Na última semana, uma advogada e professora de 33 anos denunciou à polícia uma perturbação sofrida por ela ao praticar exercício com uma amiga. Ela teve um vídeo publicado na internet enquanto praticada yoga, as imagens foram gravadas por dois homens, sendo que um deles fez gestos de cunho sexual enquanto filma com o celular.

Ao tomar ciência da publicação, a advogada gravou um vídeo, bastante abalada. O autor do vídeo, Ricardo Roriz, possui uma página com quase 290 mil seguidores.

Quando eu cliquei, eu só comecei a vomitar, não conseguia parar de vomitar. A cena é muito grotesca, muito violenta. Vendo aquilo, os comentários. Com eu sou advogada, eu pensei: ‘preciso ter o mínimo de pensamento cognitivo para salvar esse vídeo, printar esses comentários horrorosos’. Porque isso não pode ficar desse jeito. Uma pessoa não pode me expor dessa forma. Eu compartilhei com minha amiga e ela também ficou assustada” disse a advogada

Denúncia por perturbação da tranquilidade

Em seguida, a advogada procurou a 12ª Delegacia de Polícia, em Copacabana, para registrar a ocorrência por perturbação da tranquilidade. Ela também afirmou que entrará com processo contra os dois homens na esfera cível e criminal.

A delegada responsável pelo caso, Valéria Aragão, afirmou que ambos os homens responsáveis pelas gravações já foram identificados e intimados para prestar depoimento na delegacia.

A advogada disse que começou a fazer ioga após sinais de depressão durante a pandemia de Covid-19. Apesar do bem-estar proporcionado pelos exercícios, ela afirmou que nunca mais quer voltar a praticar.

Eu não vou voltar a fazer ioga nunca mais. Não quero mais. Eu estou associando isso à violência. O que antes era a minha paz, agora é violência. Me foi tirada a minha paz de tudo, era meu escape. Quando eu entrei em depressão na pandemia, que eu estava sozinha, sem ninguém, todo mundo ficando doente, meus pais são médicos e tinha terror de perder eles ao mesmo tempo, foi o ioga que me tirou disso

Toda essa memória boa se transformou numa violência. Eu nunca mais vou fazer minha prática de ioga, porque eu nunca mais vou voltar a pensar que minhas pernas estão para o ar num movimento bonito, vou pensar num idiota qualquer se masturbando. É muito triste que as pessoas façam isso com outras sem nenhum tipo de pudor ou remorso

A repercussão a deixou sem dormir

Ela, que também é professora de direito, disse que ainda ficou sem dormir por conta da repercussão que a publicação ganhou na internet, tendo a sensação de que virou um “filme pornô”

Eu virei um filme pornô, do dia para a noite. Isso é muito bizarro. Eu não sou isso. Sou professora, sou advogada. Trabalho 20 horas por dia às vezes. Eu trabalho muito, estudo muito. Faço um monte de conteúdo gratuito para os meus alunos. E eu virei um filme pornô para as pessoas usarem quando elas quiserem. Eu não optei por isso, fiz duas faculdades. Eu não queria nada disso

A gente está sendo obrigada a estar aqui hoje de pé trabalhando mesmo com um inferno na cabeça. Essas cenas.. Eu não consigo parar de ouvir a voz desses dois, o riso, o ‘blau blau blau’, não consigo tirar esse momento da minha cabeça e pensar ‘quantos vídeos ele tem meu?’. Porque eu estou ali todo fim de semana. Meu Deus do céu. Quantas vezes o meu corpo já não foi usado para essa coisa nojenta? Eu me sinto suja

Apagou as postagens

Logo após o caso tomar notoriedade, Ricardo Roriz apagou as publicações e publicou uma nota de esclarecimento nas suas páginas do Facebook e do Instagram:

A resposta da advogada

Em resposta ao pedido de desculpas, a advogada disse:

Essa nota de esclarecimento pra mim é uma afronta. Uma afronta a minha inteligência, principalmente. A gente já está em contato com a polícia. Eu e outras meninas que também foram ofendidas. Eu não temo absolutamente nada. O meu único erro foi ter nascido mulher. Já já esse pesadelo vai começar a amenizar dentro de mim e vai dar tudo certo

Nota de repúdio da OAB/RJ

A diretoria de Mulheres da Ordem dos Advogados no Brasil no Rio (OAB-RJ) repudiou o ato praticado pelos dois homens contra a advogada. Segue parte da nota publicada pelo órgão:

É inacreditável que, em pleno ano de 2020, corpos femininos ainda sejam objetificados e sexualizados dessa forma, pouco importando para os ofensores as vontades de uma mulher.

Não há mais espaço, em nossa sociedade, para que abusos e opressões continuem ocorrendo. Isso porque, atitudes como essa, perpetuam o não reconhecimento da mulher como indivíduo de direitos

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