OAB e outros conselhos profissionais debatem a implementação de mais exames de classe

A OAB participou ontem do Fórum dos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas, em conjunto com os presidentes dos conselhos de Engenharia e Agronomia (Confea), de Biblioteconomia, de Fonoaudiologia e dos Nutricionistas. O Fórum reúne quase 8 milhões de profissionais e mais de 500 Conselhos Regionais no país.

Na pauta uma série de assuntos de interesse da OAB e dos demais conselhos e, uma pequena discussão sobre a criação de mais “exames de ordem”, ou exames de proficiência. Vejamos trecho da notícia no site da OAB Federal:

“”Além desses temas, também foram debatidos na reunião a adoção por outras categorias do exame de proficiência para novos profissionais, a exemplo do Exame de Ordem; ações de combate à proliferação na abertura de cursos sem a qualidade esperada e ainda a aplicação da Lei 12.514, que define os valores de anuidades a serem cobradas pelas entidades de fiscalização profissional.“”

Não surpreende que esse movimento esteja acontecendo. Primeiro a OAB não quer ficar praticamente sozinha com seu Exame de Ordem, hoje só acompanhada pelo Conselho Federal de Contabilidade. A adoção de exames de suficiência por outros conselhos reforçaria o papel do Exame na sociedade.

Ademais, com o plano de expansão do ensino superior em marcha, é natural que os demais conselhos queiram proteger seus mercados diante do inevitável aumento do número de estudantes e, via de consequência, de futuros profissionais.

O jornal Estadão publicou em abril do ano passado uma reportagem sob o título “Com novo Fies, ‘só não estuda quem não quer’, diz Dilma” em que a presidenta abordou o financiamento do governo para a formação superior de estudantes em faculdades particulares.

Segundo a presidenta, com as novas regras do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), ‘só não estuda quem não quer’, e que desde 31 de janeiro (de 2011), quando as inscrições no Fies foram abertas, cerca de 34 mil alunos contrataram o financiamento estudantil e mais 29 mil contratos estavam sob análise. Dilma disse que os juros de 3,4% ao ano oferecidos pelo programa são baixos e que o pagamento só tem início um ano e meio após a formatura do aluno. Fonte: Estadão

O Secretário da SESU – Secretaria de Educação Superior – havia mencionado a existência uma demanda não atendida pelo Sisu e o ProUni de mais de 1 milhão de alunos, o que aponta para um grande potencial de expansão do ensino superior por meio do Fies e do Fundo Garantidor. Fonte: Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular

O Governo Federal, com o natural apoio dos bancos e das Instituições de Ensino Superior particulares, pretende incluir mais e mais estudantes no ensino superior, e as facilidades incluídas no FIES têm esse explícito propósito.

Outros conselhos profissionais certamente já estão articulando para criar seus respectivos Exames de Classe, seguindo o movimento do C Federal de Contabilidade e, com muito mais tradição, o Exame da OAB.

Isso vai acontecer, cedo ou tarde, mas vai.

Por Maurício Gieseler em 02 março 2012 às 10:46

Categoria: Ensino jurídico, Exame de Suficiência, Exames de proficiência

Estudantes do último ano de Contabilidade poderão fazer Exame de Suficiência

O Conselho Federal de Contabilidade publicou, nesta quarta-feira (14), no DOU (Diário Oficial da União), a resolução que regulamenta o exame de suficiência para contadores. A prova em si não é novidade, pois já foi aplicada pela primeira vez no início deste ano.

O destaque da regulamentação é que os estudantes do último ano da graduação em Contabilidade poderão realizar a prova. A vantagem é que, assim que se formarem, os novos contadores já poderão ter o registro profissional no Conselho Regional de Contabilidade e exercer a profissão.

Para o presidente do CRC-SP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo), Domingos Orestes Chiomento, a inclusão dos estudantes foi positiva, pois ajudará em melhorar a qualidade dos profissionais no mercado de trabalho.

“É uma maneira de motivar a responsabilidade e comprometimento de universidades, professores e alunos. Com isso, todo mundo ganha. O mercado carece de profissionais capacitados”, disse.

Fonte: InfoMoney

O pessoal de contabilidade resolveu copiar o que acontece no Exame de Ordem sem se inteirar dos fatos.

Os estudantes do último ano de Direto podem fazer a prova porque existe uma ACP do MPF contra a OAB, na Justiça Federal do Espírito Santo, que obriga a OAB a autorizar os estudantes a se submeterem a prova.

Se a OAB ganhar essa disputa, certamente essa facilidade vai acabar. Os conselheiros federais entendem que a submissão ao Exame ainda na faculdade atrapalha o desempenho acadêmico.

Claro! É muito vantajoso para vocês fazerem logo a prova, e isso é ótimo, mas o argumento da OAB é pertinente e merece uma reflexão séria.

Para o bem ou para o mal, independente dos motivos, suas virtudes ou deméritos, o exame da OAB é o grande parâmetro para os demais cursos, e estes, sem maiores reflexões, terão a Ordem como baliza.

É uma pena que as cabeças pensantes do CFC não criem e inovem em sua prova, seguindo um caminho não tão paralelo ao da OAB. Seria ótimo que o Exame do CFC fosse tecnicamente irretocável, exatamente para influenciar o controverso Exame de Ordem por meio do bom exemplo.

Infelizmente, essa não parece ser a tendência.

Por Maurício Gieseler em 02 janeiro 2012 às 12:14

Categoria: Exame de Suficiência

Exame reprova quase metade dos estudantes de medicina de SP

Uma prova aplicada pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) revelou que 46% dos estudantes do último ano do curso em São Paulo não estão preparados para exercer a profissão.

Em 2011, 418 estudantes se inscreveram para participar da prova, que é opcional. Destes, 191 –pouco menos do que a metade– foram reprovados.

Na prática, os resultados mostram que os formandos não sabem atividades básicas, como ler radiografias e fazer um diagnóstico correto. A maioria também indicaria o tratamento errado para problemas como infecção na garganta, meningite, sífilis e outros.

A prova continha 120 questões objetivas distribuídas em nove áreas de estudo. Segundo o Cremesp, os resultados mostram que os estudantes têm dificuldade até mesmo em áreas essenciais da medicina, como clínica médica (em que os alunos erraram 43,5% das questões), obstetrícia (45,9% de erros) e pediatria (40%).

A área que teve as menores notas nas questões foi saúde pública (com 51% das questões erradas).

A exame do Cremesp é aplicado desde 2005. Ao todo, 4.821 formandos participaram da prova nos últimos sete anos. Destes, 2.250 alunos foram reprovados.

O presidente do Cremesp, Renato Azevedo, avalia o resultado como preocupante. “Não é uma prova para especialistas. São questões básicas“, afirma. “Se você é atendido por um médico que não tem formação adequada, é um risco à sua vida“.

Fonte: UOL

Por Maurício Gieseler em 10 novembro 2011 às 10:29

Categoria: Exame de Suficiência, Exames de proficiência

Exame de Suficiência do CFC teve 54,18% de aprovação para contadores e 27,87% para técnicos

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) publicou no último dia 28/10 o resultado da segunda edição do Exame de Suficiência, realizado no dia 25 de setembro de 2011. Nesta segunda edição foram aprovados 10.129 bacharéis em Ciências Contábeis, que correspondem a 54,18% de aprovação e 1.067 técnicos aprovados, que correspondem a 27,87% de aprovação.

Para a vice-presidente de Desenvolvimento Profissional, contadora Maria Clara Cavalcante Bugarim, este percentual de aprovação demonstra que os alunos se atentaram para a importância do Exame. “A resposta aparece de forma satisfatória, pois  temos certeza de que estamos cumprindo com o nosso papel de fiscalização preventiva, uma vez que permitirmos o acesso, ao exercício profissional, de pessoas que apresentaram uma capacitação adequada”, avisa a vice-presidente.

Vale lembrar que a certidão de aprovação do Exame de Suficiência será emitida pelos CRCs sem ônus , desde que solicitado. Clique nos links abaixo e confira o resultado:

LISTAS DE APROVADOS

Bacharel em Ciências Contábeis

Técnico em Contabilidade

Fonte: CFC

O interessante no desempenho entre os bacharéis e técnicos em contabilidade, a única prova de suficiência além do Exame de Ordem, é a discrepância de desempenho entre os bacharéis e os técnicos.

Enquanto os bacharéis tiveram um desempenho considerado razoável (maravilhoso, se comprarmos com o Exame de Ordem) os técnicos amargaram tanto quanto os bacharéis e estudantes de Direito. As razões para tamanha diferença não são conhecidas.

Ou a prova para os técnicos foi mais difícil ou o nível de formação desse grupo não acompanha o padrão do curso de bacharelado.

De uma forma ou de outra vamos acompanhar o desempenho do Exame de Suficiência e ver como se acomoda o padrão de aprovação. Esta é apenas a 2ª edição da prova e não dá para avaliar ainda o cenário da formação superior em contabilidade.

A questão é: há um paralelo entre a qualidade dos cursos de Direito e de Contabilidade? Os problemas do acesso facilitado e das deficiências no ensino médio se repetem?

O tempo dirá.

Por Maurício Gieseler em 08 novembro 2011 às 09:16

Categoria: Exame de Suficiência