Breve comentário sobre o Exame de Ordem

Por Renato Saraiva.

Nesse início de outubro tivemos a realização da segunda fase do XII Exame de Ordem Unificado. Finalmente, classifico esta edição do certame como uma prova justa e de nível adequado para quem optou pela peça de Trabalho. A prova pedia uma contestação, tema amplamente trabalhado em nossos cursos regulares e Último Treino, do Portal Exame de Ordem. Além disso, o examinando que contou com a ajuda de nossa CLT, bastava consultar o índice remissivo e ali teria boas doses de conhecimento para compor suas respostas.

Há tempos, venho criticando a forma com a FGV e a OAB elaboram as questões do Exame de Ordem. O que, a meu ver, contribui bastante para os atuais baixos índices de aprovação. Na última prova, mais de cem mil examinandos encararam o desafio da OAB, porém menos de 18 mil passaram pela primeira fase. Por conta disso, torci muito por uma segunda fase mais justa e com questões que não induzissem ao erro. E, para minha alegria, foi o que se viu.

Além disso, em uma ação na justiça, a contestação é um elemento básico, que todo advogado deve sempre se manter preparado a fazer. Assim sendo, sua cobrança em prova da Ordem não deve trazer temor ao examinando, pelo contrário. Certamente, teremos um índice de aprovação mais elevado, o que em parte é bom, entretanto fica a máxima de que quando a primeira fase é apertada, a FGV afrouxa na segunda. E vice e versa.

Mas a baixa aprovação nos últimos exames, principalmente após a unificação da prova, se deve a um somatório de fatores, que devem ser levados em conta inclusive na elaboração das questões de prova. O ensino jurídico de baixa qualidade é apontado pela OAB como razão maior do desempenho duvidoso dos bacharéis. Em tese, há razão no apontamento da instituição, mas há de se convir que o aluno de direito enfrenta um dilema triplo ao fim da graduação: a monografia de conclusão de curso, o próprio Exame de Ordem e, mais recentemente, a prova do ENADE.

Portanto, antes de achar um culpado, acima de qualquer coisa, a OAB precisa realizar um exame justo, que tenha cobranças referentes ao saber jurídico e raciocínio cognitivo. De nada adianta contextualizar questões ou elaborar perguntas multidisciplinares sem observar elementos importantes da formação do aluno de hoje, que sonha em ser o advogado de amanhã.

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