à Ouvidora do MEC, em 19 de maio de 2009, um e-mail com a mensagem de que lá havia “uma regra de não passar para o próximo semestre toda a sala com intuito de não fazer o Enade, devido às péssimas notas e falta de preparação desses alunos“. Seis dias depois, a Secretaria de Educação Superior respondeu que procedimentos como dependências e critérios de avaliação “são de autonomia da instituição”. O e-mail da secretaria nem menciona o Enade.

A bacharel em Direito Roberta Costa, de 29 anos, estava à época no 9.º semestre do curso, e portanto faria o Enade no fim do ano. Segundo ela, professores de pelo menos três disciplinas cobraram em provas conteúdo do semestre seguinte, com o objetivo de reprovar um grande número de alunos. Desta forma, os alunos não completariam carga horária suficiente para serem convocados para o Enade. “No turno da noite, cerca de 50 alunos tomaram bomba e apenas 3 fizeram o Enade“, contou. Ao contrário de suas expectativas, porém, os alunos não tiveram de refazer as disciplinas no ano seguinte. Em abril de 2010, sem refazer as provas e sem frequentar aulas desde o fim do ano anterior, todos receberam os diplomas.

Depois da resposta do MEC por e-mail, estudantes da Unip, Roberta inclusive, reuniram-se com dois servidores da pasta em São Paulo, em 19 de junho de 2009. A identidade da servidora não foi confirmada ontem pelo MEC. De acordo com Roberta, o outro servidor (na foto de costas, próximo à porta) estava bem pessimista sobre resultados da reunião. “Isso aí não vai para a frente”, teria dito ele, segundo a ex-aluna. “Esquece, não vai dar certo”. Procurada, a Unip disse desconhecer a reunião de estudantes com servidores do MEC.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, alterou anteontem as regras do próximo Enade. Além dos alunos que se formam em dezembro de 2012, como previa a norma atual, terão de fazer a prova estudantes que concluírem o curso em agosto de 2013. A mudança vem no rastro da denúncia divulgada pelo Estadão.edu de que a Unip selecionaria apenas os melhores alunos para melhorar a nota da instituição.

Fonte: Estadão

Que coisa, hein? Essa história, se verdadeira, representa uma grossa fraude.

A verdade é que o estudante precisa saber muito bem como escolher sua instituição de ensino, e mais do que isso, até mesmo se compensa ou não ficar nela. Após a formatura a marca da instituição fica colada ao nome do agora bacharel. Daí em diante não vai adiantar chorar lamentações.

A instituição é importante para a carreira – O nome da faculdade de Direito pesa no curriculum?

Reflitam sobre isso.

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Unip é acusada de turbinar notas do Enade e MEC cobra explicações

Brilho apagado: Conar veta anúncio da Unip sobre aprovação no Exame de Ordem

Por Maurício Gieseler em 16 março 2012 às 08:24

Categoria: Ensino jurídico

Pirataria oficializada? Nova lei pode liberar xerox de livro inteiro

Uma possível mudança na lei de direitos autorais, em análise na Casa Civil, vai facilitar a vida dos estudantes que sofrem para pagar o preço exigido pelos livros e apelam até para o scanner na hora de copiar textos. Caso o projeto seja aprovado no Congresso, o xerox de uma obra inteira, que é proibido hoje, será liberado para uso não comercial.

Atualmente, só é permitido copiar algumas páginas e capítulos – apesar de não ser difícil encontrar papelarias que fotocopiem o livro todo.

O anteprojeto de lei, construído pelo Ministério da Cultura (MinC) nos últimos anos por meio de consultas públicas, pode ser avaliado ainda neste semestre, segundo Marcia Barbosa, diretora de direitos intelectuais da Secretaria de Políticas Culturais da pasta.

Além da possibilidade da cópia do livro original na íntegra para uso privado – até mesmo para meios digitais -, as alterações da lei preveem a possibilidade de uso educativo das obras. “É o uso didático de um livro em sala de aula. O professor pode mencionar o livro, mostrá-lo e fazer citações pequenas.”

As possíveis mudanças com a revisão da Lei dos Direitos Autorais preocupam a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR). O advogado Dalizio Barros, representante da ABDR, diz que permitir a cópia do livro inteiro pode fazer a situação sair do controle. “Não pode haver fins lucrativos. Então, a cópia não pode ser feita numa copiadora, que teria lucro com isso. Tem que ser por conta própria e não vale cópia da cópia”, explica.

Barros afirma que a maior preocupação da associação hoje é a pirataria digital. “As mídias eletrônicas são ignoradas pela lei. Um PDF num e-mail vai para todo mundo em questão de minutos – é uma pulverização muito grande.” Segundo ele, alguns livros são caros porque são importados. Além disso, afirma, as bibliotecas deveriam ser melhor aparelhadas.

Com os altos preços dos livros e a proibição de tirar cópias de obras inteiras, os universitários se viram para economizar e, ao mesmo tempo, não deixar de estudar. As ideias vão além da famosa “pasta do professor”, em que o docente deixa os textos das aulas disponíveis para cópia na sala de xerox da faculdade – prática condenada pela ABDR. Algumas infringem a lei, como pegar livros da biblioteca da faculdade e fotografar as páginas – para depois enviar para os colegas de sala, por exemplo.

Opções. Há quem prefira os livros usados. Lucas Filippelli, de 21 anos, estudante de Engenharia de Produção de uma universidade particular do ABC, compra as obras que seus veteranos de curso utilizaram nos anos anteriores. “Paguei R$ 200 em três. O preço de um só novo é R$ 250″, conta. “Seria melhor se os livros fossem mais baratos. Prefiro gastar R$ 150 em um novo do que R$ 90 em xerox, que pode vir com folhas e letras faltando.”

A internet também facilita a busca. “Alguns artigos encontro no Google Acadêmico ou no Google Books. Quando não acho, alguém da sala escaneia partes ou o livro todo e gera um PDF”, afirma a estudante de Design de Moda Camila Regis, de 20 anos. A atual legislação é criticada pelos estudantes. “É inútil por ser de difícil controle – seja pelo xerox, seja por meios digitais”, afirma Paulo Amarante, de 26, estudante de Engenharia.

Alguns alunos não acreditam que as mudanças na lei vão alterar o cenário. “Haverá apenas a manutenção do sistema, em que só parte da população tem condições de comprar livros”, afirma Julio de Souza Neto, de 23 anos, aluno de Geografia. Ele calcula que gastaria R$ 2,5 mil por semestre se comprasse todos os livros da bibliografia do curso.

Os professores que lecionam em faculdades e universidades destacam ainda mais um problema: muitos livros – alguns clássicos e essenciais para os cursos de ensino superior – têm edições esgotadas.

“Existem livros que só se consegue pela fotocópia. Isso dificulta inclusive no planejamento das aulas, por exemplo”, afirma Caroline de Mello Freitas, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e da Faculdade Santa Marcelina.

Fonte: Estadão

Vamos falar a verdade: desde quando a atual legislação consegue deter a cópia não autorizada de material didático?

O avanço das tecnologias, em especial a internet, está atropelando o conceito de proteção à propriedade intelectual.

Na minha casa tenho uma HP Officejet que escaneia um documento em vários formatos, inclusive PDF ou DOC. Na minha casa e mais na casa de boa parte das pessoas que possuem um computador. Quer achar um livro qualquer de graça? Faça uma busca um pouco meticulosa na internet e vocês possivelmente acharão a obra em PDF. Correm o risco de pegar um vírus também, mas em regra, acha.

Não é a vedação de se tirar cópia em uma gráfica que vai mudar uma realidade já posta. A legislação atual é simplesmente inútil.

O comportamento dos chamados consumidores é sempre no sentido de maximizar a sua própria satisfação.

“”A Zara se aproveita de trabalho escravo? Tudo bem, mas lá tem uma roupa L-I-N-D-A por um preço maravilhoso“”

“” A Foxconn produz iPhones e iPads explorando até o limite seus funcionários? Dane-se, eu quero um para mim“”

O consumidor, em regra, não pensa no custo social de um objeto qualquer de consumo. Ele pensa é no proveito pessoal e em satisfazer suas necessidades.

Essa é a lógica do sistema e é isso, na essência, que move as trocas econômicas e justificam, na mente dos consumidores, a pirataria.

Uma curiosidade: busquem em qualquer grande site de venda de livros no Brasil um livro que tenha existência física e sua versão digital. Comparem os preços. Vocês verão que o livro digital, se muito, é apenas 10% mais barato do que sua versão impressa.

O que justifica isso? O livro impresso precisa de uma infraestrutura de logística e de produção que o livro virtual dispensa.

Cerca de 40% do preço de um livro físico é da loja que o vende; de 5 a 10% ficam o autor, há também o custo de imprimi-lo (papel e gráfica) armazená-lo e transportá-lo, sem contar com toda a mão de obra envolvida nessa operação.

NADA disso é necessário no livro digital.

Pergunta: porque os preços são tão semelhantes??

Ganância, é claro!

Com o avanço das tecnologias, o mercado em algum momento vai começar a perceber que sua existência dependerá da adequação dos preço aos novos tempo. Em suma: o preço dos livros vai cair, gostem ou não.

Pirataria é uma resposta dos agentes racionais em busca da satisfação de suas necessidades que encontram um obstáculo de ordem econômica. E, com a facilidade de se copiar esse conteúdo, a pirataria perde seu ar de “crime” e passa a ser socialmente aceita.

Lembram da indústria fonográfica e o advento do MP3? Já perceberam que praticamente não existem mais lojas de CD’s? Ou que o Brasil entrou na rota dos grandes shows internacionais?

Isso porque a fonte de receita saiu em larga escala da venda de discos e passou a advir dos shows. Qualquer um copia facilmente música hoje. Isso mudou a indústria fonográfica.

A indústria editorial neste país só está começando a enveredar pelo mesmo caminho.

O Direito hoje não apresenta respostas para realidade – está só no campo do dever ser. Ou o mercado se adapta, compreendo a velocidade das mudanças tecnológicas, ou ele vai se tornar irrelevante.

Aliás, em breve a própria figura da editora poderá sucumbir. Ou vocês nunca ouviram falar no iBooks Author, por exemplo?

As tecnologias sempre engoliram o Direito. Não vai ser diferente agora.

Ou os preços dos livros caem ou as editoras vão quebrar.

Por Maurício Gieseler em 12 março 2012 às 12:31

Categoria: Doutrina para a prova, Ensino jurídico

Unip é acusada de turbinar notas do Enade e MEC cobra explicações

Depois de receber uma denúncia, o Ministério da Educação enviou ofício ontem, 1, à Universidade Paulista (Unip) cobrando, no prazo de dez dias, explicações sobre indícios de irregularidades nas notas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), carro-chefe de uma agressiva campanha de marketing veiculada na imprensa e em outdoors. Quarta maior universidade do País, com 200 mil estudantes, a Unip é acusada de selecionar apenas os melhores alunos para fazer o Enade: quanto menor o número de inscritos no exame, melhor é o desempenho da instituição. Com isso, pode colocar em xeque todo o sistema de avaliação do ensino superior.

Enade é carro-chefe de campanha de marketing da Unip

Segundo relatório enviado ao presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Luiz Cláudio Costa, e repassado ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a universidade “esconde” seus alunos com notas mais baixas, para que não façam o Enade. Três professores e um ex-funcionário da Unip confirmaram ao Estadão.edu que existe uma orientação nesse sentido.

Estudantes de desempenho médio para baixo ficam com notas em aberto na época da inscrição para o Enade. Em 2010, estavam aptos a fazer o exame alunos do último ano que tivessem completado pelo menos 80% da carga horária do curso até o dia 2 de agosto. Com as notas em aberto, os piores não completam 80% da carga horária e só os melhores da classe fazem o exame. No curso de Odontologia de Campinas, por exemplo, só cinco alunos prestaram o Enade 2010. Tiveram nota média de 4,79 em 5 possíveis. O curso passou a ser considerado o melhor do Brasil, superando universidades estaduais e federais.

Depois do período de inscrição para o Enade, os alunos de médio/baixo desempenho recebem a nota que faltava. Segundo os professores ouvidos pelo Estadão.edu, isso geralmente acontece após a entrega de um trabalho de pesquisa ou alguma tarefa individual. Ocorre, então, um fenômeno curioso: alunos que não prestaram o Enade (a maioria da turma) se formam com os colegas que fizeram o exame.

“Uma coisa é você dar prêmio, pen drive para quem vai bem no Enade. Esconder o aluno e devolvê-lo à turma depois do exame é fraude”, diz um ex-dirigente do MEC que pediu anonimato.

Procurada pela reportagem, a Unip afirmou em nota que os resultados no Enade “decorrem das medidas que são continuamente tomadas pela universidade para qualificar cada vez mais os seus cursos”. Entre essas medidas a Unip cita a atualização de programas, revisão de bibliografias, acompanhamento das avaliações, produção de material didático, investimento nos laboratórios e infraestrutura, utilização de novos recursos didáticos e capacitação de professores.

O Estadão.edu teve acesso à variação da nota média de faculdades e universidades de todo o País nos Enades de 2007 a 2010 em cinco cursos da saúde. No curso de Nutrição, por exemplo, a nota da Unip subiu 207% do Enade de 2007 para o de 2010, muito acima da melhora na média nacional, de 25%. Mas o número de inscritos da Unip no Enade despencou 79,5%, de 283 para 58.

Em Enfermagem, a melhora das notas foi de 3,7% na média nacional e de 107,94% na Unip. Em Farmácia, a nota média nacional subiu 34,2%; a da Unip subiu 149,6%. Em Fisioterapia, houve queda no desempenho médio no País, de -13,4%. O da Unip, porém, melhorou bem: 54,7%.

Em Odontologia, também houve queda na nota do conjunto das faculdades e universidades, de -2,67%. Novamente a Unip destoou das demais: sua nota subiu 49,5%.

Em 2007, a Unip tinha três cursos com nota 4 e 5 no Enade. Em 2010, esse total saltou para 69.

“Os números mostram que eles estão selecionando os alunos que prestam o Enade para melhorar a nota”, diz o dirigente de uma concorrente da Unip. Segundo ele, a melhora exponencial do desempenho da universidade no Enade já levanta suspeitas no mercado há meses. “A questão é que eles subiram muito em apenas três anos, que é um período muito curto para você reformular um curso. Ou teve seleção de alunos ou a Unip merece indicar o próximo ministro da Educação, porque o resultado deles é totalmente fora da curva.”

Um exemplo de resultado fora da curva: em 2007 a melhor unidade de Enfermagem da Unip no Enade ficou na 150.ª posição. Três anos depois, passou a liderar o ranking do setor.

A mesma coisa acontece com os outros cursos da Saúde. Em Nutrição, a Unip não teve em 2007 nenhuma unidade entre as notas top, ou seja, não figurou entre os 20% de melhor desempenho. Em 2010, 16 dos 17 cursos de Nutrição da Unip ficaram no grupo de ponta.

O relatório enviado a Mercadante, feito por um especialista do ensino superior, faz uma comparação entre o número de alunos que entra na faculdade ou universidade (ingressantes) e o de inscritos no Enade. Mostra que a Unip caminha na contramão do sistema, no qual a taxa de participação no exame tem aumentado.

Em 2007, 13.358 estudantes entraram no 1.º ano em cursos superiores de Nutrição no País. Naquele ano, as faculdades e universidades inscreveram no Enade 6.631 alunos (49,6% do total de ingressantes). Em sete unidades da Unip no Estado de São Paulo, essa relação porcentual era ainda mais alta, de 53,4%.

Em 2010, mais alunos de Nutrição passaram a fazer o Enade. Em nível nacional, a relação entre alunos do 1º e do último ano cresceu para 53,4%. Nas unidades paulistas da Unip, ocorreu o inverso. O índice caiu para 10,8%.

* Corrigido às 19h14. Em 2007, a Unip tinha três, e não quatro cursos com nota 4 e 5 no Enade.

Fonte: Estadão

Algumas práticas de instituições de ensino superior privadas são bastante, digamos, “inusitadas”. Confiram:

Justiça manda Universidade Gama Filho reintegrar demitidos

Conar manda faculdade alterar anúncio sobre Exame de Ordem

Grupo Anhanguera promove mega demissão de professores

Faculdades pagam ONGs e igrejas para captar novos alunos

Péssima qualidade dos cursos reduz procura por cursos de direito

Cada classe deveria ter seu próprio exame de suficiência, isso sim.

Por Maurício Gieseler em 09 março 2012 às 08:52

Categoria: Ensino jurídico

O nome da faculdade de Direito pesa no curriculum?

“”Olá,

Eu estou entrando agora na faculdade de Direito e gostaria de saber se, na hora da avaliação do currículo por grandes escritórios de advocacia, o nome da faculdade ou universidade pesa muito. Ou se o que conta é mais o esforço do próprio aluno nos estudos.

Desde já, obrigado!“”

Essa pergunta, relevante por sinal, é muito fácil de responder: pesa, e pesa muito.

Conheço vários advogados aqui em Brasília que adotam uma mesma técnica prévia de seleção de currículos. Eles só leem os currículos de estudantes da UnB ou do UniCeub.

Esse procedimento exclui os estudantes de 21 outras faculdades de Direito do DF.

Não estou brincando: isso é sério!

O argumento é simples: os estudantes das demais faculdades, na média, são muito ruins. Ninguém fala sobre esse assunto ostensivamente, mas o raciocínio é esse e ele é posto em prática. Eles sabem, por experiência, quais instituições têm melhores alunos, ou, ao menos, alunos aptos a desempenhar satisfatoriamente as tarefas em um escritório.

E essa é uma realidade provavelmente compartilhada em todo o país.

Toda vez que sai o resultado final do Exame de Ordem por instituição de ensino as redes sociais entram em um intenso burburinho. Rapidamente as instituições que foram “bem” (qualquer percentual acima da maioria é algo bom, mesmo que seja só uns 20%) começam a propagandear a excelência do seu ensino. Quem foi mal providencia as desculpas (e são muitas desculpas).

Isso tem por base, em princípio, não a imagem em si da instituição, mas sim a prospecção do mercado. Obviamente, dentro de um mercado muito competitivo, quem obtém bons resultados tem como aumentar seu prestígio, e assim aumentar a demanda pelos seus cursos.

Lembro-me muito bem da polêmica criada recentemente pela divulgação, pela OAB, do “Selo OAB de Qualidade”:

OAB anuncia os 90 melhores cursos de Direito do País

Selo OAB: apresentação de Ophir durante entrevista

Uma crítica ao Selo OAB

Thomaz Bastos: Selo OAB mostra qual universidade não comete estelionato

Fiscalização de universidades do MEC obedece a interesses políticos, diz Ophir

Artigo: Selo OAB luta por uma educação que atenda o mercado

Quem não foi contemplado pelo Selo criticou os seus critérios. Afinal, ficar de fora dessa comenda gera repercussão no mercado. Quem foi contemplado não perdeu tempo em alardear, ostensivamente, a obtenção de tamanha glória, em especial as poucas instituições particulares agraciadas.

Tudo, obviamente, visto sob o prisma do mercado. Para as instituições, um reforço em sua existência enquanto negócio (é um negócio), para os alunos, um motivo de reconhecimento, orgulho e também de mercado.

É inevitável a associação entre o nome da instituição e o nome do jovem bacharel ou advogado. E essa união é pior do que um casamento, pois ela durará para sempre.

A fama do profissional, por certo, é construída ao longo de sua vida, e em certo ponto o nome da sua faculdade de origem, se ruim, deixa de ter relevância: o nome profissional torna-se muito mais relevante.

O cerne da questão está na vinculação do nome da faculdade ao nome do jovem profissional. Como acima demonstrado, “nome”, “grife”, “marca” ou “prestígio” são disputados de forma intensa no mercado, e isso pesa na hora de uma contratação.

Quem escolhe a faculdade é o aluno. Muitas das vezes ele escolhe a faculdade possível, seja pela localização ou pelo valor da mensalidade. O prejuízo pode ir além da mera associação entre os nomes, mas também na formação técnica.

O mercado é uma criatura muitíssimo cruel e sincera.

O comportamento dos agentes do mercado, observados em si mesmos, tem por objetivo, sempre, o de maximizar satisfação. Há uma eterna briga (que leva a um equilíbrio) no processo de interação daqueles que estão no jogo.

Eu te ofereço um salário X, você aceita?” A resposta é sim ou não, dependendo do valor visto na negociação, e o valor tomado sob o ponto de vista do contratante como também do ponto de vista de quem está sendo contratado.

Cobro X de honorários, você aceita?” O cliente vai avaliar se o profissional vale o que está cobrando e se sua demanda é importante o suficiente para justificar tal investimento.

A mensalidade da faculdade é X, você paga?” O aluno precisa ponderar custo de deslocamento, prestígio no mercado da instituição, custos de ordem pessoal, pois cursa uma curso superior necessariamente faz parte de um projeto de vida, a natureza do mercado em que está se inserindo e “n” outros fatores relevantes dentro do processo de escolha.

A importância, em todas as hipóteses acima, é de ordem SUBJETIVA. Os atores estabelecem os preços, e escolhem pagar por eles ou não.

O mercado é sinceramente cruel porque TODOS os atores buscam, sempre, as melhores alternativas para si mesmos. E se o seu preço como profissional for visto como baixo pelo mercado, inevitavelmente você terá dificuldades na sua colocação profissional.

Essa é uma avaliação repleta de variáveis. O nome da faculdade é apenas uma delas. Resta a cada um ponderar sobre sua própria importância dentro de um contexto mais abrangente e, a partir da percepção do comportamento do mercado em relação determinada instituição, fazer uma escolha diante de suas possibilidades.

E sim, pode-se afirmar que o nome da faculdade, neste processo, é muito importante. Não é só uma questão de nome, mas também de formação, da bagagem intelectual a ser adquirida ao longo dos 5 anos.

E é ela, em última instância, que regula a precificação do nome da instituição no mercado.

É uma interessante simbiose: o aluno faz a faculdade como também a faculdade faz o aluno. Quem falhar nessa troca prejudica a si mesmo e ao outro.

Pensem nisso!

Por Maurício Gieseler em 02 março 2012 às 12:38

Categoria: Advocacia, Ensino jurídico

OAB e outros conselhos profissionais debatem a implementação de mais exames de classe

A OAB participou ontem do Fórum dos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas, em conjunto com os presidentes dos conselhos de Engenharia e Agronomia (Confea), de Biblioteconomia, de Fonoaudiologia e dos Nutricionistas. O Fórum reúne quase 8 milhões de profissionais e mais de 500 Conselhos Regionais no país.

Na pauta uma série de assuntos de interesse da OAB e dos demais conselhos e, uma pequena discussão sobre a criação de mais “exames de ordem”, ou exames de proficiência. Vejamos trecho da notícia no site da OAB Federal:

“”Além desses temas, também foram debatidos na reunião a adoção por outras categorias do exame de proficiência para novos profissionais, a exemplo do Exame de Ordem; ações de combate à proliferação na abertura de cursos sem a qualidade esperada e ainda a aplicação da Lei 12.514, que define os valores de anuidades a serem cobradas pelas entidades de fiscalização profissional.“”

Não surpreende que esse movimento esteja acontecendo. Primeiro a OAB não quer ficar praticamente sozinha com seu Exame de Ordem, hoje só acompanhada pelo Conselho Federal de Contabilidade. A adoção de exames de suficiência por outros conselhos reforçaria o papel do Exame na sociedade.

Ademais, com o plano de expansão do ensino superior em marcha, é natural que os demais conselhos queiram proteger seus mercados diante do inevitável aumento do número de estudantes e, via de consequência, de futuros profissionais.

O jornal Estadão publicou em abril do ano passado uma reportagem sob o título “Com novo Fies, ‘só não estuda quem não quer’, diz Dilma” em que a presidenta abordou o financiamento do governo para a formação superior de estudantes em faculdades particulares.

Segundo a presidenta, com as novas regras do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), ‘só não estuda quem não quer’, e que desde 31 de janeiro (de 2011), quando as inscrições no Fies foram abertas, cerca de 34 mil alunos contrataram o financiamento estudantil e mais 29 mil contratos estavam sob análise. Dilma disse que os juros de 3,4% ao ano oferecidos pelo programa são baixos e que o pagamento só tem início um ano e meio após a formatura do aluno. Fonte: Estadão

O Secretário da SESU – Secretaria de Educação Superior – havia mencionado a existência uma demanda não atendida pelo Sisu e o ProUni de mais de 1 milhão de alunos, o que aponta para um grande potencial de expansão do ensino superior por meio do Fies e do Fundo Garantidor. Fonte: Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular

O Governo Federal, com o natural apoio dos bancos e das Instituições de Ensino Superior particulares, pretende incluir mais e mais estudantes no ensino superior, e as facilidades incluídas no FIES têm esse explícito propósito.

Outros conselhos profissionais certamente já estão articulando para criar seus respectivos Exames de Classe, seguindo o movimento do C Federal de Contabilidade e, com muito mais tradição, o Exame da OAB.

Isso vai acontecer, cedo ou tarde, mas vai.

Por Maurício Gieseler em 02 março 2012 às 10:46

Categoria: Ensino jurídico, Exame de Suficiência, Exames de proficiência

Bacharéis em Direito sem trabalho processam faculdades nos EUA

Nos Estados Unidos, estudantes de Direito que se formam mas não encontram trabalho, já têm o que fazer nos tribunais: processar as faculdades de direito. Apenas neste mês, um grupo de sete firmas de advocacia, que representa bacharéis desempregados, já moveu ações coletivas contra 12 faculdades de direito e está pronto para processar mais 20. O grupo promete transformar 2012 no “ano do contencioso contra faculdades de direito”. Essa é a nova onda de ações judiciais no país, diz o site Above the Law.

Os bacharéis estão processando as faculdades de direito por danos, resultantes da publicidade enganosa das faculdades e de indução a erro. Os anúncios da faculdades de direito em seus sites e em diversas publicações convencem futuros universitários de que vale a pena investir em curso de Direito, porque o mercado de trabalho está melhor do que nunca. Para se formar em advocacia, os estudantes contraem uma dívida média de US$ 150 mil, nos EUA. Mas, quando terminam o curso não encontram trabalho, nem mesmo vaga de estagiários.

No entanto, o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, Brian Leiter, que escreve um blog bastante popular sobre educação jurídica, afirma que as ações coletivas têm pouca chance de sucesso. Tudo que as faculdades de Direito têm de fazer é declarar que seguiram as regras estabelecidas pela American Bar Association (ABA — a ordem dos advogados dos EUA). Nove de 15 faculdades denunciadas nas ações (três foram processadas no ano passado, somando-se às 12 processadas este mês) já declararam à agência Reuters que não fizeram nada de errado.

O fato é que as orientações prestadas pela ABA, que credencia as faculdades de Direito, sempre foram muito vagas, no que se refere aos dados sobre mercado de trabalho que devem divulgar. Historicamente, a ABA orienta as faculdades de Direito a seguir os dados disponibilizados pela Associação Nacional para Colocações na Área Jurídica (NALP — National Association for Law Placement). No entanto, a NALP não distingue o que é trabalho que requer diploma de advocacia do que não requer. No ano passado, quando os bacharéis começaram a botar a boca no trombone, a ABA pediu às faculdades que prestem informações mais detalhadas sobre o mercado de trabalho, como onde, como e se os formandos têm conseguido trabalho.

Antes dessa mudança, as faculdades de Direito anunciavam que mais de 90% de seus bacharéis encontravam trabalho em menos de nove meses, depois da formatura. Em suas ações, os bacharéis alegam que, com seu marketing e outros esforços de divulgação, as faculdades os induziram a erro, levando-os a pensar que essa percentagem se referia ao volume de colocações no mercado de trabalho na área jurídica.

Por exemplo: uma ação judicial foi movida em 1º de fevereiro contra a Faculdade de Direito de Brooklin, que anunciou que as taxas de contratação de seus formandos era de 88% a 98%, em um período de nove meses, após a formatura. Um queixoso, Adam Bevelacqua, alegou que foi induzido a erro, o que o levou a tomar dezenas de milhares de dólares em empréstimos, para fazer o curso, e não consegue encontrar emprego na área jurídica, um ano depois de se formar. Naquele ano, a faculdade teria divulgado uma taxa de emprego de 90% para seus bacharéis, no prazo de nove meses. Uma porta-voz da faculdade declarou à Reuters que a ação não tem mérito e que a faculdade vai se defender vigorosamente contra ela no tribunal.

O reitor da Faculdade de Direito Williams Roger de Rhode Island, David Logan, disse que embora os dados fornecidos pelas faculdades possam ser “opacos”, a ação coletiva não tem mérito porque as faculdades seguem os padrões estabelecidos. “Trombetear grandezas não é a mesma coisa que fraude”, argumentou. As ações também vão depender de quão forte é a legislação de proteção ao consumidor em cada estado, disse o professor da Universidade de Saint Louis, Douglas Rush, especializado em educação jurídica. Ele afirma que a NALP e a ABA fornecem explicações sobre o termo “empregado”. Se os estudantes não se deram ao trabalho de lê-las, os tribunais vão dizer: “Que pena, o queixoso perde”.

Por outro lado, alguns estados, com legislação que protege um pouco melhor os consumidores, pode concluir que foi uma publicidade enganosa anunciar a um “bando de estudantes deslumbrados” que 95 dos bacharéis estão empregados, enquanto apenas 22% estão trabalhando na área jurídica. Outros podem estar empregados em lojas do McDonalds, Wal-Mart… Não há como não aceitar qualquer emprego que aparece, dizem os estudantes. Afinal, eles têm uma dívida de US$ 150 mil, mais ou menos, para pagar.

Fonte: Conjur

O interessante da notícia reside no fundamento para o ajuizamento das ações: publicidade enganosa. A promessa de que o mercado absorverá os futuros advogados.

Não tenho como entrar no mérito da questão sob esse prisma, pois desconheço a legislação e regras de propaganda de lá, mas ao menos parece-me evidente de que a análise do mercado e a escolha do curso resultam de uma escolha do candidatos. Essa avaliação é estritamente pessoal.

No Brasil se fala muito em “estelionato educacional” sob outras bases: o ensino jurídico é oferecido de forma precária sendo a causa em alguma medida do fracasso do candidatos no Exame da OAB.

Desconheço qualquer ação ajuizada sob estes fundamentos, mas sua possibilidade de sucesso também é questionável apesar das imensas deficiências de muitas instituições de ensino.

É fácil discutir o mercado e a qualidade das faculdades quando está no fim do curso ou no início da profissão, mas não quando o ainda estudante do ensino médio ainda está pensando em prestar o vestibular: faltam informações sobre a realidade do mercado para melhor orientar os futuros acadêmicos.

O resultado disso é que o curso de Direito, em 2010, foi a carreira mais procurada pelos estudantes do País, com 632 mil candidatos interessados nas 218 mil cadeiras ofertadas, sendo o 2ª curso, após Administração, com maior número de alunos no País ( 694 mil) - O Exame de Ordem não assusta os estudantes: Direito foi o curso mais procurado no Brasil em 2010

Vejam também:

Brasil forma 10 bacharéis em Direito por hora, 243 por dia, 88.695 por ano

Multiplicação de cursos compromete formação de bacharéis

Brasil tem mais faculdades de Direito do que o resto do mundo

Se a atual realidade do mercado da advocacia fosse de amplo conhecimento dos futuros estudantes, esses números seriam tão expressivos?

Vamos considerar que se um mercado é perfeito ele dispensa qualquer regulamentação (Estudo sobre mercados ‘imperfeitos’ e desemprego ganha Nobel de Economia) e a recente votação, no Distrito Federal, de um Projeto de Lei que fixa o valor mínimo a ser pago a um advogado empregado - GDF sanciona piso salarial para advogado empregado no setor privado - podemos projetar um problema no mercado como um todo, porquanto a necessidade da fixação de um piso por lei revela uma realidade: salários baixos e aviltamento profissional.

Se os  salários são baixos, a procura por emprego é maior do que a oferta. E se a procura é maior, o mercado está saturado.

A regulamentação revela a pressão feita pelos advogados, em especial os jovens advogados, por um mínimo de decência na remuneração, justificando a necessidade da regulamentação. Não por acaso, após a divulgação da aprovação da Lei, várias seccionais estão seguindo o mesmo caminho trilhado pela OAB/DF. É provável que em breve todas as unidades da federação apresentem um piso salarial mínimo para o advogado empregado.

Sinal da saturação em todo o país.

Como também o é a percepção de que falta vocação aos estudantes de Direito retatado no trabalho Ausência de vocação e as “necessárias” adaptações mercadológicas: A derrocada do ensino jurídico  publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza – CE em Junho de 2010, que abordou a crise vocacional nos cursos de Direito e a incapacidade deste em oferecer uma formação adequada para propiciar o desenvolvimento de advogados atuantes, críticos e preparados para atender às necessidades da sociedade.

O curso de Direito oferece um certo prestígio, um “pedigree social”, tal como mencionou o Ministro Marco Aurélio, do STF, no julgamento, em outubro passado, da constitucionalidade do Exame da OAB. O quanto a busca pelo “pediggree” suplanta a vocação pelo curso em si mesmo?

Isso tudo sem levar em consideração a baixa qualidade do ensino como um todo - Especialistas fazem alerta contra baixa qualidade em instituições de ensino – mostrando que o problema é sistêmico.

Excesso de faculdades, ensino precário, expansão da renda da população e consequente pressão no mercado em busca de melhoria na formação, saturação no número de profissionais e início de regulamentação do exercício da profissão são os elementos que compõem o atual quadro, visto sob uma ótica mais abrangente.

Mas informações de nicho, sem a devida divulgação diretamente ao público interessado (pré-universitário), não são de grande serventia.

Logo, a tendência do quadro é piorar. Não podemos deixar de esquecer do Plano de Expansão do Ensino Superior e de suas consequências:

Perigos da expansão desenfreada de cursos de Direito

A única forma de absorver tantos novos profissionais é com o crescimento do Produto Interno Bruto. O crescimento da economia gera a absorção dos novos profissionais no mercado.

Mas como falar em crescimento em tempos de recessão mundial?

É de se pensar.

Por Maurício Gieseler em 27 fevereiro 2012 às 11:31

Categoria: Advocacia, Ensino jurídico

Lentidão do MEC poupa de corte cursos mal avaliados

A demora do Ministério da Educação para concluir o processo da avaliação de ensino superior fará com que os cursos de ciências contábeis e administração mal avaliados pelo MEC escapem do corte no número de vagas neste semestre, informa reportagem de Renato Machado na edição de hoje da Folha.

Em novembro, o governo anunciou que seriam cortadas cerca de 50 mil vagas nesses cursos e nos dez cursos da área de saúde. As medidas deveriam entrar em vigor neste semestre, mas só os cortes de saúde (31,5 mil vagas) foram realizados. Os resultados das avaliações dos cursos deveriam ter saído em outubro, mas só foram divulgados na segunda quinzena de novembro.

O ministério, que admite o atraso no processo, priorizou a definição de cortes na área de saúde. As punições das demais carreiras devem ser divulgadas nos próximos meses, para entrar em vigor no segundo semestre. Há no Brasil 1.052 cursos de ciências contábeis e 2.369 de administração –20% podem ser afetados pelos cortes, estima o MEC.

Fonte: Folha.com

O MEC é uma mãe com as faculdades privadas. Faz um estardalhaço danado quando corta vagas mas na hora da verdade, de tomar medidas concretas, vai a passos de tartaruga.

A OAB vai começar a divulgar seus relatórios sobre os pedidos de abertura de novas faculdades de Direito. Vamos acompanhar para ver o tratamento a ser dispensado pelo MEC após as futuras e inevitáveis críticas da Ordem.

Provavelmente quando tivermos umas 2 mil faculdades de Direito alguém no Governo Federal finalmente perceberá o exagero nessa política mercantilista e irresponsável de expansão a qualquer preço do ensino superior.

Por Maurício Gieseler em 24 fevereiro 2012 às 09:16

Categoria: Ensino jurídico

Exame da OAB: SP fica abaixo da média nacional

O Estado de São Paulo aprovou 20,74% de seus candidatos no V Exame Unificado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), referente à prova de dezembro de 2011, e ficou abaixo da média nacional de aprovação, de 24,52%. A Universidade de São Paulo (USP) é a única instituição paulista que aparece na lista das 20 melhores do País. E, ainda assim, caiu quatro posições no ranking em um ano: passou do quarto lugar, obtido com o exame de dezembro de 2010, para o oitavo.

Para o secretário-geral da OAB Nacional, Marcus Vinicius Furtado Coelho, isso se deve à quantidade excessiva de cursos de Direito abertos no Estado. São Paulo teve o maior número de inscritos neste exame: 23.081, entre os 106.086 presentes. “A multiplicação que ocorreu no País inteiro se verificou de forma muito forte em São Paulo. O Estado continua com faculdades de excelência, mas contém várias faculdades criadas sem critérios e contra o parecer da OAB.

Na análise do advogado Ricardo Castilho, diretor-presidente da Escola Paulista de Direito, o mau desempenho de São Paulo não surpreende, já que é o Estado em que a ‘massificação’ do ensino é mais evidente. “Não é possível ensinar esse tipo de ciência em uma sala com 120 alunos”. Esse fato, acrescido à baixa qualificação dos professores, ajudam a explicar o resultado ruim.

O advogado Oscar Vilhena Vieira, diretor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a quarta melhor colocada do Estado, resume: “São Paulo concentra quase metade das vagas do Brasil: tem um grupo de boas escolas em um universo muito grande de escolas menos privilegiadas.

As melhores

Depois da USP, com 72,05% de aprovação, o ranking paulista traz a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que aprovou 60,03% de seus inscritos e quase dobrou sua taxa de sucesso em relação a dezembro de 2010 (36,12%). Além delas, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), atingindo 56,52% de aprovados, seguida pela FGV, que aprovou 52,17%, são as únicas instituições paulistas em que a maioria dos alunos inscritos passou.

A grande vantagem da USP, para Castilho, é ter alunos mais selecionados pelo vestibular. “O aluno já vem com o espírito de estudar muito”, diz. No caso da FGV, o diferencial é o ensino integral. “É uma tendência do Direito de vanguarda. Assim, é possível ver muitas disciplinas que não são vistas nas faculdades tradicionais”, diz.

Vieira, que dirige a Escola de Direito da FGV, acrescenta que a instituição inova também ao focar o ensino na resolução de problemas a partir do Direito, enquanto “a tradição no Brasil é o ensino que valoriza a memorização das leis.

Já o segredo do Mackenzie foi uma reformulação no currículo nos últimos dois anos. O coordenador do curso, Fabiano Del Masso, diz que as modificações não têm o objetivo direto de treinar os alunos para o Exame da Ordem, mas sim de melhorar a formação integral.

Além de uma mudança no sistema de avaliação, foram criadas algumas disciplinas que ganharam importância recentemente, como direito ambiental, direito eleitoral e direitos humanos. Outros formatos de disciplinas também estão sendo experimentados, como uma série de matérias de estudos avançados que abrangem atualidades de tribunal e atualidades legislativas. Os alunos também recebem fortes incentivos para ingressar em bons estágios.

Fonte: Estadão

Por Maurício Gieseler em 16 fevereiro 2012 às 09:47

Categoria: Ensino jurídico

Curso a distância exige mais dedicação que educação presencial, dizem alunos

Para muita gente, curso a distância é sinônimo de diploma fácil, rápido e sem grandes exigências. Para a bancária Fabiana Pessôa, 31, também era assim. Até que ela começou, em 2006, a cursar as aulas da graduação em administração a distância na UnB (Universidade de Brasília), um projeto piloto de uma das principais universidades públicas do país.

“Na época, eu já cursava direito, na modalidade presencial, e estava indecisa. Quando soube do projeto da UnB, não tive dúvidas. Pensava que seria uma ‘mamata’, mas tive que me dedicar bastante”, afirma Pessôa, que hoje exibe os dois diplomas universitários na parede. O de administração veio no fim do ano passado, depois de cinco anos de aulas.

Em princípio, a vantagem do ensino a distância (EAD) para Pessôa era ganhar tempo ao não precisar se deslocar diariamente até a UnB – e ainda poder usar a hora do almoço para estudar. Ela percebeu, porém, que, além de economizar algumas horas do dia, a modalidade exigia um nível de dedicação maior do que a versão presencial. “Eu tinha material para ler e atividades para entregar todos os dias da semana”, conta. “Acho que me dediquei mais ao curso a distância do que ao presencial”, diz a bancária, que afirma ter mais facilidade para estudar sozinha do que em sala de aula, com mais gente.

Quebrando o mito de que os cursos a distância são mais fáceis do que os presenciais, um estudo feito em 2007 pelo Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC) com base nos resultados do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, que avalia o ensino superior) apontou que os alunos de cursos a distância estavam melhor preparados. Em sete das 13 áreas onde a comparação entre as modalidades foi possível, universitários que estudavam a distância tiveram desempenho superior aos demais.

Para Pessôa, o curso de administração a distância não foi fácil. “Tenho colegas que não ainda se formaram porque reprovaram em algumas disciplinas”, diz. Apesar da dedicação ao curso, ela teve de recorrer a aulas presenciais de reforço aos sábados para vencer um dos conteúdos. “Matemática financeira era meu ponto fraco”, conta. Hoje, a bancária diz sentir-se bem preparada como administradora e acredita que o diploma vai ajudá-la na ascensão profissional.

Quinta tentativa

Em dois meses, Luiz Ricardo Freitas, 34, terá em mãos seu desejado diploma de administração. Bem-sucedida, esta foi a quinta tentativa de Freitas de se formar na área –ele já havia começado quatro cursos presenciais antes de se matricular em administração a distância na Unopar (Universidade do Norte do Paraná), instituição particular de ensino.

Para poder crescer na carreira administrativa dentro de um grande banco, ele frequentemente aceitava transferências, interrompendo a faculdade. Quando foi nomeado para Ibotirama, cidade baiana de pouco mais de 25 mil habitantes, Freitas pensou que teria de enterrar a vontade de terminar a faculdade. “Pensava que não teria oportunidade de estudar em uma cidade tão pequena”, conta. Um polo de EAD na região, porém, fez com que ele decidisse apostar na modalidade. “Pensei: tem só uma aula por semana, é tranquilo”, lembra.

Quando começaram as aulas, foi um susto. Na cidade pacata, Freitas teve de imprimir um ritmo intenso de estudos. “O curso tinha uma bibliografia extensa, atividades diárias e muita produção de textos. Percebi que essa modalidade exige mais do aluno”, diz ele, que hoje, mesmo sem ter terminado o curso, já vê o resultado do esforço: “Passei em sete provas de certificação interna do banco”, diz.

Freitas, do alto de sua experiência com cinco cursos diferentes, é categórico: a modalidade a distância permite que o aluno aprenda mais do que nos cursos presenciais. “Antes, eu chegava da faculdade cansado e ia dormir. Então, o que professor falava é o que valia, eu era muito dependente”, afirma. Ele vivenciou ainda outras duas vantagens no EAD: ao ser transferido novamente, não precisou interromper o curso – apenas mudou de polo, mantendo a grade curricular e os professores –, e passou a estudar na hora que queria. “Pude dar mais atenção a minha família. Chegava do trabalho e brincava com as minhas filhas. Depois que elas iam dormir, eu estudava.”

Aulas pela TV

Para Fernanda Gonzalez Saback, 27, não foi a falta de opções de cursos na região que a fez buscar o ensino a distância. Em 2007, Saback morava em Lauro de Freitas, cidade da região metropolitana de Salvador, e estudava para prestar concursos na área jurídica. Para poupar tempo no trânsito –e poder estudar ainda mais-, fez as contas. “Levaria uma hora de carro só para chegar ao curso. Para quem está estudando firme, perder duas horas por dia com deslocamento é tempo demais”, diz.

Por isso, Saback preferiu fazer o curso preparatório em modo “telepresencial”, na rede privada de ensino LFG. Nesse modelo, um professor em outro lugar do Brasil dá uma aula expositiva, transmitida em tempo real para várias unidades da LFG em todo o Brasil, incluindo a de Lauro de Freitas. “Fiz dois cursos nesse sistema. Foram ótimos”, afirma.

Além de facilitar seu deslocamento, ela diz ter gostado da parte didática. “A aula rende mais porque não há interrupção. O professor passa o conteúdo durante quatro horas e responde dúvidas enviadas por email apenas no final da aula”, conta ela, que reforçou o nível de concentração durante o curso. Para Saback, a dedicação às aulas deu frutos: ela foi aprovada em um concurso para a Advocacia Geral da União, cargo para o qual foi convocada em dezembro de 2010.

Fonte: UOL

A matéria do UOL é extremamente benevolente com a graduação a distância, sem considerar a “pontinha” do curso LFG em sua parte final.

Enfim, estudar em uma modalidade não presencial é isso tudo mesmo?

É de se questionar…

Que o ensino a distância veio para ficar disso não tenho dúvidas. Eu mesmo faço parte de uma estrutura que se beneficia dessa modalidade, mas nem por isso posso defendê-la categoricamente.

Uma coisa, sem dúvida, é você oferecer um curso online, por exemplo, para que vai fazer um Exame da OAB, ou se preparar para concursos, visando quem JÁ POSSUI formação específica na área.

Neste caso, a base já existe, e o aluno apenas reforça o que já estudou ou absorve mais conteúdos já possuindo a devida base de conhecimento previamente adquirido.

Outra, distinta, é ter a vida acadêmica inteira cursada via computador ou mesmo na modalidade telepresencial (satelitária), desde o início, sem contato com professores e com a vida acadêmica.

Não tenho dúvidas: educação no Brasil hoje é business, assim mesmo, na sua grafia em inglês. Podemos tomar por exemplo o desempenho da maioria das faculdades privadas no Exame de Ordem: é pífio! E a maioria dos egressos dessas instituições advieram da modalidade presencial.

Pergunto: o aluno do ensino a distância oriundo desse tipo de instituição vai estudar mais? Vai ser mais compenetrado e vai ser tratado com menos indulgência comparando com um aluno do ensino presencial?

Não dá para afirmar, de plano, nem que sim e nem que não.

Mas consideremos o seguinte:

1 – O que é mais vantajoso para uma faculdade? Ter uma sala presencial com 1 professor e 50 alunos ou uma sala virtual com 1 professor e, digamos, uns 600 alunos? A resposta é óbvia;

2 – O atendimento a esses supostos 600 alunos será integral, sério e sem ressalvas? Pois quanto maior o corpo discente maior o custo operacional: monitores, tutores e corretores de trabalhos. As faculdades vão arcar também com esses custos, atendendo a todos de forma SATISFATÓRIA?

3 – Esse volume de trabalho extra será analisado seriamente? A reportagem acima afirma isso estusiasticamente, mas, sinceramente, eu não afirmaria isso de forma tão colorida e categórica.

Considerando estarmos no Brasil, considerando a expansão desenfreada de cursos e considerando que metade das nossas faculdades de Direito pertencem a apenas 5 grupos empresariais, e, que os alunos egressos desses cursos não vão muito bem na prova da OAB, eu não botaria tantas esperanças nessa modalidade.

Eu não boto, mas o Estado, sim:

Aluno de ensino superior a distância poderá ter acesso ao Fies

A Câmara analisa o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 534/11, do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), que susta a portaria do Ministério da Educação (1/10) que proíbe alunos de cursos superiores não presenciais de utilizarem os recursos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).

Para o autor, ao inserir novo ordenamento jurídico por meio de portaria, o MEC extrapolou os limites da delegação legislativa. Segundo Nogueira, a portaria claramente inova na ordem jurídica, ao inserir proibição que não está contida – expressa ou implicitamente – na lei que institui o Fies (10.260/01).

A lei do Fies não restringe a abrangência do fundo aos cursos oferecidos na modalidade presencial. A redação do artigo 1º menciona tão somente a exigência de que se trate de ‘cursos superiores não gratuitos e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação’”, argumenta Nogueira.

Pelas regras atuais, podem solicitar o financiamento pelo Fies, que cobra taxas de juros mais baixas que as do mercado, os estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação presenciais não gratuitos que tenham obtido avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e que sejam oferecidos por instituição de ensino participante do programa.

Tramitação
O projeto será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (inclusive quanto ao mérito). Em seguida, seguirá para análise do Plenário.

Íntegra da proposta:

PDC-534/2011

Fonte: Agência Câmara

Vocês têm alguma dúvida se esse projeto será ou não aprovado? Não tenham! Ele será, e com folga.

O importante é não tratar as inovações como uma panaceia, tal como a 1ª reportagem tratou. Existem vantagens no ensino a distância? Claro! Eu mesmo falo sobre elas o tempo todo aqui, mas precisamos considerar o contexto e o propósito a ser atendido.

Ensino a distância é bom, mas também pode ser ruim, em especial quando estamos falando da graduação, da formação inicial em uma cadeira universitária.

De toda forma, gostando ou não, essa modalidade vai se expandir fortemente nos próximos anos. E, ao menos na área o Direito, quando esses futuros bacharéis forem fazer a prova da OAB, veremos se eu devo ou não morder a língua.

O tempo dirá.

Por Maurício Gieseler em 13 fevereiro 2012 às 13:30

Categoria: Ensino jurídico

Educação a distância já responde por quase 15% das matrículas no ensino superior

A educação a distância (EAD) já responde por 14,6% das matrículas de graduação no ensino superior do país, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2010, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). O número de estudantes em busca do diploma atingiu 6.379.299 alunos em 2.377 instituições de ensino superior, que oferecem 29.507 cursos.

Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, o crescimento da modalidade a distância só não é maior poque o governo está dando “um ritmo” para que a expansão não ocorra com prejuízo da qualidade. “Na década de 1990 nós tivemos um crescimento [na educação presencial] que não estava bem administrado e nós não queremos que o mesmo aconteça com a EAD. O que queremos é um crescimento sustentável”. Segundo ele, o percentual de matrículas na EAD no Brasil pode ser considerado baixo em relação a outros países em que a modalidade responde por mais da metade das matrículas.

As matrículas continuam concentradas (74%) nas instituições privadas, mas houve um crescimento de 12% no número de alunos das escolas públicas. Entre as instituições públicas de ensino superior, as municipais respondem por 1,6% do total das matrículas, as estaduais por 9,4% e as federais por 14,7%. Haddad destacou que o número de formandos em 2010 (973 mil) é mais que o dobro do registrado em 2001. Também houve crescimento no número de ingressantes das universidades federais, de 143 mil para 302 mil no mesmo período.

Apesar de as regiões Norte e Nordeste terem registrado um aumento do número de estudantes no ensino superior entre 2001 e 2010, o Sudeste ainda é responsável por 48,7% das matrículas. O Sul fica com 16,9%, o Centro-Oeste concentra 9,1% e o Norte e o Nordeste, 6,5% e 19,3%, respectivamente. Em 2001, representavam 4,7% e 15,2% do total.

Nos cursos presenciais, 3,9 milhões de matrículas estão no bacharelado, 928 mil nas licenciaturas e 545 mil na modalidade tecnológica, de menor duração. Já na educação a distância, as matrículas de licenciatura são 426 mil, de bacharelado, 268 mil, e nos tecnológicos, 235 mil.

Fonte: UOL

Por Maurício Gieseler em 10 fevereiro 2012 às 10:03

Categoria: Ensino jurídico

Rumo aos 10 milhões

Na última década, mais do que dobrou o número de brasileiros que frequentam cursos superiores em busca do sonhado diploma. A expansão das matrículas na etapa não é exatamente uma novidade, mas o Censo da Educação Superior de 2010 mostrou que esse crescimento acelerou entre 2009 e 2010 chegando ao total de 6.379.299 de estudantes matriculados na graduação. O aumento foi de 7,1% das matrículas no período contra uma média de 2% a 4% verificada em anos anteriores. Para especialistas, governo e instituições ouvidos pela Ensino Superior, a boa notícia é que o ritmo deve se manter nos próximos anos. Mas eles alertam para a necessidade de diversificar a oferta de cursos e pensar a expansão de forma coordenada com as atuais demandas do país e da população que ainda não chegou ao ensino superior.

A principal razão para acreditar que o sistema de educação superior brasileiro deverá continuar crescendo nos próximos anos está no próprio momento que o país vive, rumo ao grupo das cinco maiores economias mundiais. Falta mão de obra qualificada para atender um mercado de trabalho em franca expansão. Por outro lado, melhoraram as condições socioeconômicas da população e consequentemente as oportunidades das famílias em investir na educação das novas gerações.

Para o diretor-executivo da Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas, a chegada das classes C e D ao ensino superior é o principal fator que explica o aumento das matrículas. “O crescimento de qualquer país passa pela educação e no Brasil não poderia ser diferente. Esse crescimento é uma tendência que deverá permanecer haja vista a necessidade de mão de obra para atender às demandas do país e à real necessidade dos jovens”, acredita.

A meta do governo é chegar a 2020 com 10 milhões de matrículas no ensino superior. Mas diante do aumento apontado pelo censo de 2010, o secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, é otimista. “Acho que vamos manter essa taxa ou ainda crescer um pouco mais“, avalia. Para ele, o desafio de crescimento do Brasil já está posto e aceito, por isso o governo trabalha em ações para que a estrutura do ensino suporte os 10 milhões de matrículas até o fim da década.

Em 2010, as instituições públicas registraram um maior aumento no número de matrículas: 7,2% contra um crescimento de 6,4% registrado nos estabelecimentos particulares. Mas a proporção da distribuição das matrículas não se alterou: o setor privado ainda é responsável por 74,2% dos estudantes de graduação.

A expectativa, porém, é que as matrículas continuem crescendo nas instituições públicas, ainda sob o impacto do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que ampliou o número de vagas nas federais. O MEC também estuda apoiar as instituições públicas estaduais que não preenchem sua capacidade total de vagas devido a dificuldades estruturais. Além disso, os programas para inclusão de estudantes nas instituições particulares, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade para Todos (ProUni), continuam na lista de prioridades do governo para atingir a meta de 10 milhões de universitários até o fim da década.

Em busca do novo

Dois segmentos da educação superior são destaque na análise dos dados do censo por conta do crescimento verificado: a educação a distância e os cursos tecnológicos, que já respondem por 15% e 12% das matrículas do ensino superior, respectivamente. “O crescimento no ensino privado entre 2009 e 2010 se deu graças à expansão da EAD e dos tecnólogos, enquanto que a graduação tradicional está estagnada“, avalia o presidente da CM Consultoria, Carlos Antonio Monteiro.

Na opinião de Monteiro, a taxa de crescimento da EAD não foi ainda maior em 2010 devido às ações de regulação coordenadas pelo MEC. “Por isso o crescimento não foi tão grande, mas ainda sim foi maior do que a média dos outros segmentos”, destaca. Monteiro sugere que nos próximos anos o crescimento total das matrículas no ensino superior fique entre 6% e 10%. “Mas quem vai bancar realmente esse aumento são a EAD e os cursos tecnológicos”, aposta o consultor.

De fato a procura por formatos diferenciados de ensino superior além da graduação tradicional merece atenção. Os números do censo reforçam a tese de que há uma parcela da população interessada em formação de nível superior, mas que não se sente atraída pelo modelo tradicional de ensino presencial dos bacharelados e licenciaturas. As diferenças começam no perfil do estudante: enquanto nos cursos presenciais a média de idade é 26 anos, na modalidade a distância essa média sobe para 33 anos.

A existência de diferentes perfis de estudantes e de interesses na formação superior pode ser explicada pelo déficit educacional histórico enfrentado pelo país. Luiz Cláudio Costa ressalta que o Brasil enfrenta um débito muito grande com a população que ficou excluída do ensino superior por questões econômicas, sociais, ou por falta de oportunidades. “É legitimo agora que essas pessoas busquem isso, mas como muitas vezes elas já estão estabelecidas, têm emprego e família, encontram dificuldade na flexibilização de horários. Então o ensino a distância de qualidade permite que elas tenham suas aspirações satisfeitas”, analisa o secretário Luiz Cláudio Costa.

Na opinião do professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castione o perfil do estudante da EAD apontado pelo censo combina com as exigências da modalidade. “O aluno precisa ter uma certa maturidade para cumprir as atividades sem o ensino presencial. A EAD exige um comprometimento muito grande dos estudantes. Essa expansão do ensino a distância revela uma outra realidade que é o princípio consagrado da educação ao longo da vida“, aponta o pesquisador.

Já os cursos tecnológicos, avaliam os especialistas, têm um apelo maior entre aqueles que já estão no mercado de trabalho e buscam de forma rápida melhorar a sua formação em cursos relacionados à área em que atuam. Desse modo, tal modalidade de graduação se adapta não apenas ao perfil do aluno, mas às necessidades do mercado, que sofre com a falta de mão de obra e precisa preencher essa lacuna com rapidez.

Na avaliação do consultor Carlos Monteiro, a vantagem desse modelo é que ele vai “direto ao ponto”. Ele entende que a graduação tradicional está passando por uma crise de audiência especialmente porque não tem atingido uma funcionalidade profissionalizante, diferente dos cursos tecnológicos. “A graduação tradicional está chata demais. Tem muita perfumaria no meio de todas aquelas disciplinas que não levam a nada”, critica. Segundo Monteiro, é justamente por isso que a fórmula do sucesso para o atendimento da classe C está nos cursos de EAD e de tecnólogos.

Expandindo fronteiras

Com relação à distribuição de vagas pelo país, os números do censo revelam um sensível crescimento nas matrículas no Norte e Nordeste. Em 2001, os alunos nortistas eram apenas 4,7% do total, patamar que evoluiu para 6,5%. No mesmo período, a participação do Nordeste passou de 15,2% para 19,3% no total de matrículas. A aposta, tanto do governo quanto das instituições privadas, é que essa expansão deve continuar em função do bom momento econômico que vivem as regiões, especialmente o Nordeste, onde a oferta de mão de obra qualificada ainda é muito baixa em relação à demanda do mercado por trabalhadores com formação.

Apesar do crescimento das matrículas naquelas regiões, ainda é o Sudeste que responde por quase metade (48,7%) do atendimento. Na avaliação do professor Carlos Monteiro, o “boom” das matrículas no Nordeste ainda está por vir. Ele acredita que a região representa uma oportunidade “excepcional” de crescimento para as instituições de ensino. “O Nordeste passa por um processo bastante interessante. Há muito investimento na indústria, no turismo e uma população com capacidade aquisitiva cada vez maior, que necessita da educação para progredir. Há muito espaço para o crescimento do ensino superior nos próximos anos”, indica Monteiro.

Mas o professor Remi Castione, da UnB, alerta que não se pode simplesmente importar os modelos de cursos mais populares em outras regiões. É preciso adaptar a oferta às demandas locais. “Não podemos expandir esse modelo de universidade do centro-sul que é muito bacharelesco e de certa forma muito fechado”, aponta.

Mais do mesmo

Enquanto o crescimento do ensino superior focado no mercado e nas necessidades regionais da população em ascensão social e econômica se mostra como uma tendência irreversível, o censo de 2010 não traz grandes novidades no ranking das graduações mais procuradas. Contrapondo a aposta nas formações tecnológicas, administração e direito seguem no topo das matrículas do ensino presencial com 705 mil e 694 mil estudantes, respectivamente. Pedagogia, enfermagem e ciências contábeis completam a lista das cinco graduações mais populares do país.

Na comparação do número de ingressantes, no entanto, esse quadro que vem se repetindo há anos deverá mudar em breve. Entre 2009 e 2010 o Censo mostra um crescimento de 17,9% de novos alunos na área das engenharias e 22% na educação. O ingresso nas graduações de ciências sociais, negócios e direito aumentou apenas 2%. Em outras áreas como humanidades e saúde houve diminuição no número de ingressantes.

Uma aposta é que as engenharias logo atinjam o 3º lugar desse ranking, especialmente devido à necessidade de profissionais para trabalhar nos grandes projetos estruturais que estão na agenda do país. O desafio, portanto, é adequar a oferta às necessidades de mão de obra e às demandas dos estudantes, acredita o diretor-executivo da Abmes, Sólon Caldas.

Nesse sentido, o MEC realiza um diagnóstico para orientar a expansão das matrículas nos próximos anos, apontando onde e em quais áreas há mais demanda por determinado profissional. A análise estratégica incluirá instituições públicas e privadas.

O secretário diz que hoje o estudante possui um amplo leque de opções para escolher em função da diversificação dos cursos e formatos, mas nem sempre enxerga todas as oportunidades. Por isso, defende que é preciso encontrar novas formas para apresentar esse “cardápio” para o futuro aluno. Costa avalia que modelos como o do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que reúne a oferta de vagas de instituições públicas para seleção a partir do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), podem contribuir para a desconcentração das matrículas em poucas cursos. “Não se percebe a importância desse mecanismo, mas o Sisu permite ao estudante ter um leque de opções muito maior do que os oferecidos localmente”, defende o secretário.

Pedras no caminho

Para manter a taxa de crescimento verificada em 2010 e confirmar as expectativas otimistas para os próximos anos, alguns desafios precisarão ser enfrentados por governo e instituições públicas e privadas. Um deles é reduzir o índice de evasão que hoje está em cerca de 12%, segundo o MEC. Uma das saídas para melhorar a fixação do estudante é rever o próprio modelo de ingresso dos cursos e da organização pedagógica.

“Nosso sistema de ensino superior vem de um modelo do século 19 muito baseado na profissão, como se um jovem de 17 anos pudesse escolher o que vai ser nos próximos 40 anos”, avalia o professor da UnB, Remi Castione. Como exemplo de modelos inovadores, Castione cita a experiência dos cursos de bacharelado interdisciplinar que estão sendo desenvolvidos por instituições como as universidade federais da Bahia (UFBA) e do ABC (UFABC). Nesses cursos o aluno começa cursando disciplinas básicas e só depois de um período opta por uma área específica.

Experiências desse tipo também poderiam funcionar nas instituições particulares, mas segundo Carlos Monteiro o setor ainda é muito conservador nesse sentido e tem “aversão ao risco”. O professor acredita que o desafio de enfrentar a evasão está justamente em entregar ao aluno o que ele deseja.

Números da educação superior em 2010
Total Públicas Privadas
Instituições 2.377 278 2.099
Cursos 29.507 9.245 20.262
Matrículas de graduação 6.379.299 1.643.298 4.736.001
Ingressos 2.182.229 475.884 1.706.345

 

Tecnológicos campeões de audiência
As matrículas nos cursos tecnológicos já representam 12% do ensino superior e tendem a continuar crescendo.
Para isso devem se adaptar ao novo perfil de alunos, que buscam uma nova formação ou aprofundamento da área em que atuam, além de acompanhar as necessidades do mercado. Veja os cinco cursos tecnológicos com mais matrículas:
1- Gerenciamento e administração 343.723 matrículas
2- Processamento da informação 66.664 matrículas
3- Ciência da computação 51.400 matrículas
4- Marketing e publicidade 47.996 matrículas
5- Proteção ambiental 40.166 matrículas

 

Educação e engenharias em alta 
Embora administração e direito sigam no topo da lista dos cursos com mais matrículas, incluindo pedagogia, enfermagem e ciências contábeis, esse quadro tende a mudar já que o maior crescimento no número de ingressantes foi nas áreas de educação (22%) e engenharia (18%), enquanto que o ingresso nas graduações de ciências sociais, negócios e direito aumentou apenas 2%. Outras áreas, como humanidades e saúde, tiveram redução no número de novos alunos.
Número de ingressantes nas grandes áreas 2010 2009
Educação 263.950 214.675
Humanas e Artes 49.945 58.011
Ciências sociais, negócios e direito 645.021 628.206
Ciências, matemática e computação 132.946 149.654
Engenharia, produção e construção 202.398 172.488
Agricultura e veterinária 39.162 33.688
Saúde e bem-estar social 209.838 216.676
Serviços 42.395 38.010

Fonte: ABMES

Por Maurício Gieseler em 27 janeiro 2012 às 11:50

Categoria: Ensino jurídico

A coisa certa no lugar errado

Noticia-se na mídia da Fronteira-Oeste gaúcha que três alunos da Faculdade de Direito do Campus Universitário de Alegrete foram aprovados no Exame da OAB.  Uma das publicações diz que o fato enriquece o curso e o qualifica dentre as faculdades de Direito do Rio Grande do Sul. Na minha ótica, esse dado é inconsistente para servir de parâmetro no sentido de medir o nível de qualidade de qualquer instituição universitária dessa área do ensino superior.  É fácil entender por quê.  Trata-se de uma amostragem muito pequena para ser tomada como base de avaliação (positiva ou negativa) de um curso de qualquer grau de ensino.  Até porque, nesse caso, sabe-se de antemão que  a maioria dos colegas dos aprovados  não logrará aprovação – pelo menos de imediato – no Exame de Ordem, o que, se levado em conta, também poderia ser invocado, com maior peso quantitativo, como fator de avaliação (nesse caso, negativa) da referida instituição de ensino.

Considero fora de propósito e – por que não dizer ? – pretensioso afirmar que o Exame de Ordem aplicado pode funcionar como “termômetro” para medir o grau de qualidade de uma Faculdade de Direito. Não se trata de uma opinião pessoal, calcada no simples “achismo”, mas sim de uma conclusão  lógica a que qualquer ser pensante pode chegar com extrema facilidade. Vejam bem. Todos os que conseguem aprovação no Exame de Ordem saem diplomados de uma mesma faculdade onde a maioria dos colegas de formatura  acaba sendo reprovada nesse mesmo Exame.  Logo, se alguns  passam e a maioria roda, claro está que os aprovados são uma comprovação de que a faculdade ensinou, sim; só não aprendeu quem não quis. Afinal, os “felizardos” que passaram na “prova de fogo” da OAB não nasceram sabendo.

Isso posto,  o máximo que se torna lícito dizer, nesse aspecto, é que o Exame da OAB afere a capacidade intelectual de cada estudante e não a faculdade de Direito como um todo. Mas isso não o torna uma prática inútil, até porque toda seleção profissional é sempre bem vinda (oxalá existisse para o exercício dos cargos políticos),  desde que aplicada por quem de direito – o poder constituído -  e não por uma entidade classista de direito privado,  como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil.  A pergunta que fica é: por que o Exame de Ordem não é aplicado de forma conveniada com o MEC,  obrigatoriamente antes da diplomação, para evitar a entrega de um “canudo de bacharel” a quem está aquém  dos pressupostos básicos desejáveis ao exercício da atividade profissional pela qual optou ?

Autor: Lino Tavares é jornalista diplomado, colunista na mídia gaúcha e catarinense, integrante da equipe de comentaristas do Portal Terceiro Tempo da Rede Bandeirantes de Televisão, além de poeta e compositor

Fonte: GibaNet.com

Não pude deixar de prestar atenção na opinião do jornalista Lino Tavares.

As assertivas “ Exame da OAB afere a capacidade intelectual de cada estudante e não a faculdade de Direito como um todo” e “se alguns  passam e a maioria roda, claro está que os aprovados são uma comprovação de que a faculdade ensinou, sim; só não aprendeu quem não quis. Afinal, os “felizardos” que passaram na “prova de fogo” da OAB não nasceram sabendo.” merecem um pouco de atenção.

Aqui o autor projeta responsabilidades para os estudantes. Se uns passam e outros não, é porque os reprovados seriam responsáveis pelo próprio fracasso.

Ou não seriam?

Deixem suas opiniões no campo de comentários desta postagem.

Por Maurício Gieseler em 25 janeiro 2012 às 16:10

Categoria: Análise crítica do Exame, Ensino jurídico